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É falso que Brasil vendeu a partida contra a Noruega para a Fifa e “foi divulgado o escândalo que todo mundo suspeitava”

Brasil vendeu a partida contra a Noruega para a Fifa e foi divulgado o escândalo que todo mundo suspeitava, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – A Seleção Brasileira teria vendido a partida contra a Noruega na Copa do Mundo de 2026 para a Fifa e tudo foi revelado quando “foi divulgado o escândalo que todo mundo suspeitava” .

Análise

A recente eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 deixou milhões de torcedores desapontados. O resultado surpreendente diante da Noruega abriu as portas para antigas teorias conspiratórias que costumam circular na internet após derrotas marcantes do Brasil. Uma mensagem de texto extremamente longa e detalhada voltou a se espalhar nas redes sociais e aplicativos de mensagens, alegando que o resultado do jogo foi vendido nos bastidores.

A mensagem, assinada por um suposto jornalista da Globo, traz elementos complexos: uma reunião secreta poucas horas antes do jogo, pressões contratuais de patrocinadores como a Nike, recusas iniciais de atletas consagrados (como Neymar) e até a interferência direta de líderes políticos internacionais e do presidente da Fifa. Segundo o texto, tudo faria parte de um grande acordo geopolítico e financeiro para beneficiar a Noruega. Leia (alerta textão):

COPA 2026 — DIVULGADO O ESCÂNDALO QUE TODO MUNDO SUSPEITAVA! Talvez isso explique a razão de o jogador Neymar ter declarado, cabisbaixo, ao deixar o gramado: “Se as pessoas soubessem o que aconteceu nessa Copa, ficariam enojadas.” Todos os brasileiros ficaram chocados e tristes por terem sido eliminados pela Noruega, nas oitavas de final, nos Estados Unidos. Não deveriam. O que está exposto abaixo é a notícia em primeira mão que está sendo investigada por rádios e jornais de todo o Brasil e alguns estrangeiros, mais especificamente o Wall Street Journal of America e o Gazzetta dello Sport, e deve sair na mídia em breve, assim que as provas forem colhidas e confirmarem os fatos.

Fato comprovado: O Brasil VENDEU as oitavas de final para a Fifa. Os jogadores titulares foram avisados, às 13h00 do dia 5 de julho (dia do jogo contra a Noruega), em uma reunião envolvendo o Sr. Samir Xaud (na única vez em toda a Copa em que o presidente da CBF saiu do isolamento imposto pela própria entidade e compareceu a uma preleção da seleção), o técnico Carlo Ancelotti, o Sr. Rodrigo Caetano, executivo de seleções, e o Sr. Ronald Rhovald, representante da patrocinadora Nike. Os jogadores reservas permaneceram em isolamento, em seus quartos ou no lobby do hotel. A princípio muito contrariados, os jogadores se recusaram a trocar o hexacampeonato mundial pelo fortalecimento do fundo soberano da Noruega.

A aceitação veio através do pagamento total dos prêmios, US$70.000,00 para cada jogador, mais um bônus de US$400.000,00 para todos os jogadores e integrantes da comissão, num total de US$23.000.000,00 (vinte e três milhões de dólares), pagos em coroas norueguesas convertidas pela empresa Nike. Além disso, os jogadores que renovarem contrato com a empresa Nike nos próximos quatro anos terão as mesmas bases de prêmios dos jogadores de elite da empresa, como o próprio Erling Haaland (da Noruega), Kylian Mbappé (da França) e Vinicius Júnior (também do Brasil). Mesmo assim, Neymar se recusou a entrar em campo, o que obrigou o técnico Ancelotti a mandá-lo para o banco, dizendo que o jogador estava com problemas na panturrilha esquerda (em primeira nota divulgada às 13h30 no centro de imprensa) e, logo depois, às 14h15, alterando o prognóstico para “questão de condicionamento físico”.

A sua situação só foi resolvida após o representante da Nike ameaçar retirar seu patrocínio vitalício ao jogador, avaliado em mais de US$90.000,00 (noventa milhões de dólares) ao longo da carreira — o que o fez aceitar entrar apenas aos 22 minutos do segundo tempo, já com o combinado em pleno andamento. Assim, combinou-se que o Brasil seria derrotado na etapa final. Cumprindo sua parte, Bruno Guimarães cobrou o pênalti aos 12 minutos exatamente no canto em que o goleiro Nyland já sabia que a bola iria, mantendo o placar zerado. A apatia que se abateu sobre os titulares fez com que Erling Haaland, que absolutamente não participou desta negociação, marcasse, em duas falhas simples da defesa brasileira, os dois gols noruegueses. Neymar, forçado a entrar, ainda descontou nos acréscimos — seu nono gol em Copas, igualando Ademir, Vavá e Jairzinho —, num último gesto de quem se recusava a entregar, mas recebeu cartão amarelo e “pouco acrescentou”.

As defesas de Alisson foram encomendadas apenas para dar verossimilhança ao espetáculo. O Sr. Gianni Infantino, presidente da Fifa, aplaudiu a colaboração da equipe brasileira, uma vez que a classificação inédita trouxe equilíbrio à Noruega num momento em que o país luta para saber onde investir os trilhões de coroas de seu fundo soberano e o quilo do salmão bate recordes. Consta, ainda, que o próprio presidente dos Estados Unidos, entusiasta declarado do torneio, teria comentado “sobre cartões” com a entidade momentos antes da partida. Garantiu, também, ao Sr. Samir Xaud que o Brasil teria seu caminho facilitado rumo ao heptacampeonato de 2030. Por gentileza, passem esta mensagem para o maior número possível de pessoas, para que todos possam conhecer a sujeira que ronda o futebol! Desde já agradeço. Um abraço. Gunther Schweitzer Jr. Central Globo de Jornalismo

Checagem

Para investigar a fundo as acusações e esclarecer o teor dessas postagens, estruturamos a apuração respondendo aos seguintes questionamentos: 1) O Brasil vendeu a partida contra a Noruega para a Fifa e foi divulgado o escândalo que todo mundo suspeitava? 2) Qual é o histórico desse texto de denúncia? 3) Essa mesma fake news já circulou em ocasiões anteriores no futebol?

Brasil vendeu a partida contra a Noruega para a Fifa e foi divulgado o escândalo que todo mundo suspeitava?

Não, o Brasil não vendeu a partida e nenhum escândalo real foi divulgado. A história inteira é uma absoluta invenção. Não há qualquer investigação em andamento por parte do Wall Street Journal, da Gazzetta dello Sport ou de rádios brasileiras sobre fraude no jogo contra a Noruega.

O texto apresenta todas as características clássicas de uma notícia falsa (fake news): tom alarmista, teoria da conspiração mirabolante envolvendo grandes corporações e governos, erros factuais, além do pedido explícito para ser repassado ao maior número possível de pessoas. Os dados sobre valores de prêmios, reuniões sigilosas às 13h e ameaças de perda de patrocínio vitalício no hotel da concentração são puramente ficcionais.

Qual é o histórico do texto que aponta que o Brasil vendeu a partida contra a Noruega para a Fifa e foi divulgado o escândalo que todo mundo suspeitava?

O texto é praticamente o mesmo que circula desde a Copa do Mundo de 1998, quando uma versão alegava que o Brasil teria vendido a final para a França. Na época, a mensagem mencionava Ronaldo, Nike, João Havelange e outros personagens daquele Mundial. Desde então, a estrutura da história passou a ser reciclada praticamente em todas as grandes eliminações da Seleção Brasileira. Os autores apenas substituem os nomes dos jogadores, dirigentes, adversários e patrocinadores pelos personagens do momento.

Na versão de 2026, foram incluídos nomes como Samir Xaud, Carlo Ancelotti, Gianni Infantino, Donald Trump, Erling Haaland e Rodrigo Caetano. Apesar das adaptações, a narrativa continua seguindo exatamente o mesmo roteiro conspiratório criado há quase três décadas. Ou seja, trata-se apenas de uma atualização de uma velha corrente da internet, sem qualquer base na realidade.

A mesma fake news já circulou anteriormente?

Sim, inúmeras vezes. A versão original dessa lenda urbana digital surgiu logo após a perda do título da Copa do Mundo de 1998 para a França. Naquela ocasião, o texto afirmava que o Brasil havia vendido a final por 23 milhões de dólares para favorecer a candidatura francesa e garantir a Copa de 2002.

Desde então, o mesmo esqueleto textual foi reciclado em praticamente todas as eliminações brasileiras. O boato reapareceu na Copa de 2014, afirmando que o FBI investigava a entrega do jogo para a Alemanha no trágico 7×1, uma tese que também foi amplamente desmentida por agências de checagem. Recentemente, a mesma estrutura de mensagem foi usada para alegar que o Brasil vendeu a partida contra a Croácia. Conforme detalhado em análises profundas sobre o fenômeno, o personagem Gunther Schweitzer e seu texto de ‘se as pessoas soubessem ficariam enojadas’ tornaram-se o maior patrimônio folclórico da desinformação esportiva nacional.

Conclusão

É falso que o Brasil vendeu a partida contra a Noruega para a Fifa durante a Copa do Mundo de 2026. A mensagem que voltou a circular é apenas uma adaptação de uma fake news histórica criada após a Copa de 1998. Não existe qualquer evidência de manipulação do resultado, pagamento aos jogadores ou participação de dirigentes, patrocinadores ou autoridades internacionais na eliminação brasileira.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)