Triplamente vacinados estão desenvolvendo aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) no Reino Unido #boato

Boato – No Reino Unido, pessoas que receberam as três doses da vacina (triplamente vacinados) contra a Covid-19 estão desenvolvendo aids

As fake news sobre as vacinas contra a Covid-19 têm tomado um rumo dramático nos últimos meses. Além da enorme quantidade de informações falsas sobre o assunto, os disseminadores de desinformação também são persistentes.

Com isso, diversos grupos em redes sociais são bombardeados todos os dias com informações falsas sobre os imunizantes contra a Covid-19. Se isso não bastasse, o próprio governo federal, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, também tem trabalhado na divulgação de informações falsas sobre a pandemia.

E prova disso é a história de hoje. De acordo com uma publicação que está sendo compartilhada na internet, pessoas que se vacinaram contra a Covid-19 e tomaram uma dose de reforço do imunizante estariam desenvolvendo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (aids), no Reino Unido. Ainda segundo a história, a mídia estaria tentando abafar o assunto, afirmando que se tratam de falsos positivos. Confira:

Versão 1: “Vai vendo, JB tinha razão, só q esta AIDS não é pelo HIV Triplamente vacinados estão desenvolvendo Síndrome da Imunodeficiência Adquirida em ritmo alarmante segundo dados do Governo do Reino Unido”. Versão 2: “Triplamente vacinados estão desenvolvendo Síndrome de Imunodeficiência Adquirida em ritmo alarmante, segundo dados do Reino Unido. Ao ver essa reportagem, me lembrei de que recentemente, na Austrália, indivíduos que tomaram [email protected] acusavam em seus exames como soropositivo, ou seja, portadores de SIDA (AIDS). A mídia logo tentou abafar dizendo que eram apenas “falsos positivos””. Versão 3: “Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) ou (AIDS) Então o Presidente tinha razão novamente!?”.

Triplamente vacinados estão desenvolvendo aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) no Reino Unido?

A informação viralizou nas redes sociais, em especial, no Twitter e no Facebook e fez sucesso em grupos negacionistas. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta da origem da informação.

Bem, tanto paciência quanto burrice e mau-caratismo tem limite. E não, não podemos dizer que essa enxurrada de informações falsas sobre as vacinas são resultado de um simples “eu não sabia”. Todos os dias, informações reais e de qualidade são veiculadas na mídia e na internet, por sites ou canais de divulgação científica. Dessa forma, não existe desculpa para quem compartilha fake news sobre a pandemia e as vacinas contra a Covid-19 a essa altura do campeonato. Não é falta de informação. É má-fé ou burrice.

Ao analisar a história, descobrimos que o texto tem como fonte uma teoria antiga, disseminada inclusive pelo presidente Jair Bolsonaro durante uma live presidencial. Na época, publicações em redes sociais apontavam que pessoas vacinadas estariam desenvolvendo aids. Algum tempo depois, outra história parecida começou a circular na internet. Dessa vez, a publicação apontava que um relatório do governo da Alemanha mostrou que as vacinas contra a Covid-19 causariam aids nas pessoas.

A equipe do Boatos.org desmentiu as duas fake news. E a explicação da história de hoje está nos dois desmentidos. Toda essa teoria (de que vacinas causam aids) surgiu em um site antivacina, no Reino Unido. Se isso não bastasse, os dados utilizados na publicação original são falsos (e foram inventados). Já o site que replicou a informação no Brasil não fica muito atrás. A página é conhecida por compartilhar informações falsas na internet.

E bem, não é preciso nem dizer que uma coisa não tem nada a ver com a outra, não é mesmo? A função da vacina é “ensinar” o nosso sistema imunológico a se defender do ataque de um invasor (nesse caso, do vírus SARS-CoV-2). Após se vacinar, seu organismo vai começar a desenvolver anticorpos contra o vírus e a doença. Com o tempo, a resposta imune contra a Covid-19 começa a diminuir e doses de reforço são necessárias, para fazer com que a lembrança do organismo contra o vírus seja fortalecida. Já a aids é uma doença que se desenvolve a partir da contaminação de uma pessoa pelo vírus HIV. A aids compromete o sistema imunológico, responsável pela defesa do corpo humano. Vale lembrar que nem todos os infectados pelo vírus HIV desenvolvem aids.

Por fim, é importante ressaltar que pessoas que se contaminam com a Covid-19 também desenvolvem uma imunidade contra a doença. Da mesma forma que ocorre com os vacinados, essa imunidade vai diminuindo com o passar do tempo. E isso não significa, em nenhum momento, que quem se contamina com a Covid-19 está com aids.

Em resumo: a história que diz que pessoas que se vacinaram e tomaram uma dose de reforço contra a Covid-19, no Reino Unido, estão desenvolvendo aids é falsa! A publicação se baseia em uma fake news que surgiu em um site no Reino Unido. A página, conhecida como disseminadora de informações falsas sobre vacinas, inventou dados falsos e criou a tese (absurda) de que as vacinas poderiam causar aids. Além disso, uma coisa não tem nada a ver com a outra. A aids se desenvolve a partir de infecção pelo vírus HIV. Já a Covid-19 ocorre a partir do vírus SARS-CoV-2. Por fim, as vacinas (assim como as infecções pela Covid-19) geram uma imunidade que vão decaindo com o tempo (e isso não quer dizer que as pessoas estão desenvolvendo aids). Ou seja, a história não passa de balela.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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