OMS diz que doses de reforço da vacina contra Covid-19 pode danificar sistema imunológico #boato

Boato – A OMS atestou que a vacina é ineficaz contra a variante Ômicron e disse, ainda, que doses de reforço podem danificar o sistema imunológico.

Vocês se lembram daquela bobagem que o presidente Jair Bolsonaro disse sobre as vacinas causarem uma reação semelhante à aids nas pessoas. Por mais absurda e falsa que a informação seja (e isso foi mostrado pelo Boatos.org e, inclusive, relembrado na nossa retrospectiva das fake news), ainda há pessoas que insistem em teses similares.

Outro dia, uma notícia falsa apontava que relatórios da Alemanha denunciavam que as vacinas causavam aids. Hoje, mensagens que circulam em redes sociais apontam que as vacinas, de acordo com a OMS, “danificam o sistema imunológico” no caso de doses de reforço. O texto apontava, ainda, que essa seria a prova da ineficácia dos imunizantes contra a variante Ômicron. Leia o texto que circula online:

OMS E EMA DECLARAM: DOSES DE REFORÇOS PODEM DANIFICAR O SISTEMA IMUNOLÓGICO (mesmo assim os governos seguem firmes na inoculação em massa) Os especialistas da OMS, se pronunciaram sobre a estratégia de vacinação com reforços (boosters), alertando que contar apenas com essas doses atuais adicionais para se proteger das doenças graves pode ser uma estratégia insustentável a longo prazo.

Em outras palavras, a OMS atesta a ineficácia substancial do soro contra as mutações atuais, estimulando a produção de novos medicamentos. A Agência Européia de Medicamentos (Ema) juntou-se a OMS e alerta que o excesso de reforços deste “imunizante” pode levar a “problemas com a resposta imune”. Alguma surpresa?

OMS diz que doses de reforço da vacina contra Covid-19 pode danificar sistema imunológico?

Não demorou muito para afirmação se espalhar e ser interpretada de diversas formas por negacionistas. Só que há um detalhe: não é verdade que a OMS disse que o sistema imunológico das pessoas será prejudicado por causa de doses de reforço das vacinas contra a Covid-19.

O que houve na realidade foi a mistura de diversas informações reais que acabaram distorcendo alguns fatos. As bases para a tese em questão foram um artigo da Agência Ansa sobre o debate em relação a uma quarta dose, uma matéria do The New York Times sobre a quarta dose em Israel e uma do site Jerusalem Post.

Ao ler os artigos bases, podemos detectar uma distorção de conteúdo que dá a entender que as vacinas são ineficazes e prejudiciais. Não há nada disso nas fontes apresentadas.

Para começar, a OMS não falou que as vacinas podem danificar o sistema imunológico e que são ineficazes. Ao contrário, o texto da Ansa (que teve um trecho pinçado) começa, justamente, com uma fala que aponta que as vacinas “têm um alto impacto na prevenção de infecção e transmissão, bem como na prevenção de doenças graves e morte, são necessárias e devem ser desenvolvidas”. O que se quis dizer com isso?

1) As vacinas que foram aplicadas já protegem contra casos graves e mortes em relação à Covid-19 (como a variante Ômicron). Porém, a OMS pediu que, antes que sejam dadas mais doses de reforço (o debate não é sobre a terceira dose, apoiada por especialistas, e sim sobre uma quarta dose), as vacinas sejam atualizadas para proteger contra a Ômicron (este artigo da AFP publicado no UOL sobre a mesma fala da OMS é claro sobre isso).

2) Em nenhum momento, “especialistas da OMS dizem que as vacinas danificam o sistema imunológico”. Na realidade, houve uma atribuição de fala de uma fonte ouvida na matéria do NY Times à OMS. Porém, a pessoa que disse isso não é da OMS e, ainda por cima, não falou sobre “queda do sistema imunológico” no sentido entendido por alguns (como se fosse aids) e sim queda de proteção contra Covid-19.

3) O artigo não levou em conta o “outro lado do debate”, algo que foi apresentado pelo NY Times. Há, sim, especialistas que apontam que a melhor estratégia é dar a quarta dose da vacina. Isso garantiria um reforço na imunização em queda e teria alguma taxa de eficácia sobre a Ômicron. E, reforçando, a quarta dose não causa aids, queda de imunidade natural da pessoa ou transformaria você em jacaré, menino em menina ou causaria qualquer dano alardeado por negacionistas.

4) Não há qualquer sugestão de que não seja feita a terceira dose da vacina (algo mais relacionado à nossa realidade) e, muito menos, de que haja uma infecção em massa da Ômicron (que é uma ideia que não leva em conta de que muitas pessoas podem morrer por conta da estratégia). Vale lembrar que ontem mesmo escrevemos um texto que apontava que a tese de que “as vacinas matam mais que a Covid-19 ou que Ômicron” é falsa.

Resumindo: não é verdade que a OMS disse que doses extras de vacinas prejudicam o sistema imunológicos. A Organização Mundial da Saúde defendeu apenas que, antes de uma quarta dose, as vacinas sejam atualizadas. A pessoa que falou sobre “imunização” não se referiu ao sistema como um todo e sim sobre a proteção contra Covid-19 (que cai com o tempo e não é novidade). Por fim, o papo de que é melhor se infectar do que se vacinar é uma falácia, assim como a tese de que “vacinas são ineficazes”. Se não tivéssemos certa parte das pessoas imunizadas, o número de mortes com Ômicron (mesmo sendo uma variante mais fraca) seria maior. T

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet