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É falso que mulheres foram filmadas sendo vendidas como escravas em mercado muçulmano

Mulheres são vendidas como escravas em mercado muçulmano, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – Vídeo mostra mulheres sendo vendidas como escravas em mercado muçulmano em algum país africano. 

  Análise

Graças à colaboração de um internauta, conseguimos encontrar a solução para um vídeo que estava circulando com força na internet. Ou seja: a pauta foi solucionada graças a um esforço colaborativo. A mensagem apontava para uma acusação contra os muçulmanos, tinha um “quê” de preconceito religioso (e contra grupos feministas) e era acompanhado de um vídeo.

No vídeo, homens, aparentemente de algum país africano, estão reunidos diante de algo apresentado como um produto embaixo de panos (ou de sacos). Junto ao vídeo, há mensagens que apontam que seriam mulheres que estariam sendo vendidas como escravas em uma feira muçulmana.

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Há mensagens que apontam para ataques religiosos contra o islamismo. Há, ainda, mensagens que atacam feministas por estarem “caladinhas”. Leia algumas das mensagens que acompanhavam vídeos:

Versão 1: “Mulheres virgens num mercado muçulmano sendo compradas e vendidas por homens como se não fossem humanas. O Open Arms de Óscar Camps não as trará para a UE, apenas os seus maridos, homens dos quais a ONG nem sequer conhece os seus antecedentes criminais.”

Versão 2: Voce sabia que o mercado escravo de hoje é maior que na idade média. Nesse vídeo são mulheres à venda. Alguma feminista pra comentar sobre isso? Algum progressista pra comentar sobre isso? Versão 3: Islâmicos sendo islâmicos. Mulheres virgens num mercado muçulmano sendo compradas e vendidas por homens como se não fossem humanas.

Procuramos muito a respeito do assunto. O que encontramos, inicialmente, foram informações possivelmente corretas (mas não confirmadas), informações sem confirmação e informações erradas mesmo (como estamos publicando uma versão atualizada, iremos suprimir os dados inicialmente encontrados).

Na publicação original, pedimos a ajuda de vocês para nos ajudar a solucionar esta questão. Graças ao presidente da Associação Nacional de Juristas Islâmicos (Anaji), Girrad Mahmoud Sammour, conseguimos chegar a uma solução.

Na parte da checagem, pretendemos responder a três questões: 1) O vídeo é de mulheres escravas sendo vendidas em uma feira muçulmana? 2) Qual a origem do vídeo? 3) Há escravidão e venda de mulheres como a apontava no vídeo?

Checagem

O vídeo é de mulheres escravas sendo vendidas em uma feira muçulmana?

Não são. Sammour nos enviou um link do site de checagem turco Teyit. Com a ajuda de ferramentas como o Chat GPT e também com buscas por versões originais do vídeo, foi descoberto que não há nada de “mercado de mulheres” como foi mostrado nas imagens.

Qual a origem do vídeo?

O vídeo é, na realidade, de Senegal (e não da Etiópia, como apontam a maioria da publicações). Trata-se de um rito de passagem chamado Ndoutt realizado em um vilarejo chamado Djilas. Abaixo, você pode ver vídeos de garoto embaixo dos panos e filmagens de ângulos diferentes do mesmo local.

@pakmaieutik #destinationsenegal #serere #sinesaloum #thiossane #thiossanesérére #tiguemossa #fypシ #tiktok? #fimoysenegal🇸🇳😎👌❤️❤️❤️🔥🔥 #senegal #senegalaise_tik_tok #diofior #ndoutte #viralvideo #viral #foryou #🇸🇳 ♬ son original – Pak king sérére

@lang.simal.tv #Culture #serere #ndoutt #djilas ♬ son original – langdiatta15

Há escravidão e venda de mulheres no mundo como a apontada no vídeo?

Apesar de o vídeo não ser de um mercado de mulheres e, inclusive, retratar uma visão arcaica de como funciona a escravidão, há, infelizmente, tráfico de mulheres e escravidão no mundo. Dados da ONU apontam que 2,5 milhões de pessoas são vítimas de tráfico humano no mundo. 80% são mulheres. O Brasil não escapa desta questão. Há registro de tráfico de pessoas (em 2020 foram 100 mil denúncias), e de trabalho análogo à escravidão.

Conclusão

Fake news ❌

Não se trata de “mercado muçulmano de mulheres”, nem o vídeo é da Etiópia. As imagens que estão circulando na internet são de um ritual de iniciação em um vilarejo de Senegal. Mais uma vez, agradecemos ao leitor Girrad Mahmoud Sammour por nos ajudar a chegar na solução do caso.

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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