Hospitais Albert Einstein está com 700 pacientes com coronavírus, Sírio-Libanês com 1400 e devemos estocar comida #boato

Boato – Os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês estão lotados por causa do coronavírus. Os complexos hospitalares estão escondendo informações sobre a situação, mas devem soltar tudo no dia 23 e terá um caos tremendo. Precisamos estocar comida!

A pandemia do novo coronavírus e o aumento de casos relacionados à doença têm trazido caos à população nos últimos dias, ainda mais com a quantidade de fake news que estão surgindo para colocar ainda mais “lenha na fogueira”.

Desta vez, um áudio que começou a circular no WhatsApp e que tem preocupado muitas pessoas dá conta de que os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, duas casas de saúde de grande porte no Brasil, estariam lotados por causa do coronavírus. O Einstein estaria atendendo 700 pacientes com o novo coronavírus e o Sírio-Libanês “o dobro disso”.

De acordo com a mulher que fala no áudio, os estabelecimentos estariam escondendo informações sobre a situação a pedido do governo, para não trazer ainda mais caos, mas que um deles, o Albert Einstein, deverá soltar tudo no dia 23 de março.

Com isso, supostamente, a recomendação é de que todo mundo vá aos supermercados para estocar comida e materiais de higiene, pois, após o dia 23, a situação poderia ficar desesperadora. Confira, a seguir, a transcrição completa do áudio que está sendo compartilhado:

Mensagem: GENTE URGENTE DIVULGUEM COMPARTILHEM Hospital Albert Einstein está com mais de 700 pacientes com #CoronaVirus sendo 100 na UTI no Sírio Libanês a situação está o dobro e o Governo está escondendo isso… #Urgente #Compartilhem

Transcrição: “Oi, família! Tudo bem? Então, a minha amiga Talita acabou de me ligar. É que o marido dela trabalha na Bio, que é um laboratório que faz o transplante dos órgãos que serão transplantados tanto pra atendimento do Sírio Libanês, Albert Einstein, São Luís… Esses hospitais de grande porte. E que o São Luís, o Einstein e o Sírio-Libanês fizeram uma proposta para a empresa para transferir os pacientes que estão com coronavírus. E aí ofereceram uma baita de uma proposta e ela falou: “Ah, tudo bem, mas eu quero que vocês me falem a realidade dos casos, até porque eu tenho funcionários. Esses funcionários tem família. Preciso saber dos riscos que eles vão correr”.

E aí ela teve ontem uma reunião com o pessoal do Einstein e do Sírio Libanês e eles falaram que, por ordem do governo, eles estão escondendo a quantidade de infectados e a realidade dos fatos. Por quê? Porque se eles soltarem isso, vai trazer um caos muito grande para a população. Mas, devido ao crescimento diário e absurdo dos casos, o Einstein deu um prazo para o governo até o dia 23. Por isso que todas essas escolas pararam, deram prazo para o dia 23. Por quê? Porque foi o prazo que o Einstein. E se até o dia 23 o governo não tomar nenhuma providência, não tiver nenhuma iniciativa, eles vão jogar, entre aspas, a merda no ventilador e aí vai ter um caos tremendo entre a população. Tanto que as próprias donas dispensaram todos os funcionários. Todos.

Preferiram perder dinheiro a colocar em risco a vida dos funcionários e a dos familiares. Perderam dinheiro. Antecipou o salário dos funcionários por dois meses e dispensou todos. Todos, todos, todos, a partir de amanhã, não vão trabalhar mais. E, consequente a isso, até elas falaram: “Vocês vão no mercado. Façam um estoque de comida básica, material de higiene”, porque, a partir do dia 23, a hora que eles soltarem essa informação, a situação vai ficar desesperadora. Então, por gentileza, vão, tomem providência, comprem os seus alimentos e fiquem em casa, porque a situação está muito feia. Eles falaram que o diretor do Einstein pegou e falou para ela (o do Einstein e do Sírio-Libanês que estavam na reunião) que no Albert Einstein, hoje, na UTI, em situação de vida e morte, tem mais ou menos 100 pessoas.

Total de internados no Albert Einstein com coronavírus, aproximadamente, 600 à 700 pessoas. No Sírio-Libanês, a situação está o dobro. Então, isso nesses dois hospitais de grande porte. Imagina no restante? E eles estão escondendo, tendo em vista que a saúde pública não tem estrutura e as empresas estão forçando o governo a manter a situação abafada. Então, pessoal, se preparem. Compre tudo que tiver de comprar para poder, no dia 23, a hora que a situação for jogada no ventilador, vocês estejam precavidos sabendo que vocês estão salvaguardados com alimento em casa. Sem contar que elas falaram que a previsão para parar com a multiplicação de casos do coronavírus, o diretor do Albert Einstein falou que vai ser de, aproximadamente, se tiver um bom controle, de três a quatro meses.

Então, de três a quatro meses, se a pessoa tiver condições financeiras para comprar alimento nesse período, ótimo. Se não, compra o máximo de dias possível para tentar ficar em casa, porque a situação realmente está feia. Tá bom, pessoal? Propaga essa informação para todo mundo. O amigo da minha amiga trabalha na Bio, que faz o transporte de órgãos para serem transplantados do Sírio, do Albert Einstein e do São Luís. Tanto que até o transporte internacional de órgãos foi fechado, porque até os aeroportos do Brasil estão dando prazo para poder fechar as atividades. Tá bom, pessoal? E agora é guardar alimentos”.

Hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês estão lotados por causa de coronavírus e devemos estocar comida?

Obviamente, o áudio viralizou e deixou muitas pessoas desesperadas com a situação que supostamente poderá vir a acontecer a partir do dia 23, quando as duas maiores casas de saúde do país liberarem a informação sobre a suposta superlotação de pacientes com Covid-19. Mas será mesmo que os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês estão lotados por causa do coronavírus e devemos estocar comida? A resposta é não! E o porquê você vai saber detalhadamente a seguir.

Para começar, a mensagem do áudio carrega todas as características de boatos online: é alarmista, possui erros de português e não cita fontes confiáveis que possam confirmar o que está sendo dito. Ou seja, uma verdadeira teoria da conspiração.

Em segundo lugar, por se tratar de uma informação forte, ela careceria de provas. No entanto, ao procurarmos qualquer informação a respeito (apesar de sabermos da gravidade do novo coronavírus), nada encontramos. Ao contrário disso, os números de pacientes citados no áudio estão totalmente contrários aos boletins divulgados pelos dois hospitais.

Inclusive, a Folha de S. Paulo fez uma apuração sobre o assunto. Ao falar com o hospital Albert Einstein, a informação foi negada. De acordo as informações passadas ao jornal pela casa de saúde, atualmente, o hospital possui sete pacientes com o novo coronavírus na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), 21 pacientes internados com diagnóstico confirmado da doença e outros 24 com suspeita de infecção pelo Covid-19. Isto é, não chega nem perto dos 100 pacientes internados com o coronavírus, como diz a mulher no áudio.

Da mesma forma, o hospital Sírio-Libanês também desmentiu a possibilidade de superlotação por causa do novo coronavírus ao site de notícias G1, da Globo. Segundo a assessoria, ao contrário do que é afirmado no tal áudio, o complexo hospitalar nem mesmo poderia suportar a quantidade de pacientes mencionada, uma vez que o local possui apenas 474 leitos, o que significa que seria impossível abrigar de 1.200 a 1.400 pacientes internados, como foi dito.

Bio Transportes, empresa citada na mensagem falsa, também negou a informação, esclarecendo que tampouco se trata de um laboratório de transporte de órgãos, como diz a mensagem do tal áudio:

“Nota de Esclarecimento: Em virtude da fakenews recentemente divulgada via áudio através do aplicativo whatsapp envolvendo o nome da Bio Transportes, nos sentimos na obrigação de esclarecer que estamos adotando todas as recomendações determinadas pelo Ministério da Saúde e continuamos com nossas atividades normalizadas. A Bio Transportes é uma empresa courier especializada no transporte nacional e internacional de amostras biológicas (origem animal, humana e vegetal), correlatos, medicamentos, produtos termo lábeis, reagentes e documentos, temos como princípio basilar a ética, o profissionalismo, a verdade e a boa-fé. Ao contrário do divulgado, a Bio Transportes não é um laboratório, nem faz transporte de pessoas ou órgãos à serem transplantados, também, não há recomendação para seus colaboradores ficarem em casa, nem para estocar alimentos. Esclarecemos que todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas para identificar e responsabilizar as pessoas envolvidas na divulgação Fakenews. Por fim, a Bio Transportes não concorda com a divulgação de informações anônimas que visam apenas causar tumulto, alarmismo e que tem alto potencial lesivo a população e à paz social. Guilherme Vaz – Departamento Jurídico – Bio Transportes”.

Além disso, é incorreta a informação dita no áudio de que as pessoas devem estocar alimentos em momentos de crise, como este causado pelo novo coronavírus. O pedido feito no tal áudio pela mulher vai contra o que orientam especialistas e economistas, já que o consumo desenfreado de mercadorias (em grandes quantidades) pode gerar desabastecimento e, consequentemente, o aumento de preços mais para frente, prejudicando principalmente pessoas de baixa renda, as que não podem sair de casa devido à propagação do Covid-19 (grupos de risco), tais como idosos e grávidas, além de pessoas com mobilidade reduzida. Devemos colocar a coletividade em primeiro lugar neste momento.

Resumindo: O áudio que diz que os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês estão lotados por causa do coronavírus e que, por isso, nós devemos estocar comida não é verdadeiro. Os números de pacientes internados por causa da doença citados estão incorretos, além de que estocar comida não é o mais recomendado neste momento de crise.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99177-9164. 

Confira a lista de todas as fake news sobre o novo coronavírus

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