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Projeto sobre casas de acolhimento vira boato sobre gays e trans não pagarem conta de luz

Gays e trans não vão mais pagar conta de luz por causa de projeto de Erika Hilton, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – Gays e pessoas trans não vão mais pagar conta de luz por causa de um projeto apresentado por Erika Hilton.

Análise

Mensagens que circulam nas redes sociais afirmam que gays e pessoas trans deixarão de pagar conta de energia elétrica graças a uma proposta associada à deputada federal Erika Hilton. Em algumas versões, o conteúdo aparece acompanhado de críticas ao governo federal e de alegações de que novos privilégios estariam sendo criados para a população LGBTQIAPN+.

As publicações ganharam força especialmente após a repercussão de um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados. Em meio ao debate político, internautas e alguns agentes públicos passaram a compartilhar versões simplificadas ou distorcidas da proposta, levando muitas pessoas a acreditar que qualquer pessoa gay ou trans teria direito à isenção total da conta de luz.

Versão 1: GAYS E TRANS NÃO VÃO PAGAR CONTA DE LUZ! VOCÊ PAGA PRA ELES! Versão 2: COMISSÃO DA CÂMARA APROVA ISENÇÃO TOTAL DE LUZ PARA LGBTS E cota para trans, vaga em concurse público, luz de graça. Daqui a uns dias, não ser trans será considerado crime”, diz leitor.

Checagem

As mensagens virais utilizam um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados para afirmar que gays e pessoas trans não precisarão mais pagar energia elétrica. Para compreender o que há de real nesta história, responderemos às seguintes perguntas: 1) Gays e trans não vão mais pagar conta de luz por causa de projeto de Erika Hilton? 2) Qual é o contexto da história que aponta que gays e trans não vão mais pagar conta de luz? 3) O que diz o projeto de Erika Hilton sobre isso?

Gays e trans não vão mais pagar conta de luz por causa de projeto de Erika Hilton?

Não. É falso que gays e pessoas trans, de forma geral, deixarão de pagar conta de luz por causa do projeto citado nas mensagens. As publicações transformam uma discussão específica sobre instituições de acolhimento em uma alegação muito mais ampla. Em nenhum momento a proposta estabelece que toda pessoa LGBTQIAPN+ passará a ter isenção na tarifa de energia elétrica.

A interpretação compartilhada nas redes sociais é uma ampliação indevida do conteúdo do projeto. Trata-se de uma narrativa semelhante a outras que já circularam anteriormente e que atribuíam benefícios inexistentes a pessoas LGBTQIAPN+ sem considerar o contexto real das propostas legislativas.

Qual é o contexto da história que aponta que gays e trans não vão mais pagar conta de luz?

A origem da história está no Projeto de Lei 1182/2023, que trata da concessão de benefícios tarifários para casas de acolhimento destinadas a pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade social. Essas instituições oferecem abrigo temporário para pessoas expulsas de casa, vítimas de violência, abandono familiar ou em situação de extrema vulnerabilidade econômica. O objetivo da proposta é auxiliar financeiramente esses espaços para que possam manter suas atividades.

O Projeto de Lei 1182/2023 tem sido amplamente utilizado como combustível para a oposição ao governo federal nas redes sociais. A atual onda de desinformação ganhou força logo após uma narrativa correlata, já desmentida anteriormente pelo Boatos.org, que alegava falsamente que famílias que acolhessem pessoas homossexuais em suas casas receberiam isenção na conta de luz.

O que ocorreu agora foi o surgimento de uma versão ainda mais inflada e distorcida da história anterior. Internautas e figuras públicas pegaram o rastro dessa antiga desinformação e criaram uma nova tese, afirmando falsamente que o benefício seria direcionado diretamente a toda a população de gays e trans, desconsiderando por completo o verdadeiro texto da matéria legislativa.

O que diz o projeto de Erika Hilton sobre isso?

A origem real de toda a discussão se baseia no Projeto de Lei 1182/2023, que trata especificamente da concessão de benefícios tarifários para casas de acolhimento destinadas a pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade social. A proposta tem como meta amparar as instituições filantrópicas e organizações não governamentais que mantêm abrigos temporários para acolher pessoas que foram expulsas de seus lares, que sofreram violência familiar ou que se encontram em extrema pobreza.

Ao analisar a tramitação legislativa, o documento inicial previa a concessão de um desconto parcial de 30% na tarifa de energia elétrica exclusivamente para essas entidades de assistência. Durante as discussões nas comissões, uma emenda apresentada pela deputada Erika Hilton propôs a ampliação desse desconto para 100% nas situações específicas descritas pelo projeto. Portanto, a isenção proposta visa desonerar o custo operacional de abrigos de acolhimento coletivo, e não as residências ou contas particulares de indivíduos.

Conclusão

É falsa a afirmação de que gays e pessoas trans deixarão de pagar conta de luz por causa de um projeto de Erika Hilton. A origem da história está no Projeto de Lei 1182/2023, que trata de benefícios tarifários para casas de acolhimento destinadas à população LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade social. Embora uma emenda tenha proposto ampliar o desconto para 100% em determinadas situações, a medida se refere a instituições específicas e não a toda pessoa gay, lésbica, bissexual, trans ou integrante da comunidade LGBTQIAPN+.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)