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Não é verdade que satélite tenha revelado cidade submersa com mais de mil anos no Rio Amazonas

Cidade submersa do Amazonas com mais de mil anos é revelada por satélite, diz boato (Foto: Reprodução/YouTube)

Boato – Uma cidade submersa do Amazonas com mais de mil anos foi revelada por imagens de satélite e tecnologia LiDAR.

Análise

Recentemente, um vídeo de longa duração publicado no YouTube tem despertado a curiosidade de milhares de internautas ao redor do Brasil. As imagens, com tom documental e visualmente impactantes, narram o que seria uma das maiores descobertas arqueológicas de todos os tempos: a existência de uma cidade monumental submersa nas profundezas do Rio Amazonas. Segundo o relato, o local seria uma espécie de “Atlântida brasileira”, composta por estruturas de pedra perfeitamente geométricas e canais de drenagem sofisticados que teriam abrigado milhares de pessoas há mais de mil anos.

A narrativa ganha contornos de veracidade ao citar supostas tecnologias modernas, como o LiDAR subaquático, e mencionar expedições históricas de figuras renomadas, como o explorador Cândido Rondon. O conteúdo afirma que universidades estrangeiras e mergulhadores teriam confirmado a existência de uma praça central intacta no leito do rio, desafiando a cronologia oficial da ocupação da Amazônia. Leia:

A Cidade Submersa do Amazonas: O Segredo Revelado por Satélite Prepare-se para descobrir uma das histórias mais surpreendentes do Brasil! Neste vídeo do Curiosidade Insana, revelamos como estruturas monumentais com mais de mil anos estão submersas no Rio Amazonas, formando o que cientistas chamam de “a Atlântida brasileira” Descubra como tecnologia de satélite revelou uma civilização inteira debaixo d’água que reescreve tudo o que sabemos sobre a Amazônia pré-colonial.

Exploramos desde as primeiras imagens de sonar que detectaram padrões geométricos impossíveis no leito do rio, onde estruturas de pedra formam círculos perfeitos de até trezentos metros de diâmetro, até os mergulhos arqueológicos que encontraram cerâmicas, ferramentas e até vestígios de construções planejadas. Você vai se surpreender com a tecnologia LiDAR subaquático e a impressionante datação por carbono que prova: essa cidade tinha mais de dez mil habitantes quando a Europa ainda vivia na Idade das Trevas.

Revisitamos a expedição de mil novecentos e quarenta e dois do explorador brasileiro Cândido Rondon, que relatou “muros de pedra sob as águas escuras” perto de Santarém, a revolucionária descoberta de dois mil e vinte e um da Universidade de Exeter que mapeou mais de cinquenta estruturas submersas, e o chocante achado de dois mil e vinte e três, onde mergulhadores encontraram uma praça central intacta com canais de drenagem sofisticados. Qual dessas descobertas mais te impressionou? Você conhecia essa história? Deixe seu comentário abaixo e vamos debater! Se você é apaixonado por história do Brasil, descobertas arqueológicas e fatos que a escola não ensinou, este é o lugar certo!

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Checagem

Para verificar a veracidade dessa história, vamos responder às seguintes questões: 1) Cidade submersa do Amazonas com mais de mil anos é revelada por satélite? 2) Como foi feito o conteúdo que aponta que uma cidade submersa do Amazonas com mais de mil anos foi revelada por satélite? 3) A mesma teoria já circulou na internet?

Cidade submersa do Amazonas com mais de mil anos é revelada por satélite?

Não houve qualquer descoberta de cidade submersa por satélite ou sonar nos moldes descritos pelo vídeo. Embora a Amazônia possua, de fato, sítios arqueológicos valiosos e evidências de geoglifos (descobertos por LiDAR em áreas de floresta densa), a ideia de uma civilização estilo “Atlântida” debaixo das águas do Rio Amazonas carece de evidência científica. O uso do termo “LiDAR subaquático” para mapear cidades inteiras no leito lamacento do Amazonas é tecnicamente impreciso, dado que a sedimentação e a turbidez das águas do rio dificultam enormemente esse tipo de mapeamento óptico em larga escala.

Além disso, instituições como a Universidade de Exeter realmente realizam pesquisas na região, mas seus trabalhos focam em povos que habitavam a floresta e manejavam a terra de forma sustentável, e não em cidades de pedra submersas. Não existe registro oficial de tal achado em 2023, e as menções ao explorador Cândido Rondon são distorcidas para validar uma narrativa fantasiosa.

Como foi feito o conteúdo que aponta que uma cidade submersa do Amazonas com mais de mil anos foi revelada por satélite?

Ao analisar as características visuais e narrativas do vídeo do canal “Curiosidade Insana”, percebe-se claramente o uso de inteligência artificial para a criação de roteiro e imagens. As ilustrações mostradas não são fotografias reais de expedições arqueológicas, mas sim representações artísticas geradas por IA que misturam elementos de civilizações incas e maias com cenários subaquáticos irreais. Esse tipo de conteúdo é criado para gerar engajamento rápido por meio do sensacionalismo, utilizando termos técnicos para conferir um ar de seriedade a uma história ficcional.

A mesma teoria já circulou na internet?

Sim, essa história é uma reciclagem de teorias conspiratórias antigas e já refutadas. O enredo é muito semelhante ao mito de Ratanabá, uma suposta capital do mundo escondida na Amazônia que teria sido construída por uma civilização ultra-avançada. Assim como o caso de Ratanabá, a narrativa atual utiliza imagens de formações naturais e geoglifos reais para “provar” a existência de cidades perdidas. O Boatos.org já desmentiu teses parecidas no passado, demonstrando que tais “descobertas” não passam de invenções para atrair visualizações.

Conclusão

O vídeo que afirma a descoberta de uma cidade submersa de mil anos no Rio Amazonas por satélite é totalmente falso. Trata-se de uma peça de desinformação criada com auxílio de inteligência artificial, baseada em teorias conspiratórias como a de Ratanabá, sem qualquer respaldo da arqueologia oficial ou de instituições científicas citadas.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)