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Vídeo que aponta que China, Rússia e Irã salvaram a Venezuela e acabaram com a hegemonia dos EUA é fake criado por IA

China, Rússia e Irã salvaram a Venezuela e acabaram com a hegemonia dos EUA, diz boato (Foto: Reprodução/youTube)

Boato – A China, a Rússia e o Irã teriam salvado a Venezuela de um cerco econômico e acabado com a hegemonia do petrodólar dos EUA.

Análise

Nos últimos dias, uma narrativa de forte impacto geopolítico começou a circular com intensidade em plataformas de vídeo e redes sociais. O relato (que é feito em formato de vídeo de um influenciador no YouTube) descreve uma reviravolta dramática no cenário global, sugerindo que uma coalizão formada por China, Rússia e Irã teria agido decisivamente para proteger a Venezuela de pressões externas.

Segundo o conteúdo, essa movimentação teria resultado no abandono definitivo do uso do dólar nas transações petrolíferas venezuelanas, marcando o que muitos chamam de “o fim da hegemonia energética dos Estados Unidos”. O vídeo também aponta que, após episódios de instabilidade envolvendo o governo de Nicolás Maduro, o país sul-americano teria transferido toda a sua produção energética para o bloco liderado por Pequim e Moscou. Confira o texto que acompanha a publicação:

CHINA–RÚSSIA–IRÃ SALVAM VENEZUELA E ACABAM COM A HEGEMONIA ENERGÉTICA DOS EUA Após o sequestro de Maduro, Venezuela abandonou completamente o petrodólar e transferiu toda sua produção para China, Rússia e Irã através de sistemas de pagamento alternativos. Análise exclusiva de como Trump catalisou a própria destruição do sistema financeiro que tentava proteger.

A guerra energética americana saiu pela culatra de forma devastadora, acelerando a dedolarização global e criando o primeiro laboratório de economia pós-americana no hemisfério ocidental. Reportagem explosiva do epicentro da revolução geoenergética multipolar.

Transcrição: Bom dia, boa tarde, boa noite. Testemunhar algo que poucos analistas geopolíticos previram. A mais espetacular vingança energética da história moderna contra o império americano. Estou falando diretamente das refinarias de Puerto La Cruz, onde navios tanques chineses e iranianos carregam petróleo venezuelano vendido exclusivamente em yuanes e rius, enquanto navios da quinta frota americana assistem impotentes do horizonte, incapazes de interceptar o que representa a maior humilhação geoeconômica da hegemonia petrodólar em sete décadas.

Trump achava que sequestrar Maduro seria o cheque mate definitivo no grande tabuleiro energético global. O que ele não calculou é que estava jogando contra uma aliança sino russoiraniana venezuelana que já havia preparado há meses a resposta perfeita: transformar o sequestro presidencial no gatilho final para a guerra total contra o sistema financeiro ocidental. Em 72 horas, irmãos, presenciamos uma cascata de eventos que redefiniu para sempre o mapa energético planetário. A Venezuela não apenas sobreviveu ao golpe imperial mais brutal de sua história, ela emergiu como o epicentro da maior revolução petrolífera desde a criação do petrodólar por Henry Kissinger em 1973.

Checagem

A repercussão dessa história levanta questionamentos profundos sobre a estabilidade das relações internacionais atuais. Para esclarecer os fatos, vamos responder às seguintes perguntas: 1) China, Rússia e Irã salvam a Venezuela e acabam com hegemonia energética dos EUA? 2) Como foi feito o vídeo que aponta que a China, Rússia e Irã salvaram a Venezuela e acabam com hegemonia energética dos EUA? 3) Há outras fake news que usam indevidamente a imagem de Pepe Escobar?

China, Rússia e Irã salvam a Venezuela e acabam com hegemonia energética dos EUA?

Não houve tal movimento coordenado que tenha resultado na “salvação” imediata da Venezuela ou no fim do petrodólar conforme narrado. Embora a Venezuela possua parcerias estratégicas com esses países, a situação real é de intensa pressão diplomática e econômica.

Recentemente, inclusive, os EUA exigiram que a Venezuela rompa relações com China, Rússia e Irã, demonstrando que o conflito de interesses ainda está em curso e longe de uma resolução definitiva ou de uma “vitória” venezuelana. A China, inclusive, acusou os Estados Unidos de praticarem bullying após acordos sobre o petróleo. Portanto, a ideia de que o sistema financeiro ocidental ruiu em 72 horas na região não passa de um exagero sem base em dados reais do mercado financeiro global.

Como foi feito o vídeo que aponta que a China, Rússia e Irã salvaram a Venezuela e acabam com hegemonia energética dos EUA?

O vídeo em questão utiliza uma técnica de manipulação digital cada vez mais comum: o uso de imagens estáticas de analistas conhecidos combinadas com áudios gerados por Inteligência Artificial. No caso específico, canais do YouTube utilizaram a foto e a credibilidade do jornalista Pepe Escobar para narrar um roteiro fictício. O próprio Pepe Escobar denunciou publicamente que sua imagem e identidade estão sendo usadas indevidamente por esses canais para disseminar desinformação geopolítica, reafirmando que ele não é o autor daquelas falas ou análises.

Há outras fake news que usam indevidamente a imagem de Pepe Escobar?

Sim. O analista tornou-se um alvo frequente de canais que buscam monetização através de teorias da conspiração e “notícias bombásticas”. Recentemente, vimos circulações semelhantes sobre resistências heroicas em prazos recordes, como o caso de um vídeo que alegava uma resistência venezuelana em apenas 30 horas. Esses conteúdos seguem um padrão: usam vozes sintetizadas, trilhas sonoras dramáticas e nomes de jornalistas respeitados para dar um ar de legitimidade a fatos que não ocorreram na realidade.

Conclusão

O conteúdo que circula é fruto de uma manipulação digital que utiliza a imagem de um jornalista para validar uma tese geopolítica sem sustentação factual. Não houve o fim do petrodólar ou uma operação de salvamento nos moldes descritos; trata-se de um vídeo criado por inteligência artificial para enganar o público interessado em política internacional.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)