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Não é verdade que 90% dos evangélicos recebam benefícios do governo

90% dos evangélicos recebem benefícios do governo, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – 90% dos evangélicos brasileiros recebem benefícios do governo, conforme fala de Lula em vídeo que circula nas redes sociais.

Análise

Recentemente, um vídeo contendo uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a circular com força em grupos de mensagens e redes sociais, especialmente entre o público religioso. Nas imagens, o mandatário aparece em um tom enfático, direcionando sua fala à militância e abordando a relação do governo com o segmento evangélico. O ponto central da repercussão é a afirmação de que uma fatia massiva deste grupo — precisamente 90% — estaria inserida em programas de transferência de renda ou benefícios estatais.

O discurso, que prega uma postura mais assertiva e menos passiva diante de críticas, levanta um debate sobre a base socioeconômica dos fiéis no Brasil. Abaixo, você pode conferir a transcrição exata da fala que está sendo compartilhada:

“E o que nós fazemos! 90% dos evangélicos recebem os benefícios do governo. 90%. Então, o que nós precisamos não é esperar que um pastor fale bem de nós. Nós temos que ir lá, a gente não pode ficar quieto. Alguém vê uma notícia contra o governo, ‘ah eu deletei’. Você deletou não, você tem que mandar o cara que fez a notícia pra aquele lugar! Nós temos que ser mais desaforados, porque a eles são desaforados. E nós não podemos ficar sendo quietinho, não tem essa mais de ‘Lulinha paz e amor’. Não tem essa mais! Essa eleição vai ser uma guerra.”

Checagem

Para esclarecer os fatos, vamos responder às seguintes questões: 1) Qual é o contexto do vídeo em que Lula afirma que 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo? 2) 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo? 3) Há como justificar a fala de Lula em questão?

Qual é o contexto do vídeo em que Lula afirma que 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo?

O vídeo é real e foi registrado durante uma reunião com o setor cultural ou encontros de mobilização política, conforme reportado por veículos como o Metrópoles e canal no YouTube do Poder 360.

No trecho, Lula adotou uma retórica de enfrentamento, abandonando o perfil conciliador do passado para cobrar que seus apoiadores defendam as ações da gestão federal de forma mais incisiva. O objetivo era inflamar a militância para que esta dispute a narrativa junto ao público evangélico, utilizando o argumento econômico como principal ferramenta de convencimento.

90% dos evangélicos recebem benefícios do governo?

Não, o dado é estatisticamente insustentável. De acordo com levantamentos demográficos recentes, o Brasil vive um recorde de crescimento da população evangélica, conforme aponta a CNN Brasil. Ao analisarmos o perfil socioeconômico desse grupo através de dados do Datafolha, observa-se que cerca de 48% dos evangélicos possuem renda familiar de até dois salários mínimos.

Como o acesso a benefícios sociais, como o Bolsa Família, é restrito a famílias de baixa renda (geralmente abaixo de meio salário mínimo por pessoa), é impossível que 90% do grupo receba tais auxílios, visto que pesquisas apontam que 52% dos evangélicos pertencem a classes sociais que superam os critérios de elegibilidade para a maioria dos programas assistenciais.

Há como justificar a fala de Lula em questão?

A única justificativa possível reside na retórica política e na tentativa de criar um impacto emocional na audiência. Embora seja verdade que a maioria dos evangélicos no Brasil seja composta por mulheres e pessoas negras, que estatisticamente são os grupos mais vulneráveis e, portanto, maiores beneficiários de políticas públicas, o número “90%” não possui lastro em qualquer base de dados oficial (CadÚnico ou IBGE). O uso de dados inflados em discursos políticos, embora comum para motivar bases aliadas, acaba por propagar informações imprecisas que não condizem com a realidade econômica do segmento religioso.

Conclusão

Em resumo, embora o vídeo seja autêntico e a fala tenha sido proferida pelo presidente Lula, o dado estatístico apresentado é falso. A realidade socioeconômica dos evangélicos no Brasil mostra uma diversidade de renda que invalida a tese de que quase a totalidade do grupo dependa de benefícios governamentais.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)