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Valor cobrado pela Suíça a ativistas da flotilha de Gaza não é de 11 mil euros para cada um

Suíça multou ativistas da flotilha de Gaza em 11 mil euros, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – A Suíça teria aplicado uma multa de 11 mil euros em cada ativista da flotilha pró-Gaza após prisão em Israel. 

Análise

Recentemente, uma narrativa ganhou força nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, sugerindo que o governo da Suíça decidiu adotar uma postura de “mão de ferro” contra cidadãos que participaram de missões humanitárias e políticas no Oriente Médio.

O texto, que circula com um tom de desabafo e lição de moral, afirma que os participantes da flotilha “Sumud”, destinada à Faixa de Gaza, foram surpreendidos com cobranças individuais exorbitantes após serem detidos por autoridades israelenses.

De acordo com o relato que se espalhou, cada um dos 20 suíços envolvidos teria recebido uma fatura de 11 mil euros para cobrir custos de assistência consular, visitas em presídios e o voo de repatriação.

A mensagem ainda atribui ao governo de Berna uma frase de efeito sobre a responsabilidade individual dos “heróis ideológicos”, sugerindo que o Estado se recusou a arcar com os custos da “provocação” alheia. Abaixo, você confere o texto que está sendo compartilhado:

O “boleto” do ativismo chegou. E é salgado. ​Os 20 cidadãos suíços que embarcaram na flotilha pró-Gaza “Sumud” acabaram de receber uma fatura de até 11.000 euros cada um, enviada pela Confederação Suíça. O motivo? Prisão em Israel. Assistência consular. Visitas às prisões. Negociações diplomáticas. Retorno para casa em avião… ​Tudo por conta deles. ​

O resultado: As mesmas pessoas que gritavam por “solidariedade internacional” descobrem hoje um novo conceito: a responsabilidade individual. Militância, sim. Viajar, sim. Mas o contribuinte suíço não é o patrocinador oficial da sua provocação. A mensagem de Berna é clara: ​”Querem ir ao exterior e ser heróis ideológicos? Sem problemas. Mas paguem a conta.”

Checagem

Para esclarecer os fatos, vamos analisar os detalhes desta história respondendo às seguintes perguntas: 1) A Suíça multou ativistas da flotilha de Gaza em 11 mil euros? 2) Qual o valor real da cobrança da Suíça para os participantes da missão? 3) O governo do país declarou frases como “paguem a conta” direcionadas aos militantes?

Suíça multou ativistas da flotilha de Gaza em 11 mil euros?

Não houve aplicação de multa por parte do governo suíço. O que ocorreu, na realidade, foi uma cobrança de taxas administrativas e consulares, algo previsto na legislação do país para cidadãos que necessitam de auxílio do Estado em situações de detenção ou emergência no exterior. A narrativa de que cada pessoa recebeu uma conta de 11 mil euros é um exagero substancial de uma informação real. O suporte consular após o incidente com a Flotilha da Liberdade de Gaza gerou custos, mas os valores individuais citados no boato estão desconectados da realidade dos fatos.

Qual o valor real da cobrança da Suíça para ativistas da flotilha de Gaza?

Os números reais são significativamente menores do que os propagados pelas mensagens virais. De acordo com informações oficiais e reportagens de veículos como o Swissinfo, o valor total cobrado pelo Departamento Federal de Assuntos Estrangeiros (DFAE) foi de aproximadamente 11 mil francos suíços (moeda com valor próximo ao euro), mas este montante refere-se ao grupo total de 19 pessoas, e não a cada indivíduo. Na prática, as faturas variaram entre 300 e 1.047 francos suíços por pessoa. Esses valores, inclusive, estão sendo contestados judicialmente pelos ativistas, que alegam que a assistência prestada foi mínima e que não deveriam arcar com taxas por uma proteção consular que consideraram insuficiente.

Governo do país falou “Querem ir ao exterior e ser heróis ideológicos? Sem problemas. Mas paguem a conta”?

Não existe qualquer registro oficial de que porta-vozes da Confederação Suíça ou membros do governo de Berna tenham proferido tal frase. A comunicação oficial sobre o caso limitou-se ao envio das faturas baseadas na lei federal sobre suíços no exterior, que estabelece o reembolso de despesas geradas por assistência consular. A frase citada no boato tem um caráter opinativo e editorial, sendo comum em textos que buscam gerar engajamento político e reforçar preconceitos contra determinados grupos de militância, não refletindo a postura diplomática neutra e institucional do governo suíço.

Conclusão

Em resumo, a história que circula é um exagero de um fato verídico. Embora a Suíça tenha de fato cobrado pelos serviços consulares prestados aos ativistas da flotilha “Sumud”, o valor de 11 mil euros atribuído a cada pessoa é, na verdade, o custo total dividido por quase vinte participantes. Além disso, as aspas agressivas atribuídas ao governo são puramente fictícias e servem apenas para inflamar o debate nas redes sociais.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)