Monsenhor Viganò, do Vaticano está certo ao falar sobre pandemia, vacinas e Grande Reset #boato

Boato – Ouçam o Monsenhor Viganò, do Vaticano. Ele está certo ao apontar que a pandemia é uma farsa, condenar o lockdown, vacinação e anunciar o Grande Reset que está por vir.

Você já deve ter ouvido aquela expressão “pode vir o papa falar que não é verdade”. Na história de hoje, temos uma “segunda versão” desta história: “pode vir alguém do Vaticano falar que não é verdade”. Este alguém atende pelo nome de Monsenhor Viganò.

Um vídeo dele atacando as vacinas, as medidas de restrição e falando que a pandemia é uma farsa está circulando junto com mensagens que apontam que “devemos prestar atenção” do que este senhor fala. O Monsenhor Viganò também chega a citar o “Grande Reset” que está por vir. Leia algumas das mensagens que circulam online (a fala dele iremos analisar na segunda parte):

Versão 1: Monsenhor Vigano Vaticano Itália.. o que será que falta para as pessoas entenderem?? Versão 2: Vídeo bombastico do Monsenhor Vigano do Vaticano, convidando o mundo inteiro à desobediência civil. Assistam e repassem! Versão 3: Segue o video bombastico do Monsenhor Vigano, do Vaticano convidando o mundo inteiro à desobediência civl. Assistam e repassem .. Ele foi preciso na explanação da cronologia dos fatos deste governo tiranico na Italia. Versão 4: Vídeo quase completo. Monsenhor Viganò Desobediência civil é o caminho, ou seremos todos escravos. Muitos ainda dormem. Vejam enquanto logo pq breve vai ser derrubado.

Monsenhor Viganò, do Vaticano está certo ao falar sobre pandemia, vacinas e Grande Reset?

Queridos leitores do Boatos.org: não deem ouvidos a negacionistas! Falamos isso porque o discurso do Monsenhor Viganò não passa de um amontoado de desinformação que, lamentavelmente, veem de alguém que tem influência suficiente para criar hordas de lunáticos.

Antes de falar do trecho cortado (o vídeo inteiro tem 27 minutos de “nada”, como aponta esse site de checagem italiano), precisamos apontar que o religioso em questão não goza de muito bom prestígio em relação as suas declarações. De acordo com este artigo, ele considerado um apoiador de Trump e opositor ao papa. No seu discurso, teorias (falsas) Qanon estão inseridas. Dito isso, vamos à fala e suas correções:

1) Caros amigos. Vocês se reuniram neste dia, na Praça do Povo, em Roma e em muitas outras praças da Itália como centenas de milhares de pessoas em todo o mundo manifestando oposição ao estabelecimento de uma tirania global. Milhões de cidadãos de todas as nações no silêncio ensurdecedor da mídia, há meses gritando o próprio “não”. Não à folia pandêmica. Não aos lockdowns. Não aos toque de recolher, à imposição de vacinas, não aos passaportes sanitários, à chantagem de um poder totalitário a serviço da elite.

A primeira parte do discurso se resume em incitar às pessoas a falarem “não” ao lockdown, ao toque de recolher, à vacinação obrigatória e o passaporte sanitário. Com mais de um ano e meio de pandemia, podemos dizer que esse é um caminho que leva à morte.

Por mais que haja reclamação (parte por causa de interesses econômicos, parte por interesses políticos) contra as medidas de isolamento, elas foram, em alguns momentos da pandemia, a única saída para salvar vidas. O exemplo da Nova Zelândia, país que testou a população e isolou no momento certo, é a prova que o lockdown foi eficaz contra a doença.

As medidas de isolamento só foram superadas pela vacinação. O exemplo de países que vacinaram a população e controlaram a pandemia e o exemplo de países que não controlaram a pandemia sem vacinação são, também, provas de que ele está errado. Parte disso, infelizmente, é o passaporte da vacinação. Em um mundo onde lunáticos pregam contra a vacinação, ele se faz necessário.

2) Passaram-se quase dois anos desde o início deste pesadelo planetário. Entramos em um labirinto passo a passo. No início, era o uso de máscaras em lugares fechados. Depois os lockdowns as autocertificações. Depois o toque de recolher. Vocês se lembram? Todas as vezes, em frente a um abuso que podia parecer justificado por uma situação de emergência. Nós aceitamos que subtraíssem um pouco da nossa liberdade.

Mais uma vez, é utilizada a prática de falar em “liberdades individuais” para se transcender regras de preservação de uma comunidade (ou até do mundo). Se obriga o uso de máscaras pelos mesmos motivos que se proíbe beber e dirigir. Se proibiu a grande circulação em lugares fechados pelo mesmo motivo que não se permite que crianças dirijam. Não se trata de liberdade individual e sim de preservação coletiva.

3) Passo a passo. Nos impediram de ir à igreja, de sair de casa, de trabalhar, de ir à escola, de visitar nosso caros e até nossos parentes moribundos no hospital. Passo a passo. Nas noites, nas estradas vimos apenas entregadores de Amazon e Just Eat. Nossas vítimas do Grande Reset. Os novos escravos do sistema.

Além do “mais do mesmo”, há apenas a citação ao Grande Reset. Só que a tal teoria não só se baseia em informações falsas (como de que um grupo pequeno quer implantar uma “nova agenda mundial) como também já foi prometida em algumas oportunidades e não se concretizou.

Resumindo: não deem ouvidos para as declarações do Monsenhor Viganò. Apesar de fazer parte de uma instituição de prestígio, ele não está certo ao fazer as tais acusações contra isolamento social, vacinas e tudo mais.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet