Fenilpropanolamina está em medicamentos antigripais do Brasil #boato

Boato – A Anvisa acabou de proibir a fenilpropanolamina no Brasil. O grande problema é que a substância está presente em diversos antigripais no país.

Seguindo a saga de desmentir notícias falsas que, mesmo tendo sido desmascaradas, voltaram a circular na internet, vamos falar de uma história que envolve uma suposta substância que teria sido proibida pela Anvisa: a fenilpropanolamina.

De acordo com uma mensagem que circula faz tempo online, um médico chamado Maurici Aragão Tavares teria feito um alerta. Ele teria falado que, mesmo com a substância (chamada na mensagem de fenilpropalamina) tendo sido proibida, diversos antigripais do Brasil a contém. A lista teria 22 remédios. Leia a mensagem que circula online:

Medicamento proibido U R G E N T E – RISCO DE MORTE. Por favor, divulguem. O Ministério da Saúde através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, suspendeu por meio da Resolução 96, a fabricação, distribuição, manipulação, comercialização e armazenagem de medicamentos com o principio ativo denominado FENILPROPALAMINA.

A medida foi tomada depois que a ‘Food and Drug Administration’, (FDA), dos Estados Unidos, constatou que a substância vinha provocando adversos FATAIS em usuários americanos (hemorragia cerebral). No Brasil a suspensão é preventiva, uma vez que não existem casos relatados. A FENILPROPALAMINA está presente em 22 medicamentos, especialmentenos anti-gripais. Os medicamentos suspensos são os seguintes:

1) Bernadryl dia e noite. 2)Contac 3) Naldecon Bristol 4) Acolde 5) Rinarin Expectorante 6) Deltap 7)! Desfenil 8) HCl de fenilpropalamina 9)Naldex 10) Nasaliv 11) Decongex Plus 12) Sanagripe 13)Descon 14)Descon AP 15) Descon Expectorante 16) Dimetapp 17) Dimetapp Expectorante 18)Ceracol Plus 19) Ornatrol 20) Rhinex AP 21) Contilen 22)Resfenol, Cimegripe, Multigrip.

Solicito, pois, a todos que estejam utilizando qualquer medicamento da lista acima, que suspendam a medicação e procurem o seu médico para maiores detalhes. Atenciosamente, MAURICI ARAGÃO TAVARES – Médico do Trabalho. CRM.SP.33006 *** POR FAVOR REPASSEM.**

Fenilpropanolamina está em medicamentos antigripais do Brasil mesmo após ter sido proibida?

É claro que uma mensagem como essa, ainda mais com o alerta de um médico, chamaria muita atenção na internet. Mas será mesmo que essa história que aponta que os medicamentos brasileiros estão com uma substância proibida é real? A resposta é não. Calma aí que a gente explica tudo para vocês.

Essa informação já foi desmentida pelo Boatos.org lá em 2016. Na época, explicamos que, de fato, a fenilpropanolamina havia sido proibida no Brasil em 2000. Porém, não estava mais presente em remédios no Brasil (e não está). Relembre o que escrevemos na época:

Realmente, a fenilpropanolamina acabou sendo proibida no Brasil no ano de 2000. Este aviso da Anvisa aponta a suspensão dos medicamentos (justamente os que estão na lista com exceção de Resfenol, Cimegripe, Multigrip. Esses devem ter sido colocados na listagem para dar “atualidade” a história). Porém, a própria agência teve que esclarecer em 2004 que a substância já não fazia parte dos medicamentos brasileiros.

Vamos calcular. Da proibição da fenilpropanolamina até hoje já se passaram 16 anos. Ou seja, tempo suficiente para todos os remédios com o princípio ativo vencerem ou se esgotarem. Posso afirmar que é impossível alguém “tomar” por engano um remédio com a substância. A não ser que tome um medicamento muito, mas muito vencido.

Para sacramentar, o próprio médico citado na história se pronunciou a respeito do assunto. Olha o que ele disse por meio do Facebook:

Aos amigos e pacientes. Circula agora no WhatsApp uma mensagem a respeito da fenilpropalamina que apareceu desde 2002 como sendo desse signatario a origem dessa mensagem. Leiam com atenção a reportagem que compartilho do Jornal Tribuna da Bahia de 2010 que esclarece todas as duvidas. NÃO HA FENILPROPALAMINA NOS MEDICAMENTOS CITADOS. TRATA-SE DE MENSAGEM FALSA. A TODOS QUE RECEBEREM SOLICITO NÃO REPASSAR.

De lá para cá, temos mais uma novidade. O Ministério da Saúde, por meio do projeto Saúde Sem Fake News, desmentiu a informação em 2018. Veja o que foi dito pelo assunto:

A substância era utilizada em alguns medicamentos disponíveis no mercado, mas foi banida do Brasil e no restante do mundo há quase 17 anos. Na época, este ingrediente foi retirado do mercado depois que o Food and Drug Administration (FDA), agência de medicamentos dos Estados Unidos, constatou que a substância vinha provocando hemorragia cerebral fatal em alguns usuários. No Brasil, não foram registrados casos e a suspensão foi preventiva. Atualmente nenhum medicamento disponível no mercado brasileiro possui a fenilpropanolamina. Confira a Resolução RDC 96/2000 que proibiu a substância.

Resumindo: a história que aponta que a fenilpropanolamina (ou fenilpropalamina) está presente em remédios brasileiros é falsa. Além de o nome do remédio estar escrito de forma errada, a história já foi desmentido pelo médico citado, Ministério da Saúde e até pelo Boatos.org (lá em 2016). Fim.

P.S.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99177-9164.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

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