Spray nasal contra Covid-19 que interessou Bolsonaro começa a ser vendido em Israel #boato

Boato – A imprensa ironizou a aposta de Bolsonaro em spray nasal de Israel, mas agora ele começou a ser vendido como tratamento contra a Covid-19 no país.

Por incrível que pareça, é possível criar uma informação falsa com base em duas (ou mais) informações verdadeiras. Para tanto, basta fazer uma comparação descabida. É o caso da história de hoje, que fala sobre um tratamento contra a Covid-19.

Uma imagem com duas notícias está circulando na internet junto com a ideia de que “Bolsonaro ganhou mais uma”. A primeira (do Estado de Minas) aponta que a imprensa internacional ironizou o interesse do governo brasileiro no spray anticovid de Israel. A segunda é da CNN Brasil apontando que o spray anticovid foi aprovado para ser vendido no país.

As duas matérias seriam a prova de que Bolsonaro estava certo e que a “imprensa internacional” estaria errada uma vez que o produto que ele teria interesse começou a ser vendido em Israel. Leia o conteúdo contido na mensagem:

Antes na mídia – Março: Aposta de Bolsonaro em spray nasal é ironizada pela imprensa internacional. Hoje na mídia – Hoje: spray nasal que pode diminuir sintomas da Covid começa a ser vendido em Israel.

Spray nasal que interessou Bolsonaro começa a ser vendido em Israel?

Não demorou muito para a comparação ser publicada por muita gente simpática a Bolsonaro. Porém, a correlação entre as notícias de março e de agora não fazem muito sentido uma vez que os “sprays israelenses anticovid” são produtos diferentes. A resposta se dá em uma simples leitura das duas matérias printadas e compartilhadas por aí.

A matéria de março do Estado de Minas aponta que a comitiva brasileira que foi até Israel teve como objetivo observar o produto chamado EXO-CD24. Na época, o produto estava em fase inicial de testes e até o momento não há confirmação de que ele seja, de fato, eficaz contra a Covid-19.

Por sua vez, o spray citado na matéria da CNN é o Enovid, da empresa canadense SaNOtize. O produto sequer é de Israel e, antes de ser aprovado no país, já teve o registro aprovado na Nova Zelândia. Ou seja: tratam-se de dois produtos diferentes (inclusive na fórmula e forma de agir).

Resumindo: a comparação que está circulando por aí não é válida. O spray que foi aposta do governo brasileiro não é o mesmo que teve o registro aprovado em Israel, que sequer é israelense. Pelo menos por enquanto, o EXO-CD24 segue em fase de testes.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet