Boato – Um membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) criticou o presidente Lula e sua fala de que traficantes seriam vítimas.
Análise
Um vídeo de um homem fazendo críticas pesadas a Lula após a megaoperação que resultou em 119 mortes tem circulado na internet como se fosse de um “membro da Academia Brasileira de Letras” (ABL). O foco principal da crítica é uma declaração anterior do presidente, na qual ele afirmou que “os traficantes são vítimas de usuários” de drogas, uma fala que gerou controvérsia e debate nacional.
O vídeo em questão mostra um homem proferindo uma série de ironias e críticas ao conceito de “vítima” aplicado a diferentes contextos, culminando na figura de Lula como “a maior vítima do povo brasileiro”. Leia algumas das mensagens que acompanha o vídeo, que mostra o homem, em uma espécie de encontro com pessoas identificadas a um clube:
Versão 1: Academia Brasileira de Letras. Lula, sim, é a maior vítima de quem o descondenou para juntos ficarem no poder e viverem da corrupção. Ver menos Versão 2: Em vídeo que viralizou nas redes sociais, membro da Academia Brasileira de Letras faz discurso polêmico e manda indireta pra Lula após presidente afirmar que “os traficantes são vítimas da sociedade.” Ver menos
Checagem
Apesar da autenticidade da crítica ao presidente Lula, a atribuição do discurso a um membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) é equivocada e configura um erro de informação que acompanha o vídeo. Para esclarecer os fatos, buscamos responder a três questões centrais: 1) Membro da Academia Brasileira de Letras criticou Lula e frase sobre traficantes “serem vítimas”? 2) Quem é a pessoa que está no vídeo atribuído a Academia Brasileira de Letras? 3) O que Raul Canal falou no vídeo?
Membro da Academia Brasileira de Letras criticou Lula e frase sobre traficantes “serem vítimas”?
Não. A descrição de que o homem no vídeo é um membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), uma instituição com sede no Rio de Janeiro e composta por nomes ilustres das letras brasileiras, não é verdadeira. A confusão parece ter origem na semelhança de nomes com outra entidade. O orador, na verdade, é ligado à Academia Brasiliense de Letras (ACLeB), sediada no Distrito Federal, como pode ser verificado em publicações da própria entidade em suas redes sociais. Portanto, a tentativa de dar um peso maior à crítica associando-a à ABL não se sustenta nos fatos.
Quem é a pessoa que está no vídeo atribuído a Academia Brasileira de Letras?
O homem que aparece no vídeo proferindo o discurso de crítica ácida é Raul Canal, advogado e professor conhecido por suas participações e falas em eventos e debates. É importante ressaltar que Raul Canal não figura entre os membros atuais da Academia Brasileira de Letras. O vídeo original, que circula em seu perfil no TikTok, foi gravado durante um evento da Academia Brasiliense de Letras (ACLeB), uma entidade com propósitos culturais e acadêmicos, mas que não deve ser confundida com a ABL.
O que Raul Canal falou no vídeo?
A transcrição literal do discurso de Raul Canal, que tem sido compartilhada junto com o vídeo, é real e autêntica. O advogado utiliza uma série de exemplos irônicos e inversões de papéis de “vítima” e “culpado” — como “Os índios são os culpados. Os colonizadores são as vítimas dos índios” ou “Caim foi vítima de Abel” — para criticar a afirmação de Lula de que traficantes seriam vítimas. O discurso culmina na afirmação de que “o nosso presidente Lula é vítima do povo brasileiro”, reforçando a tese de que a escolha do presidente foi um erro, o que é um ponto de vista e opinião pessoal.
Conclusão
O vídeo com o discurso do advogado Raul Canal, criticando a declaração do presidente Lula sobre traficantes, é autêntico no seu conteúdo, mas a informação de que ele seria um “membro da Academia Brasileira de Letras” é falsa. O orador está ligado à Academia Brasiliense de Letras (ACLeB), e a atribuição equivocada à ABL parece ser uma tentativa de dar mais credibilidade e impacto à crítica nas redes sociais, desvirtuando a origem real da fala. Assim, a disseminação das mensagens com o dado incorreto configura desinformação.
Fake news ❌
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