Boato – Ministros do STF como Barroso e Moraes teriam fraudado as eleições de 2022 comprando chips em Taiwan e repassando dinheiro a deputados.
Análise
Mensagens que circulam nas redes sociais voltaram a levantar suspeitas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e as eleições brasileiras. O conteúdo afirma que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles Luís Roberto Barroso (que já deixou a corte) e Alexandre de Moraes, teriam participado de uma suposta operação para fraudar as eleições.
De acordo com a narrativa, mais de 250 mil chips teriam sido fabricados em Taiwan para serem utilizados nas urnas eletrônicas. A história ainda mistura outras alegações, como supostos pagamentos a deputados e uma articulação internacional que envolveria integrantes do governo dos Estados Unidos.
As publicações também mencionam figuras como Joe Biden, Victoria Nuland e Lloyd Austin e afirmam que teria existido um acordo secreto para interferir nas eleições brasileiras de 2022. O conteúdo apresenta todas essas alegações como partes de uma mesma operação. Confira o conteúdo que está sendo distribuído online:
ESCANDALO NACIONAL! URGENTE! MINISTROS GOLPEARAM AS URNAS! Barroso e Moraes mandaram fábricar mais de 250 MIL CHIPS EM TAIWAN para FRAUDAR AS ELEIÇÕES! 16 MILHÕES PARA DEPUTADOS! O governo Biden desviou chips de Taiwan e mandou direto pro Barroso (STF/TSE) como parte de um ACORDO SECRETO para fraudar as eleições de 2022! Enquanto isso, Biden enviou um esquadrão de elite pra ameaçar o Brasil: Victoria Nuland (Departamento de Estado) pra intimidar o governo brasileiro! Lloyd Austin (Pentágono) pra mandar as Forças Armadas ficarem quietas e não apoiarem Bolsonaro!
Checagem
Diante da grande visibilidade da publicação, responderemos às seguintes perguntas principais: 1) Ministros do STF Barroso e Moraes golpearam as urnas ao comprar 250 mil chips em Taiwan para fraudar eleições? 2) Houve compra de chips de Taiwan para serem usados nas urnas eletrônicas? 3) Há fake news similares a esta?
Ministros do STF Barroso e Moraes golpearam as urnas ao comprar 250 mil chips em Taiwan para fraudar eleições?
Não. A alegação de que integrantes da Corte teriam orquestrado a compra de peças em Taiwan para manipular a votação carece de fundamentação factual. A história parte de um fato real: houve, de fato, uma aquisição de componentes eletrônicos relacionados à produção de urnas eletrônicas. No entanto, isso não significa que os equipamentos tenham sido utilizados para alterar votos ou manipular o resultado das eleições.
Como explicou uma reportagem do UOL Tilt sobre a crise global de semicondutores, a escassez mundial desses componentes afetou diferentes setores e também trouxe desafios para a produção de equipamentos eletrônicos utilizados no processo eleitoral brasileiro. A aquisição de chips, portanto, não constitui evidência de fraude. Os componentes eletrônicos fazem parte do funcionamento dos equipamentos, mas não representam, por si só, um mecanismo capaz de alterar o registro dos votos da forma sugerida pelas mensagens.
A narrativa distorce procedimentos formais de compra e logística da Justiça Eleitoral para criar a iludida ideia de fraude. A tese paralela trazida na publicação sobre repasses de milhões de reais a parlamentares com a intenção de travar a aprovação do voto impresso é uma narrativa antiga e igualmente sem comprovação. O assunto já foi verificado e desmentido pelo Boatos.org.
Houve compra de chips de Taiwan para serem usados nas urnas eletrônicas?
Sim, componentes produzidos em Taiwan foram adquiridos para a confecção das urnas eletrônicas, mas o motivo dessa transação nada tem a ver com fraudes ou interferências no resultado das eleições. Como demonstrado por reportagem do UOL Tilt e por verificação da AFP Checamos, o Tribunal Superior Eleitoral enfrentou o impacto da escassez mundial de semicondutores no período pós-pandemia. Para assegurar a montagem e entrega das urnas do modelo UE2020 a tempo do pleito de 2022, o órgão precisou gerenciar a compra dessas peças com fornecedores globais.
Há fake news similares a esta?
Sim. O uso de narrativas conspiratórias envolvendo tecnologia, órgãos de inteligência estrangeiros e supostas fraudes no sistema eleitoral ocorre com frequência nas redes. O Boatos.org já analisou diversos conteúdos falsos com essa mesma premissa, como o boato sobre uma câmera oculta que teria flagrado fraude articulada no STF e o rumor infundado de que o presidente da Venezuela Maduro entregou o código-fonte das urnas para Donald Trump.
Conclusão
É falso que os ministros do STF Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes tenham comprado 250 mil chips em Taiwan para fraudar as eleições brasileiras. Houve, de fato, aquisição de componentes eletrônicos relacionados às urnas, em meio à crise global de semicondutores, mas não há evidências de que eles tenham sido comprados para alterar votos ou manipular resultados. A narrativa também mistura essa informação com outras alegações sem comprovação sobre pagamentos a deputados e uma suposta articulação internacional.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)

