Banco de dados militar dos EUA prova que vacinas causam doenças graves #boato

Boato – Nos EUA, um banco de dados militar revela que doenças graves, como HIV e miocardites, aumentaram após vacinação obrigatória. 

Mesmo com o avanço da vacinação contra a Covid-19 e até com a promoção das doses de reforço, como a terceira dose (na maioria dos países) e até a quarta dose (em países como Israel e Chile), notícias falsas sobre as vacinas seguem.

Muitos negacionistas continuam empenhados em colocar em xeque a credibilidade, a eficácia e a segurança dos imunizantes contra a Covid-19. Com isso, diariamente, nos deparamos com informações falsas em todas as redes sociais.

E de acordo com uma história que está sendo compartilhada por aí, um suposto banco de dados militar dos Estados Unidos teria revelado uma explosão no aumento de doenças, após o início da vacinação contra a Covid-19. Ainda segundo a publicação, os casos de dor no peito aumentaram em mais de 1000%, enquanto os casos de  HIV, embolia pulmonar e esclerose múltipla teriam aumentado em torno de 500%. Confira:

Versão 1: “Banco de dados militar nos EUA revelam aquilo que a mídia e muitos políticos querem esconder do público em geral. O aumento alarmante de doenças graves em decorrência da picadinha. Acompanhem. “. Versão 2: “BANCO DE DADOS MILITAR MOSTRA AUMENTO ALARMANTE DE CONDIÇÕES MÉDICAS ADVERSAS APÓS VACINAÇÃO FORÇADA CONTRA COVID. A pesquisa tomou médias de cinco anos de condições médicas e, em seguida, comparou o histórico com os resultados após o início do programa de vacinação militar obrigatório. Os resultados são alarmantes: ataques cardíacos +269%; pericardite +175%; miocardite +285%; embolia pulmonar +467%; infarto cerebral  +393%; paralisia de Bell +319%; Guillain-Barre +250%; imunodeficiências +275%; irregularidade menstrual +476%; esclerose múltipla +487%; aborto +306%; HIV +590%; dor no peito +1.529%; respiração difícil +905%”.

Banco de dados militar dos EUA prova que vacinas causam doenças graves?

A informação viralizou rapidamente nas redes sociais, em especial, no Twitter e movimentou os grupos antivacina. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta da falta de noção de quem criou a lista de doenças que não tem nada a ver com a vacinação contra a Covid-19 e por um erro nos próprios dados.

Não é novidade para ninguém que as fake news sobre as vacinas contra a Covid-19 surgem diariamente nas redes sociais. A equipe do Boatos.org já desmentiu centenas delas e você pode consultar todas elas aqui.

E como já estamos cansados de dizer por aqui, os efeitos colaterais causados pelos imunizantes são mínimos perto das consequências de ser infectado e acabar com Covid-19. Ao longo dos dois anos, pudemos observar que a Covid-19 é uma verdadeira roleta russa. Ela pode sim apresentar quadros leves, mas os números não mentem: os quadros graves (com sequelas) e as mortes causadas pela doença ocupam um enorme espaço dentre as estatísticas. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o risco de alguém ser internado por Covid-19 é 257 vezes maior do que apresentar uma reação adversa à vacina. Em relação às mortes, o risco de morrer por Covid-19 é 57 vezes maior do que desenvolver algum efeito colateral pelos imunizantes contra a doença.

Se isso não fosse suficiente, muitos dos problemas e das doenças citados na tal lista podem ser desencadeados após uma infecção pela Covid-19. A doença pode desenvolver problemas no coração e ocasionar falta de ar, dor no peito, palpitações cardíacas, coágulos, ataques cardíacos e derrames. Além disso, muitas das doenças apontadas na lista sequer tem relação com as vacinas (e muito menos com os efeitos colaterais apresentados pelos imunizantes).

Só isso já denota um enorme erro nos dados divulgados pela publicação. Ao investigar mais a fundo a história, descobrimos que ela foi desmentida pelo site de checagem Politifact, dos Estados Unidos. De acordo com o site, os dados usados pela publicação estão equivocados. Segundo a página, o erro está na base de dados em questão. Os dados, na realidade, são códigos médicos registrados na Base de Dados Médica e Epidemiológica da Defesa. Após o site entrar em contato com a Divisão de Vigilância das Forças Armadas da Agência de Saúde de Defesa, o órgão informou que os dados de 2016 a 2020 estão incorretos e incompletos. Ainda segundo a instituição, os números de 2021 estão atualizados e, por isso, há a impressão de que houve um aumento significativo na ocorrência de diagnósticos médicos.

Por fim, é importante ressaltar que os dados utilizados pela publicação vieram do Sistema de Vigilância Médica de Defesa, dos EUA. Esse sistema é responsável por reunir diversas informações médicas ao redor do país, como consultas, hospitalizações, notificações de doenças etc. O objetivo do sistema é criar uma metodologia para coleta, integração e análise dos dados e disponibilizar as informações de maneira acessível a todos. Entretanto, o sistema apresentou falhas de subnotificação, envolvendo os anos de 2016 a 2020, causando uma interpretação equivocada e confusão na internet.

Em resumo: a história que diz que dados de uma base militar dos EUA mostrariam que diversos casos de doenças aumentaram depois do início da vacinação é falsa! Na lista de doenças existem patologias que podem ser desencadeadas após uma infecção pela Covid-19. Entretanto, a outra parte de doenças não possui nenhuma relação com as vacinas (ou com efeitos colaterais já registrados). Se isso não bastasse, os dados usados como prova, na verdade, estão errados. Há uma subnotificação de casos entre 2016 e 2020. Com isso, há a impressão de que o número de notificações aumentou em 2021. Ou seja, a história não passa de balela!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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