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É falso que Lula tenha defendido em vídeo que saúde é para quem pode pagar e que o resto deve morrer

Lula defende que saúde é para quem pode pagar e que não pode morre na fila, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – Lula defendeu que saúde é para quem pode pagar e que quem não pode deveria morrer na fila.

Análise

Mensagens acompanhadas por um corte de vídeo recente começaram a circular de forma intensa nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. Nas imagens, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece discursando e proferindo uma declaração contundente sobre o acesso aos serviços hospitalares no país, gerando forte repercussão entre opositores e apoiadores no debate público digital.

De acordo com as publicações que viralizaram, o chefe do Executivo teria afirmado abertamente que a assistência médica de qualidade deve ficar restrita àqueles que possuem recursos financeiros para arcar com os custos, deixando o restante da população desassistido. A declaração vem sendo distribuída acompanhada da seguinte transcrição:

Lula falando que saúde é pra quem pode pagar , quem não pode morre na fila ,, “Saúde é para quem pode pagar. Quem não pode pagar, que morra no esquecimento e na negligência do Estado brasileiro.”

Checagem

A frase atribuída a Lula aparece, de fato, em um vídeo que circula nas redes sociais. O problema está no contexto em que ela foi apresentada. Para esclarecer o caso, respondemos às seguintes perguntas: 1) Lula defende que saúde é para quem pode pagar e que não pode morre na fila? 2) Qual é o contexto da fala “saúde é para quem pode pagar. Quem não pode pagar, que morra no esquecimento e na negligência do Estado brasileiro”? 3) Há outras fake news sobre Lula?

Lula defende que saúde é para quem pode pagar e que não pode morre na fila?

Não. A interpretação de que Lula estava defendendo que apenas pessoas com dinheiro deveriam ter acesso à saúde distorce o sentido da declaração.

No trecho completo, Lula não apresenta a ideia como uma proposta ou como uma defesa pessoal. Ele está, na realidade, fazendo uma crítica à forma como, segundo ele, parte das elites brasileiras enxergava o acesso à saúde antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS).

A partir do contexto, fica claro que a frase foi utilizada para representar uma visão que Lula afirma ter sido defendida por setores contrários à criação de um sistema público e universal de saúde.

Qual é o contexto da fala “saúde é para quem pode pagar. Quem não pode pagar, que morra no esquecimento e na negligência do Estado brasileiro”?

A declaração ocorreu durante a visita oficial do presidente ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), no Rio de Janeiro. Na ocasião, ao discursar sobre a relevância do Sistema Único de Saúde (SUS), o presidente contrapunha a mentalidade vigente no Brasil antes da promulgação da Constituição de 1988 com o modelo de saúde pública universal criado posteriormente.

A fala completa, registrada na transmissão oficial do evento no YouTube, demonstra claramente que a frase tratava de uma paráfrase do pensamento que o governante combatia:

“Então eu sei como o pobre é tratado, como o rico é tratado, porque ainda prevalece, na área da saúde, o poder do dinheiro. É por isso que se criou tanto ódio quando a gente aprovou na Constituição de 1988, a criação do SUS. Porque muita gente, muitas vezes de má-fé, tentava insinuar que o Estado não tinha condições de oferecer ao povo brasileiro um sistema único de saúde, porque quem sabia cuidar da saúde era a iniciativa privada e a saúde é para quem pode pagar, quem não pode pagar que morra no esquecimento e negligência do Estado brasileiro. Então, nós decidimos provar exatamente o contrário. Eu acho que na questão da saúde, a pessoa mais pobre, que mora no lugar mais pobre do Rio de Janeiro, tem o mesmo direito de ter um tratamento no hospital, com o mesmo médico que trata o governador do estado, o prefeito da cidade, o deputado federal, os ministros do Tribunal de Justiça”.

Há outras fake news sobre Lula?

Sim. O uso de declarações tiradas de contexto ou a criação de falas atribuídas a autoridades é uma estratégia recorrente em campanhas de desinformação. O próprio mandatário já foi alvo de recortes semelhantes em diversas ocasiões anteriores.

Em um caso recente, uma montagem tentou fazer crer que Lula defendeu que pobre não precisa estudar e tem que trabalhar durante um evento na Casa da Moeda. Em outra oportunidade, circulou o boato de que o presidente teria dito que negros são vagabundos, o que também se provou falso.

Da mesma forma, uma gravação manipulada sugeria que Lula mandou a população ir a pé em resposta à alta no preço dos combustíveis. Todos os episódios utilizavam a mesma mecânica de alterar o sentido original das frases para espalhar narrativas inverídicas.

Conclusão

A frase “Saúde é para quem pode pagar. Quem não pode pagar, que morra no esquecimento e na negligência do Estado brasileiro” foi realmente pronunciada por Lula, mas não no sentido apresentado pela mensagem que circula nas redes sociais. No discurso, o presidente parafraseava e criticava uma visão que atribuía a setores contrários à criação do SUS, defendendo justamente o acesso universal à saúde. O trecho viralizado, portanto, foi retirado de seu contexto e utilizado para transmitir uma interpretação diferente daquela apresentada na fala completa.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)