Flávio Bolsonaro diz que garçom morto pela polícia correu risco por usar guarda-chuva #boato

Boato – O candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PSL) afirmou que o garçom que foi morto pela polícia correu risco por ser negro e usar guarda-chuva na favela.

Não sei se vocês notaram, mas até nas fake news o nível do debate político está cada vez mais baixo. Nos últimos dias, o Boatos.org tem se debruçado a desmentir acusações tão pesadas quanto toscas (normalmente, saídas do nada) que têm como único objetivo reforçar estereótipos. A última que circula online fala do candidato ao Senado no Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PSL).

De acordo com um “meme” que está viralizando no Facebook, Flávio teria se pronunciado a respeito da morte do garçom Rodrigo Alexandre da Silva Serrano, ocorrida no dia 17/09 no Rio de Janeiro (já, já a gente contextualiza a história). De acordo com a mensagem, o filho de Jair Bolsonaro teria falado que a culpa da morte foi de Alexandre por “ser negro”, “estar perto de uma favela” e “andar com um guarda-chuva”. Leia a mensagem que circula online:

PM confunde guarda-chuva com fuzil e mata garçom no Rio. “Um elemento negro, andando perto de uma favela, com um guarda-chuva na mão. Queria o quê? Correu o risco. A culpa não é da polícia!”, Flávio Bolsonaro, candidato ao Senado pelo RJ.

Olha o que esse FLÁVIO BOLSONARO disse, a respeito da morte de um trabalhador negro, que foi confundido com um bandido numa favela por carregar um guarda chuva, e ainda tem um monte de gente em campanha para eleger Flavio Bolsonaro como Senador!

Flávio Bolsonaro diz que garçom morto pela polícia correu risco por usar guarda-chuva?

A tal mensagem está se espalhando muito na internet. Boa parte das postagens está circulando no Rio de Janeiro, local em que Flávio lidera as pesquisas de intenção de voto. Outra parte dos posts vem de quem quer, de certa forma, atacar Jair Bolsonaro. Mas será mesmo que o filho do candidato à Presidência da República disse isso? A resposta é não.

Como prometido, vamos contextualizar o caso. No dia 17 de setembro, Rodrigo Alexandre da Silva Serrano foi morto no Morro Chapéu-Mangueira, no Rio de Janeiro. Na versão da polícia, houve troca de tiros (o auto de resistência). Já a família da vítima aponta que a polícia confundiu o guarda-chuva com um fuzil. Posteriormente, houve até um protesto no morro no qual moradores “mostravam” a diferença entre um guarda-chuva e uma arma.

No meio deste cenário de “versão contra versão” (algo, infelizmente, corriqueiro no noticiário policial) surgiu a tal mensagem com a “fala” de Flávio. Só tem um detalhe: não há qualquer registro de que o candidato ao Senado tenha falado isso. Fizemos uma busca pelas redes sociais dele e encontramos posts falando da saúde de seu pai, divulgação de ações de campanhas e ataques aos adversários. Porém, não há uma vírgula sobre o caso do guarda-chuva.

Fizemos uma segunda busca, sobre matérias em fontes confiáveis ou quaisquer vídeos que pudessem comprovar que Flávio Bolsonaro teria dito a tal frase e descobrimos (olha só) que ela não foi publicada em local algum. A tal fala (assim como tantas outras atribuídas por aí) existe apenas no tal meme.

Resumindo: não há quaisquer provas de que Flávio Bolsonaro (ou qualquer outro político) tenha dito que a polícia estaria certa por atirar em um homem negro que estava com um guarda-chuva na mão em uma favela. A história é só mais um boato que circula na internet.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

2 comentários em “Flávio Bolsonaro diz que garçom morto pela polícia correu risco por usar guarda-chuva #boato

  • 30/09/2018 em 09:13
    Permalink

    Se vocês fossem desmentir as fake news pró Bozo, não teriam nem tempo de desmentir as contras.

    Resposta
  • 25/09/2018 em 18:54
    Permalink

    Estou recebendo ZAP do Boatos.org. É verdadeiro?

    Resposta

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