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É falso que navio do Irã levou duas ampolas de urânio que desapareceram da usina de Angra dos Reis

Navio do Irã levou duas ampolas de urânio que desapareceram da usina de Angra dos Reis, diz boato (Foto: Reprodução/TikTok)

Boato – Um navio militar do Irã atracado no Rio de Janeiro teria levado duas ampolas de urânio enriquecido que desapareceram da usina de Angra dos Reis. A operação teria sido acobertada pelo governo brasileiro e pela imprensa.

Análise

Em meio a conflitos globais, uma teoria conspiratória está sendo espalhada nas redes sociais, sugerindo que o Brasil teria permitido, de forma clandestina, o envio de urânio enriquecido ao Irã por meio de um navio militar que esteve atracado no país. A narrativa conecta a atracação da embarcação à suposta “desaparição” de duas ampolas de urânio da usina de Angra dos Reis, levantando suspeitas sobre o governo e a mídia brasileira.

De acordo com a história, o navio teria retirado material radioativo da usina e levado ao Irã, contribuindo para os avanços nucleares daquele país. Como “prova”, são citadas assinaturas isotópicas detectadas por um avião espião dos Estados Unidos e supostos relatórios confidenciais. A narrativa aponta omissão da imprensa e questiona a soberania nacional sobre o controle nuclear. Leia a transcrição do conteúdo que circula online:

O Urânio de Angra e o Navio do Irã. Em março de 2024, um navio militar do Irã atraca no Porto do Rio de Janeiro. A presença foi autorizada pelo governo brasileiro, mas o que chamou a atenção não foi a chegada, foi o silêncio. O navio permaneceu ali por vários dias, sem nenhum exercício conjunto, sem operação declarada, sem visitas oficiais abertas à imprensa. E aí começa a teoria.

Há poucas horas dali, na costa de Angra dos Reis. Duas ampolas de urânio enriquecido desaparecem da usina nuclear brasileira. São pequenas, seladas e altamente rastreáveis. E mesmo assim, sumiram. Nenhuma alerta, nenhuma câmera, nenhum funcionário punido. Internamente, o desaparecimento foi classificado como um desvio acidental de inventário. Mas então, um mês depois, o Irã anunciava avanços no seu programa de armamento nuclear. Fontes internacionais afirmam que o urânio usado tem traços semelhantes ao produzido no Brasil. Coincidência?

Ou uma trilha radioativa que ninguém quer seguir? Os Estados Unidos entram em cena. Um de seus aviões espiões, equipado com sensores de radiação de alta precisão. O WC -135 Constant Phoenix rastreia partículas de urânio entre Angra e a rota marítima. Até o navio iraniano. Oficialmente, nada foi divulgado. Mas relatórios vazados mostram que o avião identificou. Assinaturas isotópicas compatíveis com combustível enriquecido sul -americano. E então, a pergunta explode.

O Brasil cedeu, vendeu ou foi roubado? E se o governo não sabia? Quem autorizou a permanência do navio iraniano? Quem escondeu o desvio das ampolas? E porque o Brasil, que produz urânio somente para fins pacíficos, não investigou o sumiço? A teoria sugere que existe um elo oculto, um canal silencioso entre atores infiltrados no sistema energético brasileiro. E nações interessadas em tecnologia nuclear de forma ilegal. O navio iraniano não estava em missão diplomática. Estava recolhendo algo que já sabia onde estava.

A mídia calou. O governo silenciou. Mas o mundo observou. Hoje, analistas internacionais questionam. Porque o Brasil deixou um navio militar de um país sancionado permanecer tanto tempo? Porque justamente nesse período, o material sumiu. E o mais importante? Quem controla as fronteiras nucleares do Brasil? A história pode nunca ser contada oficialmente. Mas os rastros existem. O urânio saiu de Angra. O avião rastreou. O Irã avançou. Coincidência demais? Ou alguém trocou silêncio por algo muito mais radioativo do que dinheiro?

Checagem

O conteúdo, apesar de elaborado e conspiratório, não se sustenta diante dos fatos. Vamos responder a seguir às seguintes questões: 1) Navio do Irã levou duas ampolas de urânio que desapareceram da usina de Angra dos Reis? 2) Quais são os erros que inviabilizam a teoria? 3) O que o governo do Brasil falou sobre o assunto?

Navio do Irã levou duas ampolas de urânio que desapareceram da usina de Angra dos Reis?

Não. A alegação é falsa e não há qualquer prova de que o Brasil tenha entregue urânio ao Irã. A atracação do navio iraniano aconteceu em fevereiro de 2023, não em março de 2024 como afirma a teoria. Além disso, o desaparecimento de duas ampolas de urânio em Angra foi noticiado meses depois, sem qualquer relação direta com o episódio.

Quais são os erros que inviabilizam a teoria de que um navio do Irã levou duas ampolas de urânio que desapareceram da usina de Angra dos Reis?

Os erros são múltiplos: a data da atracação do navio está errada, o sumiço do urânio ocorreu muito tempo depois, e o volume envolvido era irrisório — conforme apuração do G1. Além disso, não há qualquer registro de relatório dos EUA confirmando rastreamento ou conexão com o Irã. Trata-se de uma narrativa semelhante a outras já desmentidas, como a que envolvia venda de urânio para a China ou acusações contra Lula.

O que o governo do Brasil falou sobre o assunto?

O governo federal já se posicionou oficialmente para desmentir a narrativa. Em nota publicada pela Secretaria de Comunicação, foi reforçado que o Brasil não vende urânio para uso bélico, não há qualquer investigação ou denúncia sobre o envio de material ao Irã e que as teorias são falsas e prejudiciais. Outros boatos similares envolvendo a temática já foram desmentidos anteriormente por veículos de checagem como o próprio Boatos.org.

Brasil não vendeu urânio para o Irã Também é falso que o país tenha vendido urânio para o Irã, como tem sido repercutido nas peças de desinformação. Empresas privadas não podem extrair e nem produzir material nuclear no Brasil. A Constituição Federal determina que “explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados” é uma competência exclusiva da União.

Conclusão

A história de que um navio do Irã levou duas ampolas de urânio da usina de Angra dos Reis é falsa. A narrativa se baseia em erros cronológicos, dados distorcidos e teorias conspiratórias. Nenhuma prova sustenta as alegações, que já foram desmentidas por autoridades e veículos especializados.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)