George Soros doou US$ 300 milhões para a campanha de Geraldo Alckmin #boato

Boato – Empresário húngaro-americano George Soros doou US$ 300 milhões para financiar campanha eleitoral de Geraldo Alckmin (PSDB). Foto prova tudo. 

Seja na mesa dos bares ou nas redes sociais, o assunto é o mesmo. Em algum momento, o rumo da conversa chegará na situação política do país. Estamos a pouco mais de dois meses das eleições e várias incógnitas embaralham as previsões da disputa eleitoral. Até agora, a única certeza que temos é a enxurrada de notícias falsas que surgirão sobre o assunto.

A última delas aponta que o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, recebeu US$ 300 milhões do empresário George Soros para financiar sua campanha eleitoral. Junto às mensagens, há uma imagem que seria a prova da ligação entre Soros e Geraldo Alckmin. Leia o que diz algumas das mensagens:

Versão 1: ULTRA COMUNISTA GEORGE SOROS O MANDANTE DA CENSURA “PRECISAMOS REGULAR O FACEBOOK E AS REDES SOCIAIS: AS PESSOAS ESTÃO RECEBENDO INFORMAÇÕES SÔBRE O NOSSO PLANO SOCIALISMO COMUNISMO E ESTÃO MUDANDO DE IDÉIA!”

Versão 2: GEORGE SOROS, O MANDANTE DA CENSURA DO FACEBOOK E DAS REDES SOCIAIS, INVESTIU 300 MILHÕES DE DÓLARES PARA A CAMPANHA DO ALCKMIN.  Versão 3: SOROS + URNAS = ALCKMIN PRESIDENTE GEORGE SOROS INVESTIU 300 MILHÕES DE DÓLARES PARA ELEGER GERALDO ALCKMIN. Versão 4: Para confirmar que George Soros está financiando a campanha do tucano Alckmin, essa imagem prova a ligação. 

George Soros doou US$ 300 milhões para a campanha eleitoral de Geraldo Alckmin?

Bem, reza a lenda que, se está na internet, deve ser verdade. Nem sempre. Isso porque a história de que George Soros doou US$ 300 milhões para a campanha eleitoral de Geraldo Alckmin não passa de #boato. E se você ainda não entendeu o porquê, a gente te explica.

Começando por uma contextualização sobre quem é George Soros. Ele é um empresário húngaro-americano famoso por influenciar governos e mercados desde a década de 1990, quando ficou conhecido como o “homem que quebrou o Banco da Inglaterra”.

O empresário, que hoje está entre uma das trinta pessoas mais ricas do mundo, tem investido bilhões em projetos de defesa dos direitos humanos ao redor do mundo. Isso é motivo de contradição para muitos de esquerda, já que o empresário fez fortuna por meio de especulação financeira. Além disso, Soros, também é criticado por militantes da direita, que o consideram “esquerdista”.

Dito isso, vamos à análise. Para começar, a própria mensagem já dá indícios de que se trata de um boato. Está cheia de informações vagas (não dá detalhes sobre a doações ou mesmo quando o “acordo” foi fechado), alarmista (com direito até a letras em caixa alta), erros de português e não cita fontes confiáveis.

Em nossas buscas, identificamos as primeiras postagens em páginas de grupos que defendem a intervenção militar. Tentamos, ainda, buscar por mais detalhes em sites de notícias confiáveis e nas próprias páginas onde o empresário divulga suas doações e, como você pode imaginar, não encontramos nada. Ou seja: a informação “brotou” em redes sociais.

Mas, não é só isso: as própria “provas apresentadas” na mensagem não são das melhores: uma foto de Soros com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, apontado na mensagem como a “cabeça” de Soros no Brasil, e uma suposta declaração do empresário sobre a regulação do Facebook e das redes sociais.

Ao procurar pela tal declaração, nada encontramos. O mais próximo que vimos disse foi ele tocar no assunto “regulação do Facebook” durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Em seu discurso, Soros se referia ao monopólio dos serviços de internet e não de conteúdo.  Obviamente, a frase sobre o socialismo e comunismo não estava lá.

Por fim, a imagem é real. Mas não pode ser a “prova” do financiamento por dois motivos: a imagem foi registrada em 2015, note que a foto é anterior à qualquer menção sobre a campanha eleitoral de 2018. Além disso, o Alckmin não estava lá. A propósito, a doação de US$ 300 milhões não faria muito sentido, afinal de contas, o limite de doação para campanhas eleitorais é de R$ 70 milhões.

Resumindo: não há nenhuma prova de que Alckmin terá US$ 300 milhões de campanha doados por George Soros. A história é falsa e você caiu em mais um #boato.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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2 comentários em “George Soros doou US$ 300 milhões para a campanha de Geraldo Alckmin #boato

  • 23/08/2018 em 13:13
    Permalink

    É só pesquisar na internet, Saber quem é Jorge Soros.
    99% dos políticos brasileiros são influenciados pelo comunismo socialista.

Fechado para comentários.

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