Pneumonia mais letal do que a Covid-19 surge no Cazaquistão #boato

Boato – Pneumonia desconhecida, mais mortal que a Covid-19, foi registrada no Cazaquistão e já fez quase 2 mil vítimas. China que deu o alerta.

A pandemia da Covid-19 tem causado medo e acionado o botão de atenção do mundo inteiro. E esse sentimento de alerta não é exclusivo da Covid-19, mas também de outras doenças com potencial de se tornarem pandêmicas.

Nos últimos dias, um relatório divulgado pela China deixou muita gente preocupada. De acordo com o documento, um tipo de pneumonia com grande potencial letal (possivelmente, até maior do que a Covid-19) teria sido encontrado no Cazaquistão.

A informação foi o suficiente para causar alvoroço em diversos países. É claro que não demorou muito para a notícia chegar ao Brasil e assustar diversas pessoas. O resultado, a gente já conhece bem: diversas histórias falsas sobre o assunto circulando por aí. Uma publicação, em especial, chamou a nossa atenção. Segundo o texto, uma doença mais mortal que o próprio Covid-19 já teria feito quase 2 mil vítimas no Cazaquistão. Confira:

“ALERTA – Um novo surto de doença respiratória, potencialmente mais letal que a Covid-19, pode estar começando na Ásia. A embaixada chinesa no Cazaquistão alertou ontem seus cidadãos no país sobre uma nova “pneumonia desconhecida”. Segundo a China, no primeiro semestre deste ano, 1.772 pessoas morreram da doença, 628 delas apenas em junho. Cerca de 100 mil pessoas já teriam sido contaminadas. “Essa taxa de mortalidade da doença é muito maior que a da Covid-19 e as autoridades do Cazaquistão estão conduzindo um estudo comparativo do vírus sobre o qual ainda não há definição”, afirmou a embaixada chinesa. Misericórdia”.

Pneumonia mais letal do que a Covid-19 surgiu no Cazaquistão?

Devido à situação mundial, ocasionada pela Covid-19, muita gente ficou assustada com a suposta descoberta. A sensação de alerta voltou a tomar conta dos países. Mas será que essa história de que uma pneumonia desconhecida, mais letal que a Covid-19, teria sido descoberta no Cazaquistão é real? Para o bem de todos e felicidade geral da nação, não é!

Vamos aos fatos! A verdade é que, ao contrário do que aponta a publicação, a história é falsa. Ela não passa da junção de um erro de tradução com casos subnotificados de Covid-19 e o chamado “efeito manada” no jornalismo.

Toda essa confusão surgiu no dia 9 de julho de 2020. Naquela oportunidade, as autoridades da saúde do Cazaquistão teriam enviado comunicados sobre as atualizações referentes aos números de pneumonia comum no país. Com a intenção de avisar seus cidadãos, a embaixada chinesa no Cazaquistão emitiu um alerta, onde comunicava sobre um tipo de pneumonia desconhecida que já teria feito inúmeras vítimas.

A história não parou por aí. Assustados com a informação, alguns veículos de comunicação chineses começaram a compartilhar a história. Nesse processo, a frase “muito mais letal que a Covid-19” foi adicionada nos textos. E aí, o estrago estava feito. Diversos meios de comunicação do mundo todo começaram a noticiar que uma pneumonia desconhecida, com taxa letal maior do que a Covid-19, estaria fazendo diversas vítimas.

A repercussão foi tamanha, que o próprio ministro da Saúde do Cazaquistão precisou se posicionar. De acordo com ele, a informação divulgada por aí não consiste com a realidade. Ainda segundo ele, a Organização Mundial da Saúde (OMS) inseriu códigos de pneumonia na Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Dessa forma, quando a Covid-19 é diagnosticada clinicamente, mas ainda não confirmada por exames, ela poderá ser registrada como uma “pneumonia viral, organismo não identificado”. A partir disso, o ministro destacou que, no dia 9 de julho de 2020, o comunicado emitido pelas autoridades de saúde no país indicavam o número atualizado de casos de pneumonia no Cazaquistão em sua totalidade (bacteriana, fúngica, viral e, até mesmo, a “pneumonia viral, organismo não identificado”).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também precisou se pronunciar para acalmar os ânimos. De acordo com a autoridade máxima da saúde, a tal pneumonia desconhecida, na verdade, pode ser “apenas” Covid-19. O diretor-executivo da OMS, Michael Ryan, afirmou que o Cazaquistão tem enfrentado um aumento exponencial de casos de Covid-19 nos últimos dias. E que, muito provavelmente, os casos de pneumonia viral com organismo não identificado devem ser casos subnotificados de Coid-19. Ele ressaltou que a OMS segue trabalhando com autoridades locais para revisar os diagnósticos e esclarecer a situação.

Por fim, vale ressaltar que quando uma situação excepcional ocorre, é natural que os meios de comunicação passem a dar mais importância para eventos parecidos. Isso ocorre por conta da visibilidade e importância imediata sobre aquele assunto. Por exemplo, o surto de H1N1, em 2009. Constantemente, histórias de outras doenças começaram a surgir nos meios de comunicação. Dessa vez, a história não foi diferente. Nos últimos dias, informações como casos de peste bubônica na China e do e de H1N2 no Brasil começaram a pipocar nos veículos de comunicação. Em outros tempos, com certeza, o assunto não teria destaque (ou sequer seria noticiado), uma vez que se tratam de poucos casos. Porém, devido à pandemia da Covid-19 (e todo seu contexto de desenvolvimento), comunicadores passam a divulgar esse tipo de conteúdo com o intuito de alertar para novos surtos e até como uma forma de se fiscalizar o tema (para que ele não se repita).

Em resumo: a história que diz que uma pneumonia desconhecida, mais letal que a Covid-19, teria sido registrada no Cazaquistão é falsa! A história surgiu de uma tradução equivocada de um comunicado de autoridades da saúde no Cazaquistão. A informação falsa ganhou corpo e, nos meios de comunicação chineses, começou a ser apontada como “mais letal que a Covid-19”. No final das contas, tanto o ministro da Saúde do Cazaquistão quanto a OMS desmentiram a história.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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