Vacina contra Covid-19 é vendida por camelôs em Madureira, no Rio #boato

Boato – Camelôs de Madureira (bairro do Rio de Janeiro) estão vendendo e aplicando vacina falsificada contra Covid-19 em população.

Nos últimos dias, um assunto que tomou conta da internet (e desafiou a criatividade do brasileiro) foi a suposta vacina falsificada, contra a Covid-19, sendo vendida (e aplicada!) por camelôs na cidade de Madureira (RJ).

Muita gente ficou surpresa com a notícia e teve até quem desconfiasse se o brasileiro pudesse ter tanta criatividade e visão de negócio. Depois de tantas especulações (e publicações na grande mídia), a equipe do Boatos.org decidiu investigar essa história.

Tudo começou por volta do dia 20 de dezembro de 2020. Na internet, diversas publicações davam conta de que uma vacina falsificada contra a Covid-19 estava sendo vendida em camelôs, na cidade de Madureira (RJ), por R$50. As mensagens ainda traziam uma suposta foto do produto. Não demorou muito para a história se espalhar, começar a circular em sites locais e, em seguida, chegar na grande mídia. Por conta da enorme repercussão, a história passou a ser investigada pela polícia e até pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Confira:

Versão 1: “Tirei e recoloquei meus óculos de leitura por 5x, pessoal! No meu país, Madureira, os camelôs já estão vendendo a vacina pra combater o Covid-19.. Um galo e se quiser já sair com ela aplicada, paga 60 merréis! NASA é o caralho, porra! Nós somos os ‘inestudáveis’.. EU AMO O MEU PAÍS!!!”. Versão 2: “A vacina da covid 19 já está sendo vendida no camelô de Madureira. 50$”.

Vacina contra Covid-19 é vendida por camelôs em Madureira, no Rio?

A informação parou a internet! Nos últimos dias, a história viralizou, em especial, no Twitter e no Facebook, revoltando e divertindo muita gente. Porém, apesar da enorme repercussão, a história não procede!

Para descobrir toda a verdade por trás dessa história, fizemos uma espécie de engenharia reversa após sermos alertados pelo jornalista Marco Faustino, fact-checker do site e-farsas. Em seu perfil pessoal no Twitter, o jornalista explicou que a história foi publicada em um perfil no Facebook e amplificada por mídias locais no Rio de Janeiro até chegar na grande imprensa. O checador Marco Faustino também ressaltou que o perfil responsável pela publicação que fez a história ficar famosa apagou a postagem (o que se comprova quando procuramos pelo conteúdo).

Ao buscar por matérias mais recentes sobre o assunto, descobrimos que muitos veículos de comunicação acrescentaram uma citação da pessoa. Na citação, o usuário identificado como Jones MFjay teria dito que fez a publicação “mais para brincar com algo inusitado que teria testemunhado do que realmente levantar suspeitas de um crime”.

A mesma matéria destaca que a Polícia do Rio de Janeiro chegou a realizar uma ação em busca das supostas vacinas, mas não encontrou nada. Já outra reportagem na grande mídia aponta para outra hipótese (mais plausível) sobre o assunto: de que a história, na realidade, seja apenas fake news. De acordo com a rede CNN Brasil, a Polícia Federal recebeu denúncias sobre o caso, mas informou que, de acordo com investigações iniciais, a história se trata de uma informação falsa.

Além disso, o próprio jornalista Marco Faustino nos alertou que uma repórter do Rio de Janeiro (RJ) chegou a visitar o Mercadão de Madureira (RJ) apontado como local de comercialização da tal vacina falsificada contra a Covid-19. Após percorrer o local e conversar com os vendedores, a jornalista destacou que nenhum ambulante sabia da existência ou teria visto a suposta vacina ser comercializada no local. Ou seja, toda a denúncia se baseia em uma publicação de uma pessoa que, posteriormente e de acordo com matérias na grande mídia, teria feito a postagem como uma brincadeira.

Fazendo uma busca reversa por meio da ferramenta CrowdTangle, descobrimos que, antes de chegar no perfil do Facebook que amplificou a informação, a história foi publicada em perfis no Twitter. Como aponta essa matéria, o autor da primeira publicação sobre o assunto também negou que tenha sido “testemunha ocular”.

Em relação à imagem usada nas publicações, não encontramos a foto exata. Mas descobrimos que a embalagem do produto que aparece na imagem é bastante parecida com as embalagens que apareceram em publicações de brasileiros que tomaram a vacina em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Moradores do país começaram a ser vacinados contra a Covid-19, ainda em setembro, com o imunizante produzido pela farmacêutica Sinopharm. No Instagram, é possível ver algumas imagens durante esse momento aqui, aqui e aqui.

Em resumo: podemos cravar que a história que aponta que há uma vacina sendo vendida por camelôs em Madureira, bairro do Rio de Janeiro, não passa de um boato. Apesar de ter sido publicada em veículos de imprensa (alguns até fizeram uma retificação), a própria “fonte” da informação e a primeira pessoa que publicou o conteúdo na web já apontaram que “tudo não passou de uma brincadeira”. Apesar de não termos a imagem original, fotos similares de embalagens da mesma vacina circularam entre brasileiros de Abu Dhabi.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99458-8494.

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