Soldado russo foi crucificado por radicais do Exército da Ucrânia durante invasão em 2022 #boato

Boato – Vídeo mostra radicais do Exército da Ucrânia crucificando um soldado russo. Filmagem foi feita durante invasão russa na Ucrânia em 2022.

Desde quando começaram os conflitos na Ucrânia (há cerca de uma semana), o que não tem faltado na internet são imagens sendo compartilhadas com informações erradas. A de hoje aponta para uma acusação gravíssima contra soldados ucranianos.

Um vídeo (que, obviamente, não será exibido aqui) mostra um suposto soldado da Rússia sendo crucificado por militantes da guerrilha Azov (da Ucrânia). O vídeo, gravado em baixíssima qualidade, mostra o homem sendo colocado em uma cruz e é acompanhado de mensagens que apontavam, como referência, os conflitos da Ucrânia de 2022. Leia algumas das mensagens que circulam por aí:

Versão 1: Cenas fortes! Radicais do exército ucraniano crucifica soldado russo. Um vídeo que circula na internet mostra o que parecem ser soldados ucranianos crucificando um soldado russo. A Rússia invadiu e bombardeou a Ucrânia na madrugada de hoje (24). Versão 2: Supostos relatos de que Soldados Ucranianos faz refém soldado Russo e crucifica-o.

Soldado russo foi crucificado por radicais do Exército da Ucrânia durante invasão em 2022?

Não demorou muito para o vídeo tomar conta de diversos perfis em redes sociais, principalmente entre os que tentam justificar a invasão da Ucrânia como uma “boa ação” da Rússia. Só que, ao contrário do que apontam as mensagens, o vídeo não é recente e sequer há provas de que ele seja real (pelo contrário, tudo indica se tratar de um false flag, vídeo armado para justificar uma invasão).

A primeira tese errada no vídeo é o que aponta a filmagem como algo relacionado aos conflitos na Ucrânia em 2022. Uma rápida busca na internet aponta que o vídeo começou a circular há, no mínimo, sete anos. Este artigo fez, na época, uma análise sobre a autenticidade das imagens e apontou que não era possível atestar que se tratava de um soldado russo e que a autoria foi de ucranianos.

Na época, o próprio batalhão Azov negou veementemente que havia realizado tal ato e acusou os autores (detalhe: o vídeo surgiu em um grupo hacker russo na época) de quererem incriminá-los e justificar a invasão na Ucrânia.

Os anos passaram e nada acabou sendo concluído do vídeo (veículos de mídia russa que publicaram inicialmente as imagens chegaram até a apagar publicações). Foi apenas com os conflitos em 2022 que o assunto voltou a virar pauta. E, mais uma vez, foi desmentido.

O serviço de checagem Mith Detector, da Grécia, fez a checagem das informações. Além de apontar que não há provas de que o vídeo é autêntico e que o ato teve como autores soldados ucranianos, o site relembrou que, na época, outras farsas de “crucificações” atribuídas a ucranianos (inclusive de crianças) foram desmentidas. Na realidade, se tratavam de cenas ensaiadas.

Ou seja: além de o vídeo já circular na internet faz tempo, não é possível dizer que se tratam de soldados ucranianos ou mesmo que o vídeo é real. É bem possível que, se a história fosse real, já teríamos descoberto mais detalhes sobre os autores e a vítima. Resumindo: trata-se de mais um boato sobre os conflitos na Ucrânia que circula online.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet