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Fim das faculdades é aprovado e 106 profissões não vão precisar de diploma #boato

Fim das faculdades é aprovado e 106 profissões não vão precisar de diploma, diz boato (Foto: Reprodução/Twitter)

Boato – A partir de agora, 106 profissões não vão precisar de diploma. Isso porque foi aprovado o fim das faculdades no Brasil.

Em meio ao período turbulento que estamos vivendo, o que não tem faltado é fake news sobre atos de vandalismo e prisões de golpistas em Brasília. Mas as balelas não se restringem ao assunto. A última das histórias que está circulando na internet aponta para “algo que está sendo aprovado na Câmara”.

Mensagens, algumas com o link de um site (outras não), apontam que, a partir de agora, 106 profissões não vão precisar de diploma e que isso significaria o fim das faculdades no Brasil. “Fim das faculdades: 106 profissões não vão mais precisar de diploma”, diz o teor do texto.

Em alguns casos, a mensagem é acompanhada de comentários como “ESSE É O PROJETO DE LEI MAIS ESTUPIDO JAMAIS PENSADO. UMA CRETINICE ÚNICA”, “Tinha que ser o Partido NOVO, impressionante como eles ainda podem surpreender” e “PRA UM PAÍS QUE VIRARÁ O COMUNISMO , ISSO NÃO É NOVIDADE!”.

Fim das faculdades é aprovado e 106 profissões não vão precisar de diploma?

A mensagem se espalhou com muitas forças na internet (com aquela força básica do Google Discover) e está gerando dúvidas. Cá estamos para dirimir algumas delas: 1) O fim das faculdades não foi aprovado. 2) O projeto não deve ser aprovado. 3) A lista de profissões não tem relação, necessariamente, com faculdades.

Para explicar o caso, temos que fazer uma recapitulação sobre o assunto. No fim de 2022, o deputado Tiago Mitraud protocolou o Projeto de Lei 3081/2022. A ementa é a seguinte: “Revoga e altera Leis, Decretos-Leis e um Decreto, a fim de desregulamentar profissões e atividades que não ofereçam risco à segurança, à saúde, à ordem pública, à incolumidade individual e patrimonial”.

De fato, o projeto prevê o fim da exigência do diploma para uma série de profissões. A partir daí, e de algumas matérias (como essa) apontava para a proposta e gerou um pânico (além de sensacionalismo) sobre o assunto. Aí começa a separação do joio do trigo.

Para começar, a chance de aprovação do projeto é praticamente nula. O deputado, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Felipe D’Ávila pelo Novo, não foi eleito, o partido não tem força para aprovar o projeto e, ainda por cima, a proposta não deve ter adesão em outras bancadas (muitas ligadas a setores atingidos pela proposta).

Mesmo que fosse aprovado, o projeto não “acabaria” com as faculdades. Para começar, a lista de 106 profissões têm muitas que já não exigem um curso superior (muitas tem como requisito um curso técnico). Além disso, as universidades para muitas profissões ainda seriam essenciais (inclusive para colocação no mercado de trabalho).

Há um exemplo: a profissão de jornalista não tem exigência de diploma (algo que, inclusive, sou contra). Mesmo assim, a maioria absoluta dos profissionais que atuam na área (principalmente com os melhores empregos) têm curso superior. Ou seja: as faculdades não acabaram com o “fim do diploma”.

Com isso, podemos apontar que nem houve o “fim das faculdades” tampouco que o projeto em questão foi aprovado. As chances práticas de aprovação são mínimas e isso não “acabaria” com as instituições de ensino e pesquisa.

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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