7 fake news que “viralizaram” antes mesmo da internet nascer

Já faz algum tempo que o termo fake news entrou para o dia-a-dia do cidadão brasileiro. E as eleições presidenciais brasileiras (e também na gringa, como os Estados Unidos) mostraram a importância de se checar a informação antes de sair compartilhando por aí.

Mas o fato é que os boatos não nasceram ontem. A prova disto está em uma lista de desmentidos históricos.  Conheça sete #FakeNewsDaHistória! As publicações serão atualizadas com o passar da semana.

1) Algumas fake news dariam um livro. Nesse caso, deram seis.

Algumas fake news dariam um livro. Nesse caso, deram seis
Algumas fake news dariam um livro. Nesse caso, deram seis

No século VI, Procópio de Cesárea foi o responsável por uma das maiores fake news da história! Sua coletânea de seis livros, intitulada ‘As Anedotas Bizantinas de Procópio’, tentou retratar (de forma muito questionável) o governo do imperador Justiniano. As histórias distorciam os fatos, inventavam conquistas e omitiam crises. Um belo trabalho de ficção! Por sorte, anos após sua morte, toda a verdade foi descoberta. E para a surpresa de muita gente, Procópio tinha toda a verdade documentada em suas anotações secretas (que vieram à tona mais tarde). A verdade era que o povo não gostava do imperador Justiniano.

2) Shindo Renmei. O grupo extremista que usou uma arma suja: as fake news

Shindo Renmei. O grupo extremista que usou uma arma suja as fake news

E até o Brasil não passou batido pelas temidas fake news. Quem acha que os brasileiros só sofreram com os boatos durante as eleições presidenciais de 2018, está muito enganado. Em 1946, após o fim da Segundo Guerra Mundial, o Shindo Renmei, um grupo extremista de imigrantes japoneses, causou um verdadeiro pânico em terras tupiniquins. O grupo inventou que o Japão teria sido o verdadeiro vencedor da Guerra. Com isso, perseguia todos os japoneses que acreditavam no contrário. Foram mais de 23 mortos e 147 feridos, até que a verdade apareceu. Toda história foi documentada no livro Corações Sujos, do escritor Fernando Morais.

3) Desde 1692, fake news promovem caça às bruxas com o mesmo resultado: a injustiça

Desde 1692, fake news promovem caça às bruxas com mesmo resultado a injustiça

Com certeza você também já deve ter ouvido falar nos tribunais que executavam bruxas durante a Idade Média, não é mesmo? Pois bem, e se eu te contar que toda essa história começou por conta de um boato? A fake news acabou levando diversas mulheres à fogueira (e também a se esconderem, após serem consideradas bruxas). Em 1692, um médico diagnosticou que duas crianças (de 9 e 11 anos) estariam sob o efeito de ‘eventos sobrenaturais’. Após serem pressionadas por seus familiares, as crianças inventaram que três mulheres teriam feito uma espécie de bruxaria. Para evitar a punição, uma delas afirmou que várias bruxas viviam em Salem Township e que poderiam ser culpadas pelo delito. No final das contas, diversas mulheres foram condenadas por bruxaria e o diagnóstico das crianças foi revelado: infecção por fungo. Nada a ver com bruxas.

4) Batatas Gigantes do Colorado. Essa sim é uma fake news sem tamanho

Batatas Gigantes do Colorado. Essa sim é uma fake news sem tamanho

Não é só na atualidade que veículos de comunicação ajudam a espalhar fake news. Em 1895, um jornal local em Loveland, nos Estados Unidos, não só ajudou, como também criou um boato que deixou muita gente irritada. Na época, o jornal publicou uma matéria, afirmando que batatas gigantes (de 75 centímetros cada, pesando 40kg), apelidadas de ‘Maggie Murphy’ teriam sido produzidas na cidade. A reportagem tinha até foto para provar a existência do ‘milagre’. Após uma busca incessante pelas batas em todo o território estadunidense, o jornal precisou contar a verdade: não existia nenhuma batata gigante. A foto, inclusive, retratava batatas esculpidas em madeira. Ou seja, uma fake news tão grande quanto as supostas batatas.

5) Geralmente, fake news tem perna curta. Mas essa fez dezenas baterem as botas

Geralmente, fake news tem perna curta. Mas essa fez dezenas baterem as botas

Se você acha que fake news que levam à morte de pessoas inocentes só começaram a aparecer com o advento da internet, está muito enganado. Em 1678, na Inglaterra, Titus Oates sai espalhando por aí que os católicos estariam conspirando contra o Rei Charles II (que era anglicano). A história foi tão bem articulada, que citava nomes, datas e supostos planos para tirar o Rei Charles do poder. Indignada com a situação, a sociedade protestante perseguiu, por 3 anos, diversos homens, levando ao enforcamento de cerca de 35 pessoas e à destruição de diversas imagens católicas. Infelizmente, somente em 1681, toda a verdade foi revelada. O evento ficou conhecido como o ‘Complô Papista’ e Titus passou a carregar o apelido de ‘O mentiroso’.

6) Acredite: senhores de engenho também plantavam fake news

Senhores de engenho também plantavam fake news

Eu aposto que você já escutou aquela história de que consumir manga com leite faz mal! E sabe de onde ela surgiu? Bem antes da internet existir. A história de que comer manga e tomar leite em seguida pode fazer mal à saúde foi criada pelos senhores de engenho. Na época, os escravos consumiam muita manga (por ser barata e acessível). Já o leite, não tão abundante assim, era bastante caro. Para evitarem o prejuízo, os senhores de engenho plantaram a informação. Dessa forma, os escravos reduziram o consumo do leite (e evitaram que os senhores de engenho perdessem parte de seus lucros).

7) Durante a Peste Negra, judeus foram vítimas de outra praga: as fake news

Durante a Peste Negra judeus foram vítimas de outra praga, as fake news

A História nos mostra que, durante o Holocausto, diversos judeus foram perseguidos e mortos pelo governo de Adolf Hitler. Mas e se eu te contar que entre os anos de 1348 e 1351, os judeus também foram perseguidos e mortos por conta de um boato disseminado pela Igreja Católica? Pois é.

Mais de 200 comunidades judaicas foram erradicadas durante a Europa Medieval, porque foram apontados como responsáveis pela pandemia da Peste Negra. O motivo? Os judeus representavam uma taxa baixa de vítimas da doença. Na realidade, o número de atingidos entre a comunidade judaica era baixo, por conta das comemorações da Páscoa Judaica (o Pessach). Nesse período, os judeus não podiam ter grãos em casa, o que reduzia o número de ratos (transmissores da Peste Negra) nas residências judaicas.

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