Ambientalistas não reclamam de desmatamento da Amazônia para produção de perfume Chanel nº5 #boato

Boato – Ambientalistas só estão preocupados com o presidente Jair Bolsonaro, mas se calam em relação ao desmatamento do pau-rosa da Amazônia para produção do perfume Chanel nº5.

A trágica história que culminou nas mortes do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Araújo Pereira jogou luz, novamente, à negligência do poder público em relação à Amazônia. E, pelo que estamos vendo, perfis em redes sociais já estão preparando o contra-ataque em relação às críticas.

De acordo com uma mensagem que circula online, ambientalistas ignoram o fato de a Chanel utilizar a árvore pau-rosa da Amazônia para produzir o perfume nº5. Ao final, o texto cita o nome de alguns (com direito à menção errada a Mark Ruffalo, chamado de “Mark Ruffles”). Leia a mensagem que circula online:

O desmatamento do perfume francês. O perfume mais vendido do mundo, Chanel n⁰5, lançado em 1921, possui ingrediente o óleo do Pau Rosa que só é encontrado na Amazônia,e foi responsável pela devastação de 500 mil árvores para mandar esse óleo para os franceses. Para se ter uma ideia da “preocupação” dos franceses com a Amazônia, o Pau Rosa, árvore nativa da Amazônia e que não se consegue cultivar fora dela foi extinta na Guiana FRANCESA e nos Estados do Pará e Amapá, onde começou a ser retirada na década de 20. O pau rosa é cortado quando esta com 30 a 35 anos. O valor na mão do intermediário chega a US$ 300/litros, sendo que o produtor local é US$ 20. A conclusão é de vocês quem poderia ser estes intermediários. Estima-se a exportação de US$ 1.5 bilhões do produto/ano. Estamos falando de apenas um produto vendido a peso de ouro, com o objetivo de produzir um perfume francês que custa quase R$ 1000, 50 ml.

Porque os ambientalistas ainda não reclamaram da produção do Chanel 5 aos custo de derrubada de árvores nativas da Amazônia? Esta é a hipocrisia daqueles que apontam o dedo para o Brasil mas além de devastar suas florestas, devastaram as nossas. Os interesses estão muito claros mas jovens idiotas ecoam as narrativas de ambientalistas fake cujos países são os maiores criminosos ambientais da história. Vai pra poootaquipariuuu DiCaprio, Greta, Mark Ruffles, Bono Vox e U2 e um bando de artistas sanguessugas. Deixem a nossa Amazônia em paz.

Ambientalistas não reclamam de desmatamento da Amazônia para produção de perfume Chanel nº5?

A tese de que a pauta ambiental só quer “derrubar Bolsonaro” se fortalece com a acusação. Porém, não é verdade que os ambientalistas não estão reclamando com a Chanel em relação à questão do perfume nº5 e o pau-rosa da Amazônia.

O histórico recente de notícias falsas em relação à Amazônia já nos deixa desconfiados da veracidade da informação. Há poucos dias, desmentimos, por exemplo, informações falsas sobre Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira.

Ao olhar o texto, vimos informações reais (mesmo que entregues de forma enviesada) misturadas com informações erradas. De fato, a Chanel utiliza o pau-rosa para a produção do perfume nº5. E, de fato, a árvore é nativa da Amazônia (mas não apenas da região, como é possível de se ver aqui). Também é fato que a produção do perfume ameaçou a espécie. Tanto que há mais de dez anos o Ibama exige uma vasta documentação para a extração do pau-rosa no país.

O que o texto “ignora” é que há, sim, desenvolvimento pela própria Chanel de alternativas para a produção da matéria-prima utilizada no nº5 (que se chama Linalol). Uma delas é descrita neste artigo da Revista Fapesp. Outra pode ser vista nesta matéria.

Agora o ponto central. Todo este movimento se deu principalmente (ao contrário do que apontam mensagens) por conta da pressão de grupos ambientalistas. Não foram poucas vezes que ONGs fizeram pressão contra a empresa. Você pode ver exemplos aqui, aqui e nas matérias já citadas.

Resumindo: é falsa a informação que aponta que ambientalistas estão se calando em relação ao desmatamento do pau-rosa na Amazônia. Basta uma busca para sabermos que a questão só entrou na pauta das empresas e do poder público por conta da pressão de grupos que defendem o bem-estar ambiental.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet