H1N1 (gripe suína) mata mais do que a Covid-19 (novo coronavírus), provam números #boato

Boato – Comparação mostra o quanto a mídia esquerdista manipula a sua vida. Enquanto a gripe suína (H1N1), tratada como resfriadinho pela mídia, matou 2.101 pessoas, a Covid-19 (novo coronavírus) matou “só 18” e é tratada como apocalíptica.

Vamos começar o texto de hoje com uma sugestão de leitura. Escrito em 1954 pelo norte-americano Darell Huff, Como Mentir com Estatística é uma espécie de guia que alerta sobre como é fácil manipular os números para sustentar uma informação falsa. É justamente isso que é feito em um texto que está circulando na internet com o intuito de minimizar os riscos da pandemia do novo coronavírus.

De acordo com a mensagem, a prova de que a “mídia está mentindo” está no número de casos e mortes do novo coronavírus. Uma comparação entre a pandemia do novo coronavírus de 2020 e do H1N1 (em 2009) mostraria que a gripe suína foi muito mais mortal do que a Covid-19.

A mensagem aponta que a mídia tratou o H1N1 como resfriado enquanto o vírus vitimou 2.101 pessoas em 2009 e que a mídia está tratando o novo coronavírus como apocalíptico enquanto “só” 18 morreram. Leia a mensagem que circula online:

BOLSONARO/2020 Covid-19: coronavírus Casos no Brasil: 1.209 Mortes: 18 Nível de pânico: apocalíptico LULA/2009 H1N1: gripe suína Casos no Brasil: 68.549 Mortes: 2.101 Nível de pânico: é só resfriado Entenda como a mídia esquerdista manipula sua vida. A realidade é distorcida a todo momento para benefício de um grupo!

Números provam que H1N1 (gripe suína) mata mais do que a Covid-19 (novo coronavírus)?

A mensagem se espalhou com muita força na internet, principalmente entre seguidores (apenas os mais fanáticos) das palavras do presidente Jair Bolsonaro. Mas será mesmo que essas estatísticas provam que o H1N1 mata mais do que a Covid-19? E será que a mídia tratou com desdém a pandemia de 2009? A resposta é não. Calma aí que a gente explica tudo para vocês.

A mensagem por si só já é digna de desconfiança. Isso porque ela tem algumas das principais características de boatos online. Ela é vaga, alarmista (com um “quê” apelativo ao tentar desacreditar a mídia) e não cita fontes confiáveis. Foi com essa desconfiança que começamos a nos atentar a detalhes da mensagem. De cara, já achamos alguns erros e muitas distorções.

O primeiro erro está no número de casos e mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil. Como os números disparam a cada dia, o certo seria falar que temos 2.433 casos e 57 mortes no país e não 1.209 casos e 18 mortes (números de apenas cinco dias atrás).

Os números de casos do H1N1 também estão errados. Enquanto a mensagem fala em 68.549 casos e 2.101 mortes em 2009, o número correto é em 2009 é de 50.483 casos e 2.060 mortes. Se somarmos 2009, 2010 e 2011, o número é de 51.636 casos e 2.194 mortes.

Os erros não param por aí. Outro erro na mensagem está em apontar que a mídia tratou a gripe suína como um “resfriadinho”. Vamos relembrar algumas manchetes da época do surgimento da pandemia: “Mundo tenta se organizar para evitar pandemia da gripe suína”, “Gripe H1N1 pode matar muito rápido, dizem pesquisadores” e “México vive o caos com a gripe suína”. Ou seja: a mídia não minimizou o problema.

Agora, vamos ao erro principal. Por mais que os números absolutos (que estão errados, por sinal) do H1N1 sejam maiores do que os do novo coronavírus, eles não provam que a gripe suína “mata mais” do que a Covid-19. Enquanto os números do H1N1 são relativos a toda pandemia, os dados sobre o novo coronavírus são apenas dos primeiros dias em um cenário no qual o pico nem chegou ao Brasil.

Uma comparação honesta é a que foi feita pelos serviços de fact-checking Fato ou Fake (do G1) e Aos Fatos. Ambos pegaram os números do primeiro mês do H1N1 e chegaram ao número de 627 casos e nenhuma morte. Em 28 dias, o Brasil teve, como falamos, 2.433 casos e 57 mortos. Precisa dizer mais alguma coisa?

Resumindo: a mensagem que está circulando na internet é falsa. Os números estão errados, a correlação é espúria e, ao contrário do que aponta a mensagem, o H1N1 não foi tratado como “uma gripezinha” em 2009.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99177-9164. 

Confira a lista de todas as fake news sobre o novo coronavírus

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

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