Boato – A pergunta “como matar uma mulher sem deixar rastros” teria sido feita 163 milhões de vezes no Google em 2025 segundo o Anuário de Segurança Pública.
Análise
Mensagens de alerta e publicações carregadas de indignação começaram a circular com força total nas redes sociais recentemente. O conteúdo traz um dado alarmante que atinge diretamente a percepção de segurança feminina no Brasil: a afirmação de que, somente no ano de 2025, o buscador Google teria registrado 163 milhões de buscas pela frase específica “como MATAR uma MULHER sem deixar rastros”. O texto ainda atribui a origem dessa estatística ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025.
A publicação se divide em dois formatos principais. O primeiro apela para a autoproteção e independência feminina como formas de defesa diante desse cenário hostil. O segundo foca na suposta precisão técnica, citando o anuário como fonte oficial para validar o número astronômico de pesquisas. Abaixo, você pode conferir o teor exato da mensagem que está sendo compartilhada:
Versão 1: Mulheres, se protejam! A pergunta “como MATAR uma MULHER sem deixar rastros” foi feita 163 MILHÕES de vezes no Google em 2025. Conhecimento e independência são formas de defesa. Versão 2: Dado do dia: “A pergunta “como matar uma mulher sem deixar rastros” foi feita 163 MILHÕES de vezes no Google apenas em 2025. Fonte: dados do anuário de segurança publica de 2025”
Checagem
Para esclarecer os fatos, vamos responder aos seguintes pontos: 1) O termo “como MATAR uma MULHER sem deixar rastros” foi pesquisado 163 milhões de vezes no Google em 2025? 2) Quantas vezes esse termo foi realmente buscado no Google naquele período? 3) E, por fim, se há fake news similares envolvendo o buscador.
Termo “como MATAR uma MULHER sem deixar rastros” foi pesquisado 163 milhões de vezes no Google em 2025?
Não, a informação não procede. Ao realizarmos uma busca minuciosa nos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que é a principal referência estatística do setor no país, não encontramos qualquer menção a métricas de pesquisas em buscadores de internet. O anuário compila dados de registros policiais, taxas de criminalidade e investimentos em segurança, mas não monitora o volume de buscas individuais no Google.
Além disso, o número citado é estatisticamente implausível. Para fins de comparação, 163 milhões de buscas representariam quase a totalidade da população adulta brasileira pesquisando a mesma frase exata múltiplas vezes. Não há qualquer registro oficial ou reportagem jornalística séria que corrobore essa informação vinda de órgãos de segurança.
Quantas vezes o Termo “como MATAR uma MULHER sem deixar rastros” foi pesquisado no Google em 2025?
Ao analisar as métricas reais através do Google Trends, ferramenta oficial que monitora tendências de pesquisa, observa-se que durante o ano de 2025 o termo não teve volume de busca suficiente para sequer gerar um gráfico de relevância. Em termos técnicos, isso significa que a procura foi baixíssima ou nula no período citado.
Curiosamente, os dados mostram um fenômeno comum em casos de desinformação: a busca pelo termo só apresentou picos de crescimento a partir do momento em que o boato começou a circular. Ou seja, as pessoas passaram a digitar a frase no buscador justamente para verificar se a história era real, e não com a intenção descrita na mensagem viral.
Há fake news similares a esta?
Sim, o Google é frequentemente alvo de boatos que atribuem ao buscador funções ou resultados que ele não possui. Já desmentimos, por exemplo, histórias que diziam que o buscador estava escondendo fotos de usuários sob o termo “Ankole”, ou que teria alterado sua logomarca para a palavra “Goolpe” em contextos políticos.
Outro caso clássico envolveu a manipulação de resultados de pesquisa para sugerir que o Google estaria favorecendo ou atacando candidatos específicos. Assim como no caso do suposto dado do anuário, essas histórias costumam usar nomes de instituições ou ferramentas conhecidas para tentar ganhar credibilidade sem apresentar provas reais.
Conclusão
Em suma, a alegação de que milhões de pessoas pesquisaram por métodos de feminicídio no Google em 2025 é infundada. O dado não existe no Anuário de Segurança Pública e as ferramentas de monitoramento de tráfego desmentem o volume de buscas alegado.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)

