Doença pior do que o HIV (sida ou aids) atinge 40% da população do Japão #boato

Boato – Doença transmitida sexualmente pior do que o HIV (sida ou aids), que não tem cura e nem mecanismo de defesa já acometeu 40% dos japoneses e pode chegar a outros países.

O assunto saúde é sempre bastante delicado, especialmente quando falamos em doenças sexualmente transmissíveis (DST). Em junho de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a emitir um comunicado sobre o número de infecções por DST.

De acordo com a instituição, o número de casos de diversas DSTs não está reduzindo de forma suficiente. E, de acordo com uma história que está circulando nas redes sociais, o dado deveria ser preocupante, uma vez que uma nova doença (pior que HIV/Sida/Aids) está acometendo diversas pessoas.

Segundo a história, cerca de 40% dos japoneses já teriam sido acometidos pela doença (que causa verrugas pelo corpo todo e é transmissível mesmo com o uso de preservativo). As publicações ainda alertam para um possível surto também na África. Confira:

Uma nova doença de transmissao sexual mais pergosa do que HIV sida surgiu no Japao, ela expande se rapidamente por todo corpo e danifica a pessoa antes d sua morte. Nao tem cura nem mecanismos d defesa, mesmo usando preservativo adiquire se. Os medicos japoneses ainda estao a investigar a sua origem e o nome. 40℅ dos japoneses estao afectados. Brevemente podera chegar na Africa, como é sabido somos vitimas. Espalhe a informaçao.

Nova doença pior do que o HIV (sida ou aids) atingiu 40% da população do Japão?

A informação anda assustando bastante internautas e acabou viralizando nas redes sociais (tanto no Brasil como em países lusófonos como Moçambique e Angola). As imagens que acompanham as publicações são fortes e chamam bastante atenção para o caso. Mas será que essa história de doença altamente contagiosa e sem cura (pior que HIV/Sida/Aids) é real? A resposta é não. E os detalhes vêm a seguir!

Vamos lá! Para começo de história, a mensagem segue o pacote completo de boatos online: é vaga, alarmista, possui erros de português, pedidos de compartilhamento e não cita fontes confiáveis. Ou seja, um grande motivo para ficar com uma pulga atrás da orelha.

Além disso, ainda há um fator importante: o tempo em que a história anda circulando na internet. Publicações dessa história estão sendo compartilhadas em português há, no mínimo, um ano. Já em inglês, desde 2013 (e, por incrível que pareça, em uma fonte confiável, mas sem essa história de 40% de japoneses infectados e tampouco da resistência da camisinha).

Vale ressaltar que se essa situação realmente fosse tão grave como conta a mensagem (com um quadro amplo de contaminados e sem mecanismos de defesa), a doença já teria se transformado em um surto mundial (coisa que não ocorreu).

Vale destacar também que a própria fonte confiável que explica sobre a tal doença publicou uma errata na matéria. Na correção, o veículo informa que a doença, ao contrário do que diz a história, possui sim tratamento e cura.

Correção: A afirmação de que o H041 foi encontrado em lugares além do Japão é incorreta, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças. Cepas de gonorréia resistentes a um determinado antibiótico não recomendado rotineiramente pelo CDC como regime de tratamento de primeira linha para a gonorréia foram detectadas no Havaí, mas outros tratamentos acabaram por curar essas infecções no acompanhamento. Até o momento, não houve falhas de tratamento relatadas nos EUA para gonorreia tratada com esquemas de primeira linha atualmente recomendados.

E depois da errata, ainda em 2013, um site especializado em ciência acabou desmentindo a informação. De acordo com especialistas ouvidos pela página, as complicações da tal doença (que seria uma espécie de gonorreia resistente) são muito menores do que a Aids.

Por fim, a fotos utilizadas nas publicações não têm nada a ver com a doença. A primeira delas, na verdade, foi atribuída à doença ebola em sites sobre saúde. Já a segunda, supostamente, está ainda mais longe de se tratar de uma DST. A foto foi usada em uma matéria sobre implante de cabelos. Não sabemos até que ponto elas são reais, mas sabemos que não nasceram na história de “doenças mais grave do que a Aids”.

Em resumo: a história que diz que uma doença mais grave que o HIV (Sida/Aids) já contaminou 40% dos japoneses e pode chegar à África é falsa! Parte da história até chegou a ser publicada em uma fonte de informação confiável (porém, sem o adendo dos 40% de japoneses e a resistência à camisinha). Entretanto, uma errata no próprio site informou que a doença possui cura. Ainda em 2013, a história chegou a ser desmentida. Por fim, as fotos usadas nas publicações já estão circulando na internet há algum tempo e foram relacionadas a outras doenças. Ou seja, a informação não passa de balela. Até a próxima!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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