Boato – Um suposto “Conde de Portugal” teria escrito um texto exaltando Jair Bolsonaro.
Análise
Textos extensos e carregados de adjetivos costumam viralizar quando exaltam ou atacam figuras políticas conhecidas. Foi o que aconteceu recentemente com uma publicação atribuída a um “Conde de Portugal”. O suposto autor teria escrito um artigo descrevendo Jair Bolsonaro como um líder quase “canonizado”, comparando-o a nomes como Churchill, Roosevelt e Nelson Mandela.
Esse conteúdo circula em grupos de Facebook, WhatsApp e até em sites e blogs simpáticos ao ex-presidente. Na versão mais replicada, a mensagem afirma que a perseguição sofrida por Bolsonaro seria a prova máxima de sua grandeza. Leia abaixo a íntegra do texto que está sendo compartilhado:
Conde, de Portugal, sobre Bolsonaro: “Eu não queria dizer isso. Pode ferir sensibilidades, desmanchar castelos de areia, coisa e tal. Mas, que se dane. O fato, nu e cru, é que Bolsonaro vai sendo canonizado, imortalizado e santificado no altar máximo da glorificação histórica. Nem Churchil, nem Roosevelt, nem Nelson Mandela chegaram perto dessa dimensão.
E essa consagração é insuspeita: não há maior Prêmio nem maior Insígnia do que ser perseguido e caçado com este nível de violência pelo aparelhamento judicial e financeiro em uníssono, com o auxílio de toda a imprensa e dos serviços de “inteligência” nacionais e estrangeiros. É o maior reconhecimento de uma vida que teve um sentido maior, léguas de distância do que a maioria de nós poderia sonhar. Nem todos os títulos honoris causa do mundo juntos equivalem a essa deferência: ser perseguido por gente do sistema, por representantes máximos do capital, da normatização social e da covardia intelectual, gente que pertence ao lado comunista da história, o lado negro da Bestialidade Socialista.
Não há Prêmio Nobel que possa simbolizar a atuação patriótica de Bolsonaro no mundo, nem todos os títulos que Bolsonaro de fato ganhou ou recusou (a lista é imensa, uma das maiores do mundo). Porque a honraria mesmo que se desenha é esta em curso: ser o alvo máximo do ódio de classe e o alvo máximo do pânico democrático que tem fobia a voto. Habitar 24 horas por dia a mente desértica dos inimigos da pátria e povoar quase a totalidade do noticiário político de um país durante 33 anos, dando significado a toda e qualquer movimentação social na direção de mais direitos e mais soberania, acreditem, não é pouco.
Talvez, não haja prêmio maior no mundo porque Bolsonaro é, ele mesmo, o prêmio. É ele que todos querem, para o bem ou para o mal. É o líder-fetiche, a rocha que ninguém quebra, o troféu, a origem, a voz inaugural, que carrega as marcas da história no timbre e na gramática. Há de se agradecer essa grande homenagem histórica que o Brasil vem fazendo com extremo esmero a este cidadão do mundo. Ele poderia ter sido esquecido, como FHC. Mas, não. Caminha para a eternidade, para o Olimpo, não dos mártires, mas dos homens que lutam e fazem valer sua vida em toda a dimensão espiritual e humana.”
Checagem
O texto teve grande repercussão justamente pelo tom grandioso e pela associação a uma figura inexistente, o tal “Conde de Portugal”. Para verificar o caso, precisamos responder três perguntas centrais: 1) Conde de Portugal escreveu texto exaltando Bolsonaro? 2) Existe um “Conde de Portugal” atualmente? 3) Qual é o contexto real do texto?
Conde de Portugal escreveu texto exaltando Bolsonaro?
Não. O texto não foi escrito por nenhum “Conde de Portugal”. Na verdade, trata-se de uma manipulação de autoria: a versão original foi publicada por Gustavo Conde. O artigo não fazia referência a Jair Bolsonaro, mas sim a Luiz Inácio Lula da Silva. A associação com o ex-presidente ocorreu apenas em versões falsas que circularam em redes sociais.
Existe um “Conde de Portugal” atualmente?
Também não. Embora títulos de nobreza tenham existido em Portugal no passado, eles foram extintos oficialmente com a implantação da República em 1910. Não há hoje nenhum título ativo de “Conde de Portugal”. Essa lista histórica pode ser conferida na entrada da Wikipédia sobre condados portugueses. Ou seja, a atribuição a um suposto “nobre” é completamente inventada.
Qual é o contexto real do texto?
Como falamos, o artigo original foi escrito por Gustavo Conde, conhecido por apoiar o ex-presidente Lula. No texto, ele usou metáforas grandiosas para falar do petista, e não de Bolsonaro. Ao alterar o nome de Lula para Bolsonaro e inventar um “Conde de Portugal”, os disseminadores criaram uma peça de desinformação com fins políticos.
Conclusão
O texto atribuído a um suposto “Conde de Portugal” não tem relação com Jair Bolsonaro. Primeiro, porque não existe nenhuma figura com esse título atualmente. Segundo, porque o artigo foi, na realidade, escrito por Gustavo Conde, exaltando Lula e não Bolsonaro. A versão que circula nas redes é, portanto, uma manipulação de autoria e de contexto.
Fake news ❌
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