Site prova que homem que morreu no ano 2000 teve voto registrado em Lula #boato

Boato – Nelson do Prado morreu em 2000. Porém, site Veja Seu Voto (vejaseuvoto.info) mostrou que seu voto foi registrado em Lula (13).

Há alguns dias, a internet entrou em polvorosa após um site vender a ideia de que ele poderia revelar em quem a pessoa votou no segundo turno das eleições. Mais do que isso: o site (de nome Veja Seu Voto) teria revelado a fraude nas eleições (porque pessoas que dizem ter votado em Bolsonaro teria o voto registrado em Lula).

O Boatos.org desmentiu a informação falsa que apontava que o site, de fato, mostraria em quem as pessoas votaram. Mesmo com isso, uma nova história está viralizando na internet. Um vídeo de uma família do Sr. Nelson do Prado aponta que ele teve o voto registrado em Lula mesmo tendo morrido no ano de 2000. Ao consultar o CPF dele no site vejaseuvoto.info, não demorou para aparecer o voto no 13. Leia algumas das mensagens que circularam online:

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Versão 1: Seu Nelson do Prado, morreu no ano de 2000, segundo a família, mas votou no Lula 13. Esse Lula é o mito. Faz o cidadão ressuscitar, só para votar no 13! Com todo respeito pelo finado e sua família. Versão 2: Nelson do Prado de Jacareí, que morreu no ano de 2000, ressuscitou no dia 30,pra votar no Loola. Nem deu uma passadinha em casa, pra ver o filho…

Site prova que homem que morreu no ano 2000 teve voto registrado em Lula?

A história se espalhou com todas as forças entre redes sociais de bolsonaristas e está reforçando a tese falsa de que houve fraude nas eleições. Por isso mesmo que estamos aqui para apontar que não há qualquer prova de que o senhor Nelson do Prado votou em Lula.

O motivo para a história ser falsa é simples: ela se baseia no site vejaseuvoto.info para tentar comprovar a tese de que o homem teve o voto registrado em Lula. E o site em questão não tem o “poder” de mostrar em quem você votou nas eleições de 2022. Veja o que escrevemos sobre o site:

O site vejaseuvoto.info foi registrado há três dias (08/12/2022) e não tem o nome da pessoa que o registrou. O site também não tem nenhuma identificação.

A navegação do site denota uma fórmula básica para enganar: o uso de dados públicos + uma fórmula de aleatoriedade que claramente coloca mais votos no “13” do que no “22”.

Seja com dados vazados de CPF (não foram poucos as notícias de vazamentos), é possível “colocar o nome da pessoa” em uma busca. Este dado (que não é relacionado a dados do TSE) acaba sendo ligado a uma cidade. E aí encontramos os primeiros erros.

Para “provar” que houve fraude, há publicações de bolsonaristas em redes sociais que apontam para figuras públicas como Carla Zambelli, Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes. Carla Zambelli (que votou na Zona Norte de São Paulo) aparece como se tivesse votado em Uberlândia (cidade em que morou em algum momento da vida).

Alexandre de Moraes também votou na capital paulista. Porém, o voto dele aparece como se tivesse sido dado na cidade de São Roque. Com Bolsonaro foi pior ainda: ele votou no Rio de Janeiro, mas aparece como se tivesse votado em Barlavento. Detalhe: a cidade fica em Portugal (caramba!).

A partir daí, é que começa a ser utilizada a aleatoriedade: obviamente, há colocando o voto das pessoas como se fosse um “sorteio”. Alguns votos vão cair para o “22”, mas a maioria vai cair como se fosse “13”. Como o site foi divulgado por uma pessoa pró-Bolsonaro, já dá para imaginar que o escândalo está armado.

Quando acessamos a primeira vez a página (não colocamos o nosso CPF por motivos óbvios de segurança), colocamos o CPF de uma figura pública. A cidade apareceu errada e o voto sem congruência com seu posicionamento. Da segunda vez que acessamos, o site estava fora do ar (talvez pelo excesso de acessos).

Não é possível dizer que a página é de phishing. Porém, não é recomendado que você coloque dados pessoais em páginas como essa. De qualquer forma, não há como comprovar de que a página, de fato, “sabe o voto das pessoas”. Pelo contrário: a narrativa e os erros na página deixam claro que não passa de mais uma tentativa de tumultuar o pleito eleitoral.

Com isso, podemos chegar a uma conclusão: alguém viu a fake news de que o site Veja o Seu Voto (que mostra números aleatórios e tem um banco de CPFs) e resolveu colocar o documento de Nelson do Prado. As pessoas se espantaram com o resultado, gravaram um vídeo e aí estava uma nova fake news.

Resumindo: não há provas (e o ônus da prova é de quem acusa) de que o senhor Nelson do Prado que morreu há 20 anos teve o voto registrado em Lula nas eleições de 2022. O vídeo usou como fonte um site que já foi utilizado em outra fake news sobre “fraude nas eleições”.

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet