26 pessoas morreram por causa de vacinas contra Covid-19 nas últimas 24 horas, diz Anvisa #boato

Boato – A Anvisa apontou que mais 26 pessoas morreram nas últimas 24 horas por causa das vacinas contra Covid-19. Mortes se deram por causa da Coronavac e vacina da AstraZeneca.

Pelo que estamos vendo, as fake news têm ganhado uma tendência nos últimos dias. Com base em plataformas que não são recomendadas para uso estatístico, mensagens de grupos antivacinas apontam para mortes por causa da vacina contra Covid-19.

Há algumas semanas, desmentimos a informação que apontava que “centenas” haviam morrido nos Estados Unidos. Ontem, desmentimos um boato que apontava para 34 mortes por causa dos imunizantes Coronavac (Sinovac/Instituto Butantan) e Coronashield (Oxford/AstraZeneca). Mais tarde, desmentimos a informação “inflacionada” de que 501 brasileiros haviam morrido por conta das vacinas. Acabou? Não.

Agora, surge na internet a informação de que a Anvisa confirmou mais 26 mortes causadas pelas vacinas contra o coronavírus nas últimas 24 horas. “ANVISA REGISTRA 26 NOVOS ÓBITOS POR VACINAS NAS ÚLTIMAS 24 HORAS”, diz o texto que, por sinal, faz um ataque direto à Coronavac.

Confira o desmentido em vídeo:

26 pessoas morreram por causa de vacinas contra Covid-19 nas últimas 24 horas?

Antivacinas “piraram” com a informação. Por isso mesmo que estamos aqui, novamente, para apontar que a informação que aponta que 26 pessoas morreram por causa de vacinas contra Covid-19 nas últimas 24 horas é falsa. A argumentação é muito parecida com que utilizamos ontem para falar das “34 mortes por causa da vacina”. Por causa disso, relembre o que foi dito:

Na realidade, a mensagem que está circulando repete o erro de outras informações erradas sobre “mortes por vacinação” (há alguns dias, desmentimos a informação falsa que apontava que “centenas de americanos” teriam morrido por causa da vacina contra o coronavírus). Na realidade, o anúncio de mortes se baseava em um dado que não serve para contabilizar mortes.

A base para os dados é o sistema Vigimed. Nele, cidadãos podem, por meio de um formulário, relatar supostos efeitos adversos de medicamentos e vacinas. Porém, as informações contidas não são 100% verificadas. Também não é possível fazer, por exemplo, correlação entre um óbito e, por exemplo, um remédio ou uma vacina. Na própria página do sistema Vigimed, no site da Anvisa, há alguns avisos para que não se faça qualquer interpretação dos dados e que as informações se referem a suspeitas. Leia um aviso contido:

As informações incluídas no painel não podem ser utilizadas para determinar taxas ou probabilidades de ocorrência de um efeito adverso nem para comparar taxas entre medicamentos/vacinas diferentes. O número de notificações não pode ser interpretado ou utilizado isoladamente para formular conclusões sobre a existência, severidade ou frequência de problemas associados a medicamentos e vacinas.

Como sempre costumamos fazer, fomos buscar por mais informações a respeito das tais “mortes pela vacina” confirmadas pela Anvisa. Sabe quantas encontramos? Zero. Até o momento, nenhuma morte causada pelas vacinas contra Covid-19 foi confirmada no Brasil (o número é “um pouco menor” do que as mais de 250 mil mortes confirmadas por Covid-19).

Para hoje, temos um “bônus”: depois de informações que citavam o Vigimed como base para a informação de mortes por causa da vacina contra Covid-19, a própria Anvisa veio a público esclarecer e desmentir boatos. Isso foi feito por meio de uma nota. Leia o que aponta a Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre o assunto:

Os dados públicos de notificações do uso de vacinas para Covid-19 não indicam qualquer relação das vacinas com eventos adversos graves ou óbitos no país. O uso de dados de forma descontextualizada ou sem a interpretação técnica necessária pode levar a conclusões falsas.

A avaliação benefício-risco leva em conta um conjunto grande de informações e os registros informados pelos usuários são apenas uma dessas fontes. As outras envolvem os relatórios de segurança das fabricantes, os sinais de segurança gerados pelo modelo matemático da Organização Mundial de Saúde (OMS), a troca de informações com outras autoridades regulatórias e a discussão em grupos de especialistas.

Até o momento, não há nenhum caso de óbito conhecido que tenha relação estabelecida com o uso das vacinas para Covid-19 autorizadas no país. As vacinas em uso no país são consideradas seguras. Não houve alteração na relação de risco e benefício deste produto. Já é esperado que pessoas venham a óbito por outros motivos de saúde e mesmo por causas naturais, tendo em vista a taxa de mortalidade já conhecida para cada faixa etária da população brasileira. […]

Com isso, aqui estamos novamente para apontar para vocês que a informação que aponta que 26 pessoas morreram por causa das vacinas contra Covid-19 é falsa. A história é uma “evolução” de um boato já desmentido aqui e até a Anvisa já se pronunciou sobre a fake news.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet