Boato – A Polícia Federal apreendeu 12 milhões de rótulos de bebidas falsas e a Anvisa recomendou que não se beba álcool por 15 dias.
Análise
A adulteração de bebidas alcoólicas com metanol é um problema real no Brasil, capaz de causar cegueira e morte. Aproveitando-se dessa preocupação legítima, um áudio que circula na internet busca dar veracidade a uma notícia falsa ao citar dados específicos e órgãos federais de fiscalização de alto prestígio. Já desmentimos a autoria. Agora, vamos falar do teor.
No áudio, atribuído ao “chefe de Toxicologia do Hospital João XXIII”, há a menção à apreensão de “12 milhões de rótulos falsos” pela Polícia Federal e a uma reunião com a Anvisa servem para simular uma ação de segurança de altíssimo nível, implicando que a ameaça é nacional e de grande escala.
O conteúdo aponta para uma drástica recomendação da Anvisa de se evitar o consumo de álcool por 15 dias, sugerindo um surto iminente de intoxicação. A seguir, o texto que viralizou e a transcrição do áudio em questão:
A PF apreendeu 12 milhoes de rotulos falsos. Sem dimensao da extensao. Isso sim é terrorismo, arma biologica sem antidoto. INTOXICAÇÃO Recebi o áudio abaixo avisando que, após reunião com polícia federal e Anvisa a instrução, a instrução é para no Brasil, não se ingerir bebida alcoólica nos próximos 15 dias. A polícia federal acabou de apreender mais de 12 milhões de rótulos falsos e não tem dimensão da quantidade de bebidas adulteradas. E avaliam que não tem tratamento disponível para a quantidade de casos de intoxicação que ainda vão aparecer. Estão esperando um surto, o tratamento envolve diálise e haverá dificuldade para atender todos os casos. Medicamento considerado padrão-ouro no tratamento da intoxicação não é vendido no Brasil; governo tenta importar em caráter emergencial. A Anvisa já consultou formalmente autoridades reguladoras internacionais sobre a autorização de comercialização do produto em seus respectivos países.
Gente, aqui o chefe da toxicologia do João 23 acabou de chegar aqui na sala e teve uma reunião com a ANVISA, com é, Polícia Federal e tudo. Ele é, tipo, ele é o coordenador do CIATOX de Minas, que é a referência nacional. E eles acabou de informar aqui que para a gente repassar para as pessoas que não é para fazer uso de bebida alcoólica qualquer nos próximos dias. tá? É, a Polícia Federal acabou de apreender mais de 12 milhões de rótulos falsos, tá? E não tem dimensão da quantidade de bebidas adulteradas que tem aí fora, e inclui destilados, cerveja, tudo, tá? É, além disso, ele também informou que o tratamento ele é muito restrito, tá? Ele é só, ele é feito com álcool 100%.
E não tem o Por conta de nunca ter tido tanta demanda, não tem tratamento disponível para quantidade de casos de intoxicação por metanol que vai aparecer por aí, tá? Então assim, é não só aqui no João 23, no Brasil inteiro, porque a produção é demorada, demora 15 dias para fazer envio e então ele falou que nesses próximos 15 dias vai ter um surto de caso de intoxicação por metanol. E que não é para fazer uso. Eu informei a ele que vai ter o internamento daqui a uma semana e ele falou que para repassar para a galera da faculdade toda para evitar de fazer os bibidalcoólicos no evento por conta disso, porque uma vez que tiver o surto não vai ter nem tratamento suficiente para lidar com todos os casos e é o tratamento além do álcool 100% que é um anti envolve diálise, para vocês terem noção, sabe? da gravidade da situação porque leva, é, provoca o mioide renal bem imediato assim, tá? Então, só deixando alertado a todos aí, se vocês quiserem encaminhar o áudio, fiquem à vontade, viu?
Checagem
A história que liga a apreensão da Polícia Federal e uma recomendação da Anvisa para não beber álcool por 15 dias foi desmentida oficialmente. O áudio é falso e se trata de uma invenção para criar alarde. Para desmantelar o boato, vamos checar as seguintes questões: 1) A Polícia Federal apreendeu 12 milhões de rótulos falsos e Anvisa recomendou não consumir bebidas alcoólicas por 15 dias? 2) O áudio que fala sobre apreensão da Polícia Federal de 12 milhões de rótulos falsos e recomendação da Anvisa é real? 3) Qual o status das investigações e recomendações no momento?
Polícia Federal apreendeu 12 milhões de rótulos falsos e Anvisa recomendou não consumir bebidas alcoólicas por 15 dias?
Não. A alegação é falsa. Não há registro oficial de uma apreensão maciça e recente de 12 milhões de rótulos falsificados pela Polícia Federal (PF) no contexto e na magnitude alegados no áudio. Embora a PF realize operações contra adulteração de destilados, como a “Operação Lacra”, que apreendeu milhares de garrafas, a menção a milhões de rótulos é um dado inventado para gerar terror e simular uma crise nacional. Além disso, a ANVISA e a Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) negaram a reunião e a recomendação de evitar o álcool.
O áudio que fala sobre apreensão da Polícia Federal de 12 milhões de rótulos falsos e recomendação da Anvisa é real?
Não. O áudio é falso e foi desmentido por todas as autoridades citadas. A própria ANVISA publicou um alerta oficial, acessível em seu Facebook, afirmando que: “A reunião citada no áudio NÃO aconteceu.” A FHEMIG, que administra o Hospital João XXIII, também confirmou que a voz no áudio não é do coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Minas Gerais (CIATox/MG), Dr. Adebal de Andrade, e que ele não fez tal recomendação.
Qual o status das investigações e recomendações no momento?
As investigações contra adulteração de bebidas são contínuas, com a PF e órgãos estaduais realizando operações e apreensões pontuais (mesmo que em escala maior).
É fato que haja uma recomendação de que evitem bebidas destiladas em que não se saiba a procedência (como mostra esta entrevista do ministro da Saúde Alexandre Padilha à CNN), mas não há uma recomendação generalizada de não se beber por 15 dias.
Conclusão
O áudio que circula sobre a apreensão de 12 milhões de rótulos falsos pela Polícia Federal e a recomendação da Anvisa de não consumir álcool por 15 dias é falso e uma invenção para causar pânico. Todas as autoridades citadas — Anvisa, Fhemig (Hospital João XXIII) e a Polícia Federal (indiretamente, pelo volume irreal da apreensão) — desmentiram o conteúdo, a reunião e o alerta generalizado. Os órgãos de saúde garantem que há tratamento disponível e que os alertas são emitidos de forma específica quando há risco comprovado.
Fake news ❌
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