Médica funcionária do Instituto Butantan fala do perigo da vacina da febre amarela #boato

Boato – Em áudio, médica infectologista do Instituto Butantan diz que vacina não é segura. Funcionária diz que ela só é dada porque é melhor do que morrer de febre amarela.

O medo de uma epidemia de febre amarela vem aumentando no Brasil desde o maior surto da doença no país, que aconteceu no primeiro semestre de 2017. Logo após a epidemia do ano passado, as pessoas começaram uma verdadeira corrida aos postos de saúde em busca da vacina.

Na época, o governo liberou a vacinação apenas para pessoas que estivessem em contato ou morassem e trabalhassem próximas às zonas de risco. Mas, de acordo com um áudio que circula online, nem todos os profissionais da área da saúde concordaram com isso.

De acordo com o arquivo que está circulando nas redes sociais, uma médica infectologista do Instituto Butantan (de São Paulo) afirmou que os médicos não entendem sobre vacina e sempre ligam para ela a fim de perguntar sobre o assunto. Além disso, ela também diz que a vacina da febre amarela é perigosa e só é dada porque é melhor se vacinar do “que morrer da doença”. Confira:

Médica funcionária do Instituto Butantan fala do perigo da vacina da febre amarela?

Como muita gente sabe, a vacina tem, de fato, suas contraindicações. Porém, levar a sério essa história da médica funcionária do Instituto Butantan é, no mínimo, uma irresponsabilidade. O áudio apresenta muitas informações equivocadas e vamos te explicar o porquê. Continua lendo.

Antes de tudo, algumas ressalvas. De fato, nem tudo o que a mulher fala no áudio é mentira. De fato, a vacina da febre amarela é feita com um vírus atenuado (o vírus está vivo, mas não tem capacidade de produzir a doença), o que torna as reações adversas mais comuns do que nos casos onde a vacina é feita com o vírus inativo (quando o vírus é mantido inativo por agentes físicos ou químicos).

A mulher também lembra de algo importante e verdadeiro: se você está no grupo de risco, não deve se vacinar. Além disso, se você não está em zonas de risco ou não pretende viajar para algum desses lugares, também não há a necessidade de se vacinar.

Apesar das ressalvas, é preciso fazer o desmentido do áudio e o motivo é simples: ele apresenta muitas informações equivocadas que, se mal interpretadas (e é o que normalmente acontece), podem causar pânico desnecessário.

A primeira delas é a afirmação de que “os médicos não entendem de vacina”. Além desse comentário ser generalista, desmerece toda a classe médica. Vale lembrar que os casos de febre amarela são tratados e acompanhados por médicos infectologistas e, no mínimo, eles precisam entender sobre vacinas. Afinal, estudam e lidam diariamente com casos de doença justamente para isso.

Outro ponto importante que merece ser destacado no áudio é o modo como ela trata a segurança da vacina da febre amarela, afirmando ser muito perigosa. Isso não é fato (aliás, já falamos neste assunto aqui). Na realidade, somente 1 em cada 250 mil pessoas apresentam efeitos colaterais graves derivados da vacina.

É importante lembrar que a vacina é contraindicada para algumas pessoas, como idosos, crianças menores de 6 meses, gestantes e imunossuprimidos (pessoas com imunidade baixa). Quando o organismo está com o sistema imunológico em baixa atividade, ele não consegue estimular as células de defesa para criar anticorpos contra o vírus atenuado.

Agora, o ponto central. Muito provavelmente, esse monte informação recebeu um grande crédito, principalmente por ter sido atribuído a uma médica do Instituto Butantan. Entretanto, há dois detalhes aí que merecem uma análise mais profunda

O primeiro deles é que o Instituto Butantan, apesar de ser uma instituição de pesquisa muito conceituada no país, não é especializado na vacina da febre amarela. No Brasil, o instituto responsável pela fabricação da vacina é a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além de tudo, o próprio Instituto Butantan negou que qualquer funcionário da instituição tenha divulgado tais informações. Ou seja, a não ser que o áudio vazado tenha sido uma “gravação secreta”, ele não pode ser atribuído a nenhum funcionário do Instituto Butantan. Leia nota oficial:

“O Instituto Butantan esclarece que não produz a vacina contra a febre amarela e que não houve qualquer manifestação de seus profissionais, com autorização/conhecimento da instituição, em relação à esta vacina. Para tirar quaisquer dúvidas sobre a vacina de febre amarela, sugerimos uma consulta junto à página oficial da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo”.

Para encerrar de uma vez essa história, vale destacar que a “médica infectologista” do Instituto Butantan também foi tratada como “pesquisadora”, “médica”, “bióloga”, “bioquímica”, “especialista” e “funcionária” do Instituto Butantan em outras versões. Mais do que isso, sequer foi identificada pelo nome. Isso é típico de boatos online.

Resumindo: O áudio que circula online não veio de alguém do Butantan e não tem apenas “verdades absolutas”. Se você ainda tiver dúvidas sobre a vacina, consulte um médico, o posto de saúde do seu bairro, fontes confiáveis na internet. E claro: não acredite em qualquer coisa que circula pelas redes sociais.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 994325485.

12 comentários em “Médica funcionária do Instituto Butantan fala do perigo da vacina da febre amarela #boato

  • 30/01/2018 em 17:23
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    Eu mesmo já tomei essa vacina e não tive efeitos colaterais

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  • 29/01/2018 em 11:18
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    Uma vez que esse site combate mentiras, poderia selecionar melhor seus patrocinadores! Muita mentira!

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  • 29/01/2018 em 01:07
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    Boa noite, no Brasil, o instituto responsável pela fabricação da vacina é a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

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  • 28/01/2018 em 22:51
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    Ela ressalta sobre os efeitos colaterais a longo prazo. Há de se pensar!

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  • 27/01/2018 em 18:37
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    Mas por que a mulher, bem intencionada, que não fez o áudio oficialmente, de forma pública, com intenção de que viralizasse, que parece, simplesmente, estar dando dicas pra uma amiga ou familiar, mentiria?
    Pelo que entendi, quem recebeu, foi quem replicou, tb na boa intenção.
    Acho que temos é que ter bom senso: se não vamos pra uma área de risco, pra que tomar? Aliás, se estivesse programada pra ir, já abortaria a idéia, de pronto – afinal, pra que arriscar???

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  • 27/01/2018 em 13:15
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    Aproveito para solicitar à moderação do boatos org para melhorar o nível dos artigos, ao invés de ficarem produzindo boatos próprios! (tsc, tsc, tsc). E alerto que duas tentativas de envio de mensagens foram mal sucedidas. Acredito que seja necessário melhorar o mecanismo de mensagens (neste contexto inclusive, a restrição a copiar e colar é também contraproducente).

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  • 27/01/2018 em 13:12
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    Terceira tentativa de comentar: este artigo do boatos org é extremamente ruim. O áudio a rigor é correto, e recomenda o mesmo que o governo recomenda. Se precisar, tome a vacina. Se não precisar, não tome.

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    • 28/01/2018 em 19:12
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      Não é igual. O áudio é categórico em afirmar que as sequelas são inevitáveis o que é falso. Contabilizei 32 pessoas que tomaram a vacina ao longo dos meus 66 anos de vida. Nenhuma teve sequela. Isso se aproxima mais da proporção de 1 para 250 mil do que o texto alarmista da gravação

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      • 29/01/2018 em 00:57
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        Ruy, se eu pudesse eu responderia. Mas minhas mensagens não estão sendo encaminhadas. [email protected]

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  • 25/01/2018 em 10:58
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    Se os efeitos colaterais forem do vírus que esta na vacina (estando inativo, fragmentado atenuado,etcetcetc), e não dos componentes (como alergia à ovo). Significa simplesmente uma amostra BRANDA de como você ficaria se pegasse a doença real. Pois nessa o virus esta bem ativo

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  • 25/01/2018 em 10:11
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    Tudo bem não é um áudio oficial mas isso por si só não descaracteriza o texto! Não citar o nome pode ser que o autor queira se resguardar de alguma retaliação, muitas denuncias são anônimas e nem por isso são falsas !
    O Butantan não produz hoje a vacina mas pode já ter produzido o que não invalida o profissional que também pode conhecer colegas que trabalham no Instituo Oswaldo Cruz.
    Os argumentos não são tão fortes assim para descaracterizar o áudio e desacreditá-lo totalmente!

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