Hacker do TSE vivia em casa de José Dirceu, que pagava o seu aluguel #boato

Boato – José Dirceu, ex-ministro do governo Lula, pagava aluguel da casa onde hacker do TSE e sua família moravam em Brasília. 

As fake news sobre as supostas fraudes nas urnas eletrônicas, que tem como pano de fundo a reivindicação pelo voto impresso, têm dado pano para a manga. E quem acreditava que o assunto se esgotaria em breve, se enganou.

Nas últimas semanas, a internet tem presenciado um verdadeiro boom de informações falsas sobre o tema. Com isso, a desinformação tem pego muitos desavisados de surpresa e feito muitas vítimas internet adentro.

Exemplo disso é a história de hoje. De acordo com ela, José Dirceu, o ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, teria alugado a casa onde o hacker do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) viveria. Segundo o texto, Dirceu também pagaria o aluguel do hacker mensalmente. Confira:

Versão 1: “Por que o hacker invasor dos sistemas do TSE residia num apartamento alugado por José Dirceu? Quanto mais mexe ,mais fede”. Versão 2: “Por que o hacker invasor dos sistemas do TSE residia num apartamento alugado por José Dirceu?”. Versão 3: Inacreditável, olha, você sabia as empresas Probank que faziam manutenção das urnas eletrônicas TSE eram de propriedade do prisioneiro José Dirceu/PT? Que Zé Dirceu/PT alugou e pagou 11 meses aluguel do Hacker que invadiu super computador TSE?

Hacker do TSE vivia em casa de José Dirceu, que pagava o seu aluguel?

A informação rapidamente se espalhou nas redes sociais, em especial, no Facebook e revoltou muita gente. Apesar disso, a história não é real. A explicação fica por conta da verdadeira identidade do “hacker do TSE” e pela falta de provas contra José Dirceu.

Na realidade, a história de hoje é a continuação de uma história que já foi desmentida aqui no Boatos.org. Na oportunidade, a história indicava que a empresa Probank, responsável pela manutenção das urnas eletrônicas, pertenceria a José Dirceu. Assim como apontamos no desmentido, a história é falsa, uma vez que a Probank não realiza trabalhos para o TSE desde 2006 e muito menos pertence a Dirceu.

Assim como naquela oportunidade, a história de hoje também é falsa. Assim como dissemos anteriormente, boatos sobre fraudes em urnas eletrônicas estão pipocando na internet. A quantidade foi tanta que até rendeu um especial sobre o assunto no Boatos.org.

Além disso, a história de hoje também apresenta as principais características de fake news, como o caráter vago, extremamente alarmista, os erros de português e falta de fontes confiáveis. Nesse sentido, também podemos destacar a acusação em forma de pergunta, que já foi usada em outras histórias falsas, como a que apontava que o carro do ex-deputado Jean Wyllys teria sido usado por Adélio Bispo no dia do ataque contra Bolsonaro.

Ao pesquisar por mais informações, descobrimos que, na verdade, o que ocorreu foi uma confusão de histórias diferentes. Os hackers suspeitos de invadir o sistema do TSE foram presos, respectivamente, em Portugal, em 2020, e em Uberlândia (MG), em 2021. Eles também são investigados por outros crimes, como a tentativa de invasão ao sistema do Tribunal Regional Federal (TRF).

Como é possível observar, nenhum dos dois morava em Brasília (DF), mas sim em Minas Gerais e em Portugal, fora do Brasil. Ao procurar por mais detalhes, descobrimos que o tal hacker de Brasília (DF) nada tem a ver com o TSE.

Na realidade, o tal hacker de Brasília é um homem israelense que foi preso durante uma operação do FBI e da Polícia Federal, em 2019, no condomínio Lago Sul, em Brasília (DF). O homem era suspeito de administrar um site na dark web para a prática de tráfico de armas e de drogas, contrabando e lavagem de dinheiro.

A casa onde o hacker morava com a família já havia sido alvo da Polícia Federal em 2015. Na época, a Justiça ordenou a prisão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, após investigações da Operação Lava Jato. Nessa reportagem do Jornal Nacional, exibida no dia 3 de agosto de 2015, é possível ver a fachada da casa durante a prisão de José Dirceu e perceber que se trata do mesmo imóvel. Entretanto, após a prisão, a família se mudou do local. Em 2017, quando José Dirceu deixou a prisão (onde estava desde 2015), o ex-ministro da Casa Civil se mudou junto à família para um apartamento em Brasília. Já a família do hacker, de acordo com as investigações, se mudou para o local em meados de 2018.

Em resumo: a história que diz que José Dirceu pagava o aluguel da casa do hacker do TSE é falsa! A história é uma verdadeira salada mista que mistura alhos com bugalhos. Os hackers suspeitos de invadir o TSE e vazar informações de milhões de brasileiros não moravam em Brasília (DF). Já o hacker de Brasília nada tem a ver com supostas invasões no sistema do TSE. Ele, que foi preso em 2020 após uma operação do FBI e da Polícia Federal, é suspeito de administrar uma página na dark web para a prática de tráfico de armas e drogas, contrabando e lavagem de dinheiro. A única coincidência com José Dirceu em toda essa história é que o ex-ministro da Casa Civil e sua família já moraram no mesmo imóvel. Entretanto, após a prisão de José Dirceu, em 2015, a família se mudou do local. Ou seja, a história não passa de balela. Até a próxima!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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