Centenas de americanos morreram por causa da vacina contra Covid-19 #boato

Boato – Centenas de americanos morreram por causa da vacina contra a Covid-19. De acordo com o sistema do governo Vaers, já foram 501 mortes e outras 11 mil pessoas tiveram algum tipo de reação adversa dentro de 45 dias.

Não é de hoje que informações desencontradas sobre a vacinação contra a Covid-19 trazem muitas dúvidas aos internautas. E com a crescente disseminação de boatos sobre as vacinas, o que deveria ser algo bom depois de tanta espera acabou virando tema de debates nas redes sociais sobre supostos riscos à saúde, espalhando medo (sem qualquer fundamento) na internet.

Desta vez, em mais uma da série “mitos sobre a vacinação”, uma publicação que começou a ser compartilhada principalmente no Facebook dá conta de que centenas de americanos morreram por causa da vacina contra a Covid-19. A informação está sendo compartilhada através de prints com supostos dados do Sistema de Notificação de Eventos Adversos da Vacina (VAERS), do governo, que são divulgados em duas versões diferentes.

Em uma das imagens, o número informado é de 501 supostas mortes pós-vacina e outros 11 mil casos de reações adversas do imunizante, dentro de um período de 45 dias. Na outra, aparecem 181 mortes em apenas duas semanas, incluindo supostamente a de um bebê não-nascido que teria falecido após a mãe tomar a vacina. Confira, a seguir, as versões do texto original das publicações que estão rodando online:

Versão 1: 501 PESSOAS MORRERAM PÓS VACINA e outras 11 mil tiveram algum tipo de reação adversa, num período de 45 dias, segundo dados do CDC, órgão OFICIAL de Saúde do Governo norte-americano. Entre os efeitos colaterais, 156 são permanentes, 13 abortos, 139 assimetrias faciais e 383 ofereceram risco de morte. Repare que vemos muito mais notícias de problemas com vacina do que com Hidroxicloroquina e Ivermectina. A “roleta russa” da vacinação é mais perigosa que o tratamento precoce, porém é mais lucrativa à indústria farmacêutica. Pense bem, você ou um familiar podem ser a “bola da vez”. E diante destes números, OBRIGAR A VACINAR É SIM UM CRIME. Versão 2: 181 Americanos Morreram de Vacinas Covid-19 Em Apenas 2 Semanas, Incluindo Bebê Não Nascido Depois Que A Mãe Tomou Vacina

Centenas de americanos morreram por causa da vacina contra Covid-19?

As duas versões da publicação viralizaram rapidamente entre os internautas. No entanto, nenhuma das informações nas imagens está correta.

E desconfiamos disso, a princípio, por conta de alguns indícios comuns quando o assunto é fake news. Um deles é o histórico crescente de boatos online que atribuem mortes à vacinação contra o coronavírus. Alguns deles, inclusive, nós já desmentimos aqui no Boatos.org, como aquele que dizia, por exemplo, que 761 idosos teriam morrido em asilo após tomar a vacina contra a Covid-19; outro que apontava que uma idosa teve supostamente os dedos amputados em reação às vacina contra Covid-19; e até aquela balela de que o diretor-presidente da Anvisa teria dito que a população estaria correndo grave risco ao tomar as vacinas.

Além disso, no nosso caso de hoje, quem inventou essa história de centenas de mortes de americanos por causa da vacina contra o coronavírus usou como fonte um sistema que não serve para cravar o número de vítimas da vacina. Vários grupos antivacinas têm abusado do VAERS e não são poucos os sites (como você pode ler aquiaqui e aqui, entre muitos outros) que tiveram que explicar que os dados não são assim tão confiáveis.

Isso porque, em primeiro lugar, ele é de livre notificação e não é checado em um primeiro momento. Qualquer pessoa que tomou a vacina contra Covid-19 pode relatar um evento no VAERS, sendo posteriormente publicado em seu banco de dados. Portanto, é possível encontrar uma lista de incidentes relatados que ocorreram após a vacinação, e não necessariamente por causa dela. Ou seja, se alguém adoece ou morre logo após ser vacinado, isso não significa que a vacina o tenha causado.

Até porque o VAERS foi criado pelo Center for Disease Control (CDC) nos Estados Unidos apenas para a coleta de relatórios de problemas após a vacinação, para atuar como um sistema de alerta precoce caso alguns desses problemas estejam sendo causados por vacinas. No próprio site, é possível encontrar a descrição:

“VAERS é um sistema de relatório passivo, o que significa que depende de indivíduos para enviar relatórios de suas experiências para o CDC e [a Food and Drug Administration]. VAERS não foi projetado para determinar se uma vacina causou um problema de saúde, mas é especialmente útil para detectar padrões incomuns ou inesperados de notificação de eventos adversos que podem indicar um possível problema de segurança com uma vacina. O relato de um evento adverso ao VAERS não é documentação de que uma vacina causou o evento.”

Inclusive, o Reino Unido também possui um sistema semelhante (chamado Sistema Cartão Amarelo), que claramente prova que é falsa essa teoria de mortes por causa do imunizante contra o coronavírus. A plataforma recebeu 143 notificações (até então) de mortes após a vacinação – a maioria delas feita por pessoas idosas ou com doenças subjacentes -, sendo que nenhuma das quais foi causada por ela.

Além do mais, vale lembrar que estamos no meio de uma pandemia e, para ficar imunizado contra a Covid-19, é necessário tomar duas doses da vacina. Por isso, mesmo que tivessem ocorrido mortes pós-vacina por Covid-19, não há como atribuir os óbitos à vacinação, já que a imunização não estaria completa.

Resumindo: A publicação que dá conta de que centenas de americanos morreram por causa da vacina contra Covid-19 não é verdadeira. Os dados que estão espalhando foram baseados no sistema VAERS, que não é confiável, já que qualquer pessoa pode notificar algum evento pós-vacina na plataforma. Isso significa que, mesmo que uma pessoa adoeça ou venha a óbito após tomar a vacina, pode até notificar no site, mas não quer dizer que foi causado pelo imunizante.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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