Organismo vivo parasita “A Coisa”, de alumínio e carbono, é encontrado nas vacinas contra Covid-19 #boato

Boato – “A Coisa”, parasita que foi encontrado em vacinas contra Covid-19, é feito de alumínio e carbono e se alimenta de grafeno. 

Ao longo da pandemia da Covid-19, negacionistas e grupos antivacina foram dois dos personagens mais presentes por trás das fake news. Muito da desinformação sobre a Covid-19 foi amplificado ou patrocinado por esses grupos.

E se você acha que o trabalho dessas pessoas já acabou, está enganado. Nos últimos dias, uma história que começou a circular nas redes sociais apontava que as vacinas contra a Covid-19 teriam um organismo vivo prejudicial aos seres humanos.

Segundo a publicação, esse organismo seria um parasita chamado de “A Coisa”. Ainda de acordo com a história, “A Coisa” seria feita de alumínio e carbono e se alimentaria de grafeno (e esse seria o motivo do material estar sendo adicionado aos imunizantes). Confira:

Versão 1: “Um Cientista russo afirma que existe um novo modo de criatura com tentáculos feita de carbono e alumínio dentro dos vacinados. Segundo o cientista, às vacinas injetam os ovos e as criaturas se reproduzem dentro do sangue. Seria esta, a criatura de tentáculos vista nas vacinas da Moderna? O cientista está perplexo com o que viu e analisou. “O que está dentro dos vacinados é simplesmente aterrorizador”. Versão 2: “Contestem isto: @TJSPoficial Formas de vida dentro das vacinas ! #BioGenocideAgenda O juízo de DEUS será sem misericórdia para os amantes da “ciência” Demoníaca!”.

Versão 3: “Muitas pessoas já devem estar cientes da estranha “hidra” como o parasita que foi encontrado nas vacinas pela Dra. Carrie Madej e alguns outros pesquisadores / cientistas. O Dr.Franc Zalewski afirma ter encontrado uma forma de vida baseada em alumínio e carbono nas vacinas COVID”. Versão 4: “Dr. Franc Zalewski: Testou vários frascos da #Pfizer e encontrou um organismo parasita apelidado de “a coisa” “É por isso que o grafeno é adicionado às vacinas, que nutrem o ovo”, na verdade esse ser está latente e aguarda esse sinal que o ative para começar a viver #BioGenocide”.

Organismo vivo parasita “A Coisa”, de alumínio e carbono, é encontrado nas vacinas contra Covid-19?

A informação foi bastante compartilhada nas redes sociais, em especial, no Twitter, e se tornou um dos assuntos mais comentados entre os grupos antivacina. Apesar disso, a história não é real. A explicação fica por conta da falta de conhecimento (e noção) em Ciências do movimento antivacina.

Bem, o absurdo é tão grande que, sinceramente, é até difícil encontrar um caminho por onde começar. Como lembramos anteriormente, grupos antivacina e negacionistas já protagonizaram diversas histórias falsas na internet. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras (inúmeras mesmo!) delas. Além disso, toda a história se baseia em uma fonte não confiável. O conteúdo foi retirado de um blog com viés ultra religioso e que, frequentemente, publica fake news sobre as vacinas.

Pedimos para a biomédica e doutoranda em Genética Médica pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Giselle Bianco Bortoletto, analisar o vídeo que está circulando nas publicações. De acordo com ela, o amontoado de círculos grandes que aparece nas imagens são, claramente, células. Entretanto, não é possível afirmar se são células de sangue, pois além de não possuir coloração padrão, também não existem referências ou a informação de quantas vezes o material foi amplificado. Ainda segundo ela, a amostra pode até nem ser humana e, sem outras informações, não podemos afirmar nada sobre a amostra.

Ao analisarmos o vídeo da palestra que, supostamente, mostraria a “verdade” e explicaria como “A Coisa” funciona, logo percebemos se tratar de desinformação. O homem que aparece nas imagens é Franc Zalewski, que não tem ligação nenhuma com a área da saúde. O homem, na verdade, é doutor em Geologia pela Universidade da Silésia, em Katowice (Polônia).

Se isso não bastasse, a equipe do Boatos.org já desmentiu algumas informações da história de hoje. Em julho de 2021, a equipe do Boatos.org esclareceu a informação de que as vacinas contra a Covid-19 continham óxido de grafeno em sua composição. Na época, descobrimos que a história surgiu a partir de um estudo falso.

Já sobre a história do alumínio e do carbono, a Organização Mundial da Saúde (OMS) explica que as vacinas contêm uma pequena quantidade de sais de alumínio. Segundo a OMS, eles funcionam como adjuvantes, que teriam a função de melhorar “a resposta imunitária à vacina”. Como a OMS também explicou, o alumínio não faz mal à saúde, uma vez que já ingerimos alumínio diariamente por meio de outros materiais, como bebidas e alimentos. Esse tipo de adjuvante já vem sendo usado há décadas e não só não atrapalha, como também aumenta a resposta da vacina. Enquanto isso, o carbono está presente em tudo, desde a estrutura do nosso DNA até em fármacos.

Por fim, a história também foi desmentida pelo site Health Feedback, um espaço de ensino sobre Ciências e de divulgação científica. De acordo com eles, até hoje nenhum outro cientista conseguiu identificar uma forma de vida parecida com “A Coisa” em vacinas. Se isso não bastasse, o site ainda explica que nenhuma das listas de ingredientes dos imunizantes contra a Covid-19 indica que exista alumínio em suas fórmulas.

Em resumo: a história que diz que as vacinas contra a Covid-19 possuem um parasita chamado “A Coisa”, que é feito de alumínio e carbono, e se alimenta de grafeno é falsa! A informação não possui nenhuma lógica científica ou até mesmo bom senso, mostrando que o que falta de verdade para negacionistas e grupos antivacina são aulas de Ciências básica. As vacinas contra a Covid-19 não têm alumínio e mesmo se tivessem sais de alumínio, a substância não faria mal ao nosso corpo. Já o carbono é encontrado em todo o lugar, inclusive, na estrutura do nosso DNA. E essa história de grafeno na vacina surgiu (adivinhem só) de um estudo falso. Além disso, não encontramos “A Coisa” nos vídeos veiculados por aí e, se isso não bastasse, o homem que aparece no vídeo é doutor em Geologia, não em Medicina. Ou seja, a história não passa de balela!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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