Manuela D’Ávila está em 1º lugar porque comprou pesquisa do Instituto Methodus #boato

Boato – A candidata à Prefeitura de Porto Alegre Manuela D’Ávila está em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais porque pagou R$ 255 mil ao Instituto Methodus.

É fato que a quantidade de notícias falsas relacionadas às eleições tem alcançado um volume muito menor em 2020 do que em 2018 (quando vivemos um caos relacionado à desinformação na internet). Porém, algumas notícias falsas ainda aparecem no atual pleito. A história de hoje envolve a candidata à Prefeitura de Porto Alegre Manuela D’Ávila, do PCdoB.

Textos que circulam em redes sociais relacionam o fato de Manuela estar em primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto na capital do Rio Grande do Sul com o pagamento de R$ 255 mil ao instituto de pesquisas eleitorais Methodus. A prova estaria na prestação de contas da candidata. Leia algumas das versões que circulam online:

Versão 1: 13% do gasto da campanha da Manuela D’Ávila, algo em torno de 255 mil reais, foi pra comprar o resultado de uma pesquisa no Instituto Methodus. Assim, até eu fico em primeiro. Que papelão!!! Versão 2: DENÚNCIA! PESQUISAS FORAM COMPRADAS POR MANUELA. O Instituto Methodus de pesquisa, que tem mostrado a Manuela na frente, recebeu 255mil conforme despesas de campanha dela. Que cara de pau!

Manuela D’Ávila está em 1º lugar nas pesquisas porque pagou Instituto Methodus?

A história circulou com muita força entre eleitores de Porto Alegre. Porém, basta um pouco de senso crítico para percebermos que a tal acusação que envolve a candidata e o instituto não só é falsa como também não faz nenhum sentido.

Ao buscarmos pela prestação de contas de Manuela D’Ávila no site da Justiça Eleitoral, encontramos, de fato, o pagamento de R$ 255 mil ao Instituto Methodus. Porém, a correlação entre a contratação do serviço e os resultados da pesquisa não são válidas.

Aqui cabe uma explicação. Além das pesquisas eleitorais encomendadas por meio de comunicações ou entidades privadas (como em alguns casos, a CNI ou a XP), os próprios políticos encomendam pesquisas de opinião aos institutos. Essas pesquisas, normalmente, não são públicas. Elas servem para os candidatos e partidos adotarem estratégias durante as campanhas.

Quase todos os candidatos à Prefeitura de Porto Alegre contrataram e prestaram contas de serviços por parte de institutos de pesquisa. Tanto que o próprio site do instituto apresenta diversos clientes de partidos políticos (inclusive partidos de adversários de Manuela) Ou seja: não é nada de outro mundo Manuela D’Ávila ter contratado o Instituto Methodus.

É importante citar que a pesquisa pública do Instituto Methodus que coloca Manuela D’Ávila em primeiro lugar não foi contratada pela candidata. Ela foi paga pelo próprio instituto como consta no site do TSE. 

Mas a coisa não para por aí. Isso porque a teoria que o Instituto Methodus apresentou Manuela D’Ávila em primeiro lugar só porque foi contratado por ela cai ao vermos que outros institutos de pesquisa (como o Ibope e Datafolha) também apontam que ela está na frente.

Resumindo: a história que aponta que Manuela D’Ávila está em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais em Porto Alegre só porque contratou o Instituto Methodus é falsa. Além de contratar institutos de pesquisa ser uma praxe nas eleições, outros institutos também mostram a candidata do PCdoB à frente nos números.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet