Secretaria de Educação de São Paulo retira termo “Antes de Cristo” de livros escolares #boato

Boato – Secretaria de Educação de SP aboliu menção à Era Cristã em livros didáticos para excluir o termo “Antes de Cristo” do material didático.

O ano de 2020 não está sendo fácil. Estamos entrando no mês de setembro e, até o momento, já vivemos uma pandemia, a passagem de um ciclone bomba, enchentes em diversas cidades, uma ameaça de chuva de gafanhotos e inúmeras mortes.

E se alguém ainda tinha esperanças de que as coisas poderiam melhorar, saiba que ainda temos uma eleição pela frente. Neste ano, as eleições municipais de 2020 vão ocorrer no dia 15 de novembro de 2020. A propaganda eleitoral está liberada a partir do dia 27 de setembro de 2020. Mas, no mundo das fake news, parece que o período eleitoral já começou.

De acordo com uma história que está sendo compartilhada nas redes sociais, a Secretaria de Educação de São Paulo teria abolido a menção à era cristã nos livros didáticos. Segundo a publicação, a Secretaria decidiu substituir os termos a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) pelos termos a.E.C. (antes da Era Comum) e E.C. (Era Comum). Ainda de acordo com a publicação, o movimento visa excluir Cristo da história e mostraria uma posição ideológica e não científica da Secretaria de Educação de São Paulo. Confira:

Versão 1: “ABSURDO. Secretaria de Educação do Estado de São Paulo Decide Abolir Menção a Era Cristã no Material Didático. QUEREM EXCLUIR CRISTO DA HISTÓRIA!”. Versão 2: “Atenção, Ministério da Educação – MEC! Governo do Estado de São Paulo/ Secretaria da Educação do Estado de São Paulo fazendo revisionismo histórico”.

Versão 3: “QUE ABSURDO, REVOLTANTE DEUS TEM QUE TOMAR CONTA A secretaria da Educação do Estado de São Paulo, substituiu as referências A.C (antes de Cristo) e D.C. ( depois de Cristo), por A.E.C (antes da era comum) e E.C. (era comum). A. alegação é que essa referência de Cristo é de origem cristã e existem outras religiões não cristãs e há também os ateus. Que os pastores, Padres, Pais e Mães tomem uma atitude com esses desmandos de pretensos professores que fazem parte da secretaria estadual da educação. Já está mais que na hora das pessoas terem atitudes. NÃO PRECISAMOS DO REVISIONISMO MARXISTA COMUNISTA DA PIOR ESPÉCIE DISFARÇADO DE PROGRESSISTA E DANDO PODER AO LADO OBSCURO E NEGRO DA CRIAÇÃO (O INFERNO)”.

Secretaria de Educação de São Paulo retira termo “Antes de Cristo” de livros escolares?

A história repercutiu nas redes sociais, como no Facebook, e está sendo usada, inclusive, como gancho para propaganda eleitoral antecipada de pré-candidatos a vereadores na internet. A publicação tem dezenas de reações, comentários e compartilhamentos e causou revolta. Porém, a história não é verdadeira!

Basta ler o texto para perceber que existe algo de errado na publicação. O que temos aqui é uma mistura de características de fake news comuns com fake news pró-políticos. Isso pôde ser visto nas eleições presidenciais de 2018, por exemplo. O título ou assunto principal, geralmente, tem um apelo sensacionalista e costuma ser bastante alarmista. Além disso, o título não costuma se sustentar.

Em geral, ele mostra uma informação distorcida ou fala sobre um assunto que, no final das contas, não aparece ao longo do texto. Nesse tipo de publicação também é possível observar o pedido de compartilhamentos e o apelo ao combate de uma suposta “ideologia” (esquerda ou direita) que estaria sendo implementada. Por fim, há os pedidos de compartilhamento para que “mais pessoas saibam”.

Vale ressaltar que informações falsas sobre ações de secretarias ou órgãos de Educação não são novidade. A equipe do Boatos.org já desmentiu algumas delas, como a que dizia que a Secretaria de Educação do Distrito Federal promoveu um curso obrigatório para professores ensinando como atrapalhar o governo Bolsonaro. Também o que dizia que a Prefeitura de Fortaleza teria criado uma cartilha que incentiva a sexualização infantil nas escolas e, por fim, a que apontava que o Ministério da Educação estaria distribuindo “kits gays” com livros sobre reprodução sexual nas escolas.

Se isso não bastasse, ao procurar pela história, descobrimos que a base de toda a história foi o vídeo de uma professora explicando o que é a Era Comum. No vídeo que fez a história viralizar, é possível ver a legenda “secretária de Educação de SP”.

Acontece que as mulheres que aparecem no vídeo não são secretárias de Educação de São Paulo, mas professoras. O vídeo, na realidade, faz parte do repositório de aulas online do Centro de Mídias de Educação de São Paulo, criado pela Secretaria de Educação para disponibilizar o conteúdo escolar de crianças e adolescentes durante a pandemia. O vídeo em questão, aparentemente, foi retirado do ar. As mulheres que aparecem nas imagens são duas professoras de História da rede pública.

Na oportunidade, a professora falava sobre as diversas nomenclaturas utilizadas para denominar o período conhecido como a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo). Alguns materiais seguem usando o padrão a.C e d.C. Entretanto, uma parcela de ferramentas educacionais já adotou a terminologia a.E.C. (antes da Era Comum) e d.E.C. (depois da Era Comum). A professora explicava sobre essa diferença, uma vez que o assunto pode gerar confusão nos alunos.

Em um determinado momento, a professora afirma que a Secretaria de Educação teria optado pela inclusão da nova nomeclatura nos materiais didáticos para explicar aos alunos a existência de outros termos para designar um mesmo período. Após toda a confusão, o secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares da Silva, publicou uma nota de esclarecimento, explicando que, na aula em questão, a docente, de fato, falava sobre a inclusão da terminologia. Além disso, reforçou que a Secretaria segue adotando como padrão o termo a.C e d.C e que a inclusão da nova terminologia não configura a exclusão da antiga nomeclatura. Leia nota publicada no site da instituição:

Os termos a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) são o padrão da Seduc para construção dos materiais didáticos, assim como nos livros paradidáticos e de literatura adquiridos para as unidades escolares e são os mais utilizados no Brasil.

Existem outras nomenclaturas que tem sido utilizadas para nominar os períodos a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo), que aparecem em publicações como, por exemplo, as da Revista Orácula ligada à Universidade Metodista ou na Revista da Sociedade Brasileira de Arqueologia.

Como o estudante poderá se deparar com nomenclaturas diferentes em outros textos durante sua trajetória acadêmica, é importante que eles tenham ciência da existência das mesmas. Juntamente com o questionamento, circula em redes sociais a explicação de uma docente a respeito da utilização destas terminologias. Nesse sentido, cumpre esclarecer que a aula em questão procura explicar essa distinção e não representa uma diretriz da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo que continua utilizando a terminologia a.C/d.C. como o padrão. Esta posição será reforçada com a equipe da secretaria.

Em resumo: a história que diz que a Secretaria de Educação de São Paulo teria abolido o termo “antes e depois de Cristo” dos livros didáticos é falsa! A Secretaria de Educação de São Paulo afirmou que incluiu a terminologia em aulas virtuais, porque a falta de ciência da existência da nomeclatura pode prejudicar os alunos. Ela afirmou que incluir a nova nomeclatura não significa excluir o termo já utilizado. Dessa forma, a Secretaria de Educação aponta que segue utilizando a nomeclatura a.C e d.C. para denominar o período antes e depois de Cristo.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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