Boato – Eduardo Bolsonaro gravou um vídeo em inglês pedindo para Donald Trump atacar o Brasil.
Análise
A condenação de Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses por coação em processo relacionado à trama golpista gerou repercussão dentro e fora das redes sociais. Pouco depois da decisão, um vídeo gravado pelo ex-deputado em inglês passou a ser compartilhado por usuários que interpretaram o conteúdo como um pedido para que Donald Trump tomasse medidas contra o Brasil. Falando diretamente em inglês, o político buscou relatar os últimos acontecimentos de sua trajetória jurídica para uma audiência estrangeira, gerando imediata onda de reações e compartilhamentos entre apoiadores e opositores.
A gravação se espalhou por aplicativos de mensagens e redes sociais acompanhada de fortes acusações textuais. Muitas das publicações que circulam na internet afirmam categoricamente que o filho do ex-presidente teria aproveitado o espaço para solicitar uma intervenção drástica ao ex-presidente norte-americano Donald Trump. Em alguns casos, os compartilhamentos afirmam que o vídeo representaria uma tentativa de interferência estrangeira nos assuntos brasileiros. Leia:
Versão 1: Eduardo bassonaro gravar vídeo pedindo para Donald Trump atacar o Brasil em inglês. VERGONHA PATRIOTA? UM DIA APÓS SER CONDENADO POR COAÇÃO, EDUARDO BOLSONARO GRAVA VÍDEO EM INGLÊS PEDINDO QUE TRUMP ATAQUE O BRASIL Versão 2: PATRIOTA? UM DIA APÓS SER CONDENADO POR COAÇÃO, EDUARDO BOLSONARO GRAVA VÍDEO EM INGLÊS PEDINDO QUE TRUMP ATAQUE O BRASIL
Checagem
O vídeo passou a circular acompanhado da alegação de que Eduardo Bolsonaro teria pedido para Donald Trump atacar o Brasil. Para entender o caso, vamos responder às seguintes perguntas: Eduardo Bolsonaro gravou vídeo pedindo para Trump atacar o Brasil? O que Eduardo Bolsonaro disse no vídeo gravado para Trump após a condenação? Pedir a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes significa atacar o Brasil?
Eduardo Bolsonaro gravou vídeo pedindo para Trump atacar o Brasil?
Não. O conteúdo do vídeo não mostra Eduardo Bolsonaro pedindo um ataque dos Estados Unidos contra o Brasil. O que ocorreu foi a divulgação de uma gravação em que o ex-deputado comenta sua condenação, critica o ministro Alexandre de Moraes e volta a defender a aplicação de sanções internacionais contra o magistrado por meio da Lei Global Magnitsky.
Embora o discurso tenha forte conteúdo político e contenha críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao governo brasileiro, não há no vídeo qualquer pedido para que os Estados Unidos promovam ações militares, econômicas ou diplomáticas contra o Brasil como país. A interpretação de que Eduardo Bolsonaro teria solicitado um “ataque ao Brasil” não corresponde ao conteúdo efetivamente apresentado na gravação.
O que Eduardo Bolsonaro disse no vídeo gravado para Trump após a condenação?
No vídeo, Eduardo Bolsonaro afirma que sua condenação seria resultado de perseguição política e critica decisões atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes. Ao longo da gravação, ele menciona episódios envolvendo investigações, bloqueios de contas, sanções internacionais e casos de brasileiros que vivem no exterior.
Também é verdade que ele pede ao presidente Donald Trump que considere novamente a aplicação da Lei Global Magnitsky contra Alexandre de Moraes. O ex-deputado sustenta que o ministro teria cometido violações de direitos humanos e argumenta que as sanções deveriam ser retomadas.
Além disso, Eduardo Bolsonaro afirma que pretende continuar sua atuação política nos Estados Unidos e diz esperar mudanças no cenário político brasileiro nas próximas eleições. Em nenhum momento, porém, ele pede um ataque ao Brasil ou qualquer medida contra a população brasileira. Leia a transcrição e tradução do vídeo:
Estou gravando este vídeo do meu carro porque estou no meio de um furacão. Ontem, o Supremo Tribunal do Brasil me condenou a mais de quatro anos de prisão. Por quê? Porque um ministro do Supremo Tribunal, que também foi um dos cinco que me condenaram, disse que quando Trump o sancionou por violações de direitos humanos, isso é um ataque contra o Brasil. Não, não, não. Isso não é um ataque contra o Brasil. Isso é um presidente da democracia número um do mundo dizendo que esse ministro — que, a propósito, o nome dele é Alexandre de Moraes, é o mesmo que baniu o X do Brasil, congelou contas da Starlink, também deteve Jason Miller no aeroporto e estava emitindo mandados contra para prender cidadãos americanos, cidadãos que estavam tuitando do território dos Estados Unidos. Então é por isso que eles me condenaram. E eles nunca me notificaram nos EUA, apesar de todo mundo saber onde eu moro. Todas as autoridades americanas sabem onde eu moro, até jornalistas do Brasil bateram na minha porta na minha casa aqui em Dallas, Texas, onde estou vivendo em exílio, e não escondo isso de ninguém.
Mas o Supremo Tribunal não quer fazer isso, because existem requisitos mínimos para dar andamento a uma carta rogatória para me ouvir neste processo. Então eles não querem fazer isso. É por isso que não reconheço, e tudo o que sei sobre este caso está vindo através da imprensa. As pessoas estão dizendo que eu fui… veja, as pessoas sabem, sabe, aquela parte da mídia maravilhosa que tenho certeza de que aqui nos Estados Unidos vocês também estão acostumados com isso. Eles dizem que foi um, um… movimento bobo, que fui arrastado por mim mesmo, pelas minhas próprias condutas, para o mesmo processo do meu pai. Isso é uma mentira. E isso é ainda pior quando você descobre que, no meio do meu caso, estou sendo condenado por causa do que fiz aqui nos Estados Unidos. Peguei mais de quatro anos de prisão, condenado, ao que parece, né, porque tudo o que sei está vindo da imprensa e das redes sociais, por causa da minha relação com autoridades dos EUA no Congresso dos Estados Unidos, com a na Casa Branca, pessoas que se importam com o Brasil, que se importam com a liberdade.
Então, se estou recebendo condenações por causa do que estou fazendo nos EUA, por que os Estados Unidos não estão me indiciando? Sabe por quê? Porque tudo faz parte da perseguição. O cara que diz ser a vítima do que estou denunciando aqui nos Estados Unidos é o mesmo que está me julgando. É por isso que a Itália com Carla Zambelli, a Espanha com o caso de Osvaldo Eustáquio, os Estados Unidos, mesmo durante o governo Biden, com o caso do jornalista Allan dos Santos, e mais de 60 brasileiros que hoje em dia vivem em exílio ou sob condição de refugiados na Argentina, nenhum desses países jamais deixou, jamais enviou sequer um brasileiro de volta ao Brasil a pedido desse ministro maluco, Alexandre de Moraes. Então, estou muito orgulhoso. Porque se eles estão me condenando, é porque ainda estou fazendo um ótimo trabalho. Apesar de ter todas as minhas contas bancárias congeladas no Brasil desde que eu era deputado, eu era um deputado em exercício. Minha esposa também, não importa que ela não tenha nada a ver com isso. Depois tiraram meu passaporte, tiraram meu mandato, não sou mais oficialmente um deputado. Agora estão me acusando na Polícia Federal porque também sou policial federal.
E eu nunca vou parar. Porque todos os regimes, eles chegam a um ponto de repressão que, quando está alto demais, é porque estão muito perto do fim, da linha de chegada desta guerra. E nós vamos eleger em outubro Flávio Bolsonaro presidente do Brasil, para resgatar nossa boa relação não apenas com os Estados Unidos, mas também com democracias ao redor do mundo, não com, você sabe, países como o Irã, onde há um regime dominando o país. E então Flávio pode anistiar, pode me perdoar pelos crimes que não cometi, e até meu pai, que foi condenado por uma falsa tentativa de golpe de Estado a 27 anos de prisão. E vamos recuperar novamente a liberdade no Brasil. Compartilhem isso, este é o panorama geral, sabe, estou resumindo uma grande história para vocês, contando que possam compartilhá-la com outras pessoas. Não deixem que os grandes mentirosos da grande mídia mintam para vocês. Estou muito orgulhoso do que estou fazendo, representando o povo do meu país, and não deixando, não deixando um ditador como Alexandre de Moraes dominar o país. Presidente Trump, por favor, volte com a Lei Global Magnitsky. Esses caras são violadores de direitos humanos, e depois de mim, se um dia na próxima eleição, se voltar um governo de esquerda radical aqui nos EUA, eles estarão juntos perseguindo não apenas você, mas todas as pessoas ao seu redor no governo. Então é hora de limpar a bagunça no Brasil, e contamos com nossos aliados no exterior. Muito obrigado. Que Deus abençoe a todos vocês.
Pedir a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes significa atacar o Brasil?
Não necessariamente. A Lei Global Magnitsky é um mecanismo utilizado pelo governo dos Estados Unidos para impor sanções individuais contra pessoas acusadas de envolvimento em corrupção ou violações de direitos humanos. Quando aplicada, as medidas costumam atingir diretamente os indivíduos sancionados, podendo incluir restrições financeiras e limitações relacionadas ao sistema econômico norte-americano. Por isso, do ponto de vista técnico, solicitar a aplicação da Lei Magnitsky contra uma autoridade não equivale automaticamente a pedir sanções contra o Estado brasileiro ou contra o Brasil como nação.
Por outro lado, existe um debate político sobre os impactos que medidas desse tipo podem ter para a imagem internacional do país e para as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Esse debate, contudo, é diferente da alegação viral de que Eduardo Bolsonaro teria solicitado um ataque ao Brasil, algo que não aparece no conteúdo da gravação.
Conclusão
É falso que Eduardo Bolsonaro tenha gravado um vídeo pedindo para Donald Trump atacar o Brasil. O que ele fez foi divulgar uma gravação em inglês na qual critica sua condenação, faz acusações contra Alexandre de Moraes e solicita a retomada de sanções baseadas na Lei Global Magnitsky contra o ministro do STF. O conteúdo tem caráter político e opinativo, mas não contém pedido para que os Estados Unidos ataquem o Brasil ou adotem medidas contra o país como um todo.
Fake news ❌
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