Ivermectina causa infertilidade em 85% dos homens #boato

Boato – Estudo nigeriano aponta que Ivermectina causou infertilidade em 85% dos homens que usaram a substância.

Sem dúvida alguma, o remédio utilizado para o tratamento de parasitoses, conhecido como Ivermectina, foi um dos nomes mais marcantes ao longo da pandemia da Covid-19, no Brasil. E não foi por uma boa causa.

Diversos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, influenciados pelo próprio presidente, fizeram o uso da substância em uma tentativa para tratar a Covid-19. Apesar disso, dezenas de estudos científicos comprovaram que o medicamento não é eficaz contra a doença.

E nos últimos dias, uma história que está sendo compartilhada nas redes sociais gerou uma reviravolta no caso. De acordo com uma publicação, a Ivermectina foi responsável por causar infertilidade em 85% dos homens que utilizaram o medicamento. Segundo a mensagem, o resultado seria de um estudo nigeriano, publicado em 2011. Confira:

Versão 1: “Pelo menos o gado não vai se reproduzir”. Versão 2: “Recomendada por Bolsonaro como tratamento precoce da Covid-19, ivermectina causa infertilidade em 85% dos homens. Pesquisa apontam que 85% dos homens que usaram medicamento desenvolveram algum grau de disfunção reprodutiva e erétil”.

Ivermectina causa infertilidade em 85% dos homens?

A história rapidamente se espalhou nas redes sociais, em especial, no Facebook e foi amplamente compartilhada por opositores de Bolsonaro. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta do contexto ocultado nas publicações.

Como lembramos anteriormente, existem diversos estudos científicos sobre a relação entre a Ivermectina e a Covid-19. De acordo com os artigos publicados em revistas científicas de impacto (ou seja, de referência), a Ivermectina não é eficaz contra a Covid-19.

Já as histórias que citam estudos que comprovariam a eficácia do tratamento utilizam artigos retirados de contexto ou sem validação por pares (isto é, sem a revisão por outros cientistas, uma etapa necessária para validar o conhecimento científico).

E na história de hoje, temos um estudo que não comprova a história. Ao buscar pelo assunto em inglês, descobrimos que diversos veículos de comunicação e de divulgação científica internacionais publicaram textos criticando o estudo e também a história.

De acordo com a Reuters, uma checagem da Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, indicou que a infertilidade não é um efeito colateral conhecido da Ivermectina. Além disso, a Reuters entrou em contato com dois dos autores do artigo, mas eles não responderam o contato.

Já a revista Forbes destacou que 385 pacientes fizeram parte do estudo inicial, que pretendia avaliar a resposta da Ivermectina a uma doença chamada oncocercose. Entretanto, apenas 37 deles foram incluídos na avaliação final.

O site IFL Science, por sua vez, apontou que o artigo citado na história foi publicado na revista Scholars Research Library. O site destacou que a revista afirma ser revisada por pares. Entretanto, o IFL Science constatou indícios de que a revista, na verdade, se trata de um “jornal predatório” (isto é, um lugar onde não existe revisão, mas sim o pagamento de uma taxa para o trabalho ser publicado).

Por fim, o site WFLA informou que o lugar que fez a publicação original sobre a história acabou apagando a postagem. Segundo eles, os resultados do artigo não permitem concluir tal afirmação. Além do estudo apresentar problemas em relação ao método científico.

Em resumo: a história que diz que 85% dos homens que tomaram Ivermectina acabaram inférteis é falsa! O resultado é de um artigo científico nigeriano, publicado em 2011. Apesar disso, o estudo apresenta diversos problemas. De quase 400 homens analisados, apenas 37 deles foram incluídos nos resultados finais (isto é, uma seleção sem critérios científicos). Além disso, o artigo foi publicado em uma revista que apresenta indícios de “jornal predatório”, isto é, se você pagar uma taxa, seu trabalho será publicado (mesmo que não atenda os critérios científicos). Por fim, o lugar que fez a publicação original da história acabou retirando o texto do ar. Ou seja, a história não passa de balela.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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