Ratanabá é uma cidade perdida na Amazônia que existe há milhões de anos e desperta o interesse estrangeiro por riquezas #boato

Boato – Foi descoberto o motivo do interesse estrangeiro pela Amazônia. É a cidade de Ratanabá, que foi criada há 600 milhões de anos, abriga riquezas e está soterrada.

Na última semana, um dos assuntos que mais chamou atenção da mídia no Brasil foi o desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. O caso trouxe à tona a questão da preservação da Amazônia. No meio deste quadro, uma história “justificando” o que teria ocorrido (e que já existe há algum tempo) começou a circular online.

Mensagens apontam para a descoberta de uma “cidade do tamanho de São Paulo” que teria abrigado uma civilização de 600 milhões de anos no meio da floresta amazônica. A cidade se chamaria Ratanabá e o interesse estrangeiro pela Amazônia se dá por conta das riquezas da região. Mais do que isso, já apareceu gente relacionando o desaparecimento de Dom Phillips com a cidade perdida. Leia algumas das histórias que circulam online:

Versão 1: RATANABÁ a cidade perdida da Amazônia…você sabia? Isso que as ONGs e países vizinhos querem…Ou você acha que estão preocupados com queimadas e desmatamento… Versão 2: URGENTE: Uma cidade maior do que a grande São Paulo está soterrada na Amazônia! A antiga civilização Ratanabá vai ser e já está sendo descoberta por cientistas e historiadores. O verdadeiro interesse por dezenas de homens poderosos na Amazônia, é muito mais complexo!!!

Versão 3: Ratanabá, é o nome da cidade subterrânea descoberta abaixo do solo da Amazônia. Dizem que sua dimensão é comparada a cidade de São Paulo e esconde MUITA riqueza, como esculturas de ouro e tecnologias avançadas primitiva de nossos ancestrais. #ratanabá Versão 4: #Ratanabá, a cidade perdida da Amazônia que esconde ‘a capital do mundo’ A teoria conta que a cidade futurista existiu há 450 milhões de anos e interligaria o mundo por meio de túneis subterrâneos

Ratanabá é uma cidade perdida na Amazônia que existe há milhões de anos e desperta o interesse estrangeiro por riquezas?

É tanta (des)informação que fica difícil focar em algo. Por isso, no texto de hoje vamos nos atentar em três pontos. 1) Não há provas (nem lógica, de acordo com o temos de conhecimento científico) de que a cidade existiu ou exista. 2) É falsa a tese de que o interesse estrangeiro é nas riquezas de Ratanabá. 3) O desaparecimento de Dom Phillips e de Bruno Pereira tem zero relação com isso.

Vamos começar pelo elementar: a teoria da cidade de Ratanabá não se sustenta. Para chegarmos à conclusão, resolvemos buscar por algumas informações básicas sobre ela.

De cara, descobrimos que, ao contrário da maioria das pesquisas arqueológicas sérias no Brasil, não há qualquer universidade envolvida no levantamento. Também não existe nenhum estudo acadêmico publicado e revisado por pares publicados em revistas de autoridade. Quem sustenta a existência da cidade é uma holding que sustenta diversas empresas. Além de “pesquisas”, há empresas associadas que lidam com materiais de construção, cosméticos e até criptomoedas.

Para piorar, o mesmo grupo trabalha com pesquisas que envolvem outras teorias não comprovadas. Uma delas é que aponta, ao contrário do senso científico, que a Terra não é redonda. Ela seria convexa. A teoria foi refutada por pesquisadores da UFRGS.

Uma das pessoas do grupo também defendeu a existência do ET Bilú. O ser sobrenatural foi tema de reportagem na mídia brasileira e de muitas piadas há cerca de 10 anos. Além de não se provar a existência do ser, a teoria também foi refutada por peritos.

Para piorar, a teoria que aponta para Ratanabá é derrubada por algumas informações que (pelo menos no momento) são de consenso científico. Uma delas é a que aponta que a civilização existiu na floresta há 600 milhões de anos. Só um detalhe: neste período não existia floresta amazônica e tampouco a Terra era ocupada por humanos (nem dinossauros existiam). Este biólogo publicou informações interessantes sobre o que havia na Terra na época.

Por fim, não há caráter comprobatório suficiente para assegurar a existência da cidade de Ratanabá. Até pesquisas que apontam para civilizações na Amazônia Boliviana que datavam de 500 a 1.400 e que foram publicadas na revista Nature ainda precisam ser desenvolvidas. O que diremos da história em questão?

Uma vez que a teoria em questão não tem lá muita credibilidade no meio científico (esse quadro pode mudar, mas é o de momento), pensar que “os estrangeiros” estão de olho e Ratanabá e que Dom Phillips “partiu em uma aventura” para conhecer a cidade é algo infundado.

Está claro que a campanha de preservação da Amazônia tem mais relação com que a chance de frearmos as mudanças climáticas e a emissão de gases do efeito estufa do que exploração de riquezas. E as matérias de Dom Phillips apontam para este sentido.

Resumindo: apesar de a existência da cidade de Ratanabá estar recebendo mais atenção do que deveria (tanto para desviar o foco do que importa como para maquiar informações sobre a Amazônia), não há qualquer prova da existência dela. Pelo contrário, algumas informações desafiam o que temos de contexto científico. Logo, quem defende a preservação da Amazônia (e está do lado da ciência) não quer saber dessa teoria da conspiração.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet