Boato – A suposta embaixadora de Israel na ONU, Miriam Novak, teria feito um discurso “de tirar o fôlego” na Assembleia Geral da ONU em 2025.
Análise
Em um contexto de intensa polarização e conflitos contínuos no Oriente Médio, textos com forte apelo emocional e político continuam a ser amplamente compartilhados nas redes sociais. Um conteúdo que voltou a circular, atualizado para o contexto da Assembleia Geral da ONU de 2025, atribui um “discurso de tirar o fôlego” a uma suposta Embaixadora de Israel na ONU, identificada como Miriam Novak. A mensagem alega que o pronunciamento teria ocorrido em uma sessão de emergência em Nova York.
O texto, longo e agressivo em seu tom diplomático, é apresentado como uma defesa apaixonada de Israel, citando o Holocausto, o direito de autodefesa e a contribuição do povo judeu à civilização. O uso do formato de “discurso oficial” busca conferir autoridade e urgência ao conteúdo.A narrativa circula em redes sociais como Facebook, X (antigo Twitter) e WhatsApp, sendo compartilhada em perfis pessoais e grupos ligados ao tema do Oriente Médio. Abaixo, está o texto que tem circulado como sendo a fala da diplomata:
UAU! O discurso de tirar o fôlego da Embaixadora de Israel na ONU, Miriam Novak, na sessão de emergência da Assembleia Geral da ONU em Nova York, convocada a pedido da União Europeia e da nova Liga Árabe: Senhoras e senhores, Como sabem, vivemos entre vocês há dois mil anos. Trouxemos nosso conhecimento, nossas descobertas, nossas invenções. Há oitenta anos, a Europa – liderada pela Alemanha – realizou uma limpeza étnica: quase todos os judeus europeus foram exterminados. Franceses, belgas, holandeses, noruegueses, húngaros, eslovacos, poloneses, lituanos, ucranianos – todos ajudaram os fascistas. Vocês assassinaram pelo menos seis milhões de judeus, incluindo bebês. Cada um deles poderia ter tido filhos, netos, bisnetos. Então multipliquem esse número por quatro ou cinco. E hoje – quando judeus estão sendo novamente roubados, espancados e assassinados em seus países, e seus tribunais estão absolvendo os agressores – vocês nos dizem que não temos o direito de nos defender? Que não temos o direito de avisar nossos inimigos de que responderemos com mais força a qualquer nova tentativa de limpeza étnica? Dê-me o nome de outro povo cuja destruição é tão esperada e desejada pela comunidade internacional – liderada pelo Irã. Por quê?
Vivemos entre vocês e lhes demos o alfabeto, a Bíblia, Maria, Jesus, os apóstolos, Spinoza, Disraeli, Colombo, Newton, Nostradamus, Heine, Mendelssohn, Einstein, Freud, Kafka, Chagall, Mahler, Menuhin, Bernstein, Spielberg, Zuckerberg, Page, Lloyd Weber – e milhares mais. Imaginem quantos outros gênios teriam nascido dos milhões de judeus que vocês assassinaram – de seus filhos, netos, bisnetos. Os gênios que nunca nasceram – desapareceram para sempre – nos fornos, nas sinagogas incendiadas, nas valas comuns. Vocês realmente acreditam que com suas decisões, seus boicotes e suas sanções nos levarão de volta às câmaras de gás? Não, senhoras e senhores! Tivemos que entendê-los para sobreviver: Na Pérsia – sem traição. Na Espanha – sem crueldade. Na Alemanha – sem obediência cega. Na França – sem ganância. Na Polônia – sem arrogância. Na Rússia – sem humilhação pelo establishment. (Risos na plateia) Sim, não somos anjos. Também tivemos bandidos, criminosos e até pedófilos entre nós. Mas nunca tivemos um Hitler, um Stalin, um Mengele ou um Eichmann judeu. Nunca fizemos sabão com gordura humana, transformamos pele humana em lâmpadas, comemos carne humana ou assassinamos crianças em câmaras de gás.
Em vez disso: inventamos a irrigação por gotejamento, a dessalinização da água do mar, o disco em uma chave, minúsculos computadores baseados em DNA, exoesqueletos, o Google Glass para cegos, o radar que penetra paredes, as maravilhas da inteligência artificial. Somos 0,2% da população mundial – mas ganhamos 32% dos Prêmios Nobel. E não – nunca usamos sangue cristão para fazer matzá. Isso foi provado falso no julgamento de Bayliss em 1913. O Papa Bento XVI disse: “Um cristão não pode ser antissemita.” O Papa Francisco disse: “Sem judaísmo, não há cristianismo verdadeiro.” Em 2020, o Rev. John Hagee disse: “Se um cristão diz que odeia os judeus, sua fé é falsa.” “Deus abençoa aqueles que abençoam Israel – e amaldiçoa aqueles que o amaldiçoam.” Então eu pergunto a vocês, representantes da Europa: Quem são vocês? Cristãos – ou não? Quando você reza para Jesus, você reza para um judeu. Quando você diz que ele vive em seu coração, um judeu vive em sua alma. Mesmo que você seja ateu, seus ancestrais eram cristãos. O judaísmo corre em suas veias, quer você goste ou não. Então, se você quer um boicote internacional a Israel porque nos odeia e quer nos destruir, comece por você mesmo. Faça um boicote, será uma limpeza étnica consistente.
E agora, como dizem nos Estados Unidos, tenho uma notícia para você: Agora é a vez dos muçulmanos se libertarem do antissemitismo. Será difícil, mas com a ajuda de Deus, como com as pestes, a cólera ou o coronavírus, isso acontecerá. Por que Deus nos trouxe de volta ao nosso país, forçando você a desistir de seus planos de destruição? Porque cada nação tem uma missão: Os franceses, a arte da culinária. Os britânicos e os russos, a literatura. Os italianos, a arte e a música. Os alemães – soldados e filósofos. Os judeus – gênio, cultura, humanismo e progresso. Esta é a nossa missão. Por 2000 anos. Se temos bombas atômicas, armas cósmicas ou qualquer outra coisa – não é da sua conta. Zeev Jabotinsky disse: “Gostem de nós ou não, não nos importamos. Estávamos aqui antes de vocês. E estaremos aqui depois de vocês.”
Checagem
Com frases de efeito e trechos que soam como respostas inflamadas a opositores, o conteúdo chama atenção por se passar por uma peça diplomática oficial em um momento de grande visibilidade internacional, o da Assembleia Geral da ONU de 2025. Porém, a história sobre o explosivo discurso na ONU, atribuído a Miriam Novak, é falsa. Para refutar a narrativa, vamos responder a três perguntas-chave: 1) Miriam Novak fez discurso na ONU em 2025 falando sobre antissemitismo? 2) Quem de fato representou Israel na Assembleia Geral da ONU no contexto de 2025? 3) O discurso sobre Holocausto e antissemitismo já foi atribuído a outros anos?
Miriam Novak fez discurso na ONU em 2025 falando sobre antissemitismo?
Não. Miriam Novak não existe como embaixadora de Israel na ONU. Uma simples busca nas listas de diplomatas da ONU ou nos registros oficiais do Ministério das Relações Exteriores de Israel mostra que não há nenhuma pessoa com esse nome em cargos de representação. A personagem foi inventada como parte da narrativa. Além disso, o estilo do texto é incompatível com qualquer pronunciamento diplomático oficial, marcado por ironias, ataques diretos e linguagem informal, algo inconcebível em um discurso na Assembleia Geral.
Quem de fato representou Israel na Assembleia Geral da ONU no contexto de 2025?
No contexto da Assembleia Geral da ONU de 2025, o representante oficial de Israel foi o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Seu discurso abordou os conflitos no Oriente Médio e questões políticas ligadas à segurança de Israel, mas em nada se assemelha ao conteúdo viralizado. Não há registros de nenhum pronunciamento semelhante ao atribuído a Miriam Novak nos arquivos oficiais da ONU ou em veículos de imprensa internacionais que cobriram o evento.
O discurso sobre Holocausto e antissemitismo já foi atribuído a outros anos?
Sim. Trata-se de um boato recorrente que já circulou em versões anteriores, sempre com pequenas adaptações. Em 2021 e em 2024, a mesma mensagem viralizou, também com o nome de Miriam Novak citado como suposta representante de Israel. Em 2024, por exemplo, o Boatos.org desmentiu a história, comprovando que a personagem é fictícia e que o texto é apenas uma colagem de argumentos políticos formatados como discurso diplomático. A reciclagem em 2025 mostra a resiliência desse tipo de fake news em contextos de alta tensão no Oriente Médio.
Conclusão
A história do “discurso de tirar o fôlego” da Embaixadora de Israel na ONU, Miriam Novak, em 2025, é falsa. A suposta diplomata não existe, e o texto é uma colagem retórica inventada, incompatível com o protocolo da ONU. Israel foi representado pelo Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu, e o texto viralizado é um boato antigo que ressurgiu, tendo sido desmentido em anos anteriores, apenas com a data atualizada para enganar os leitores.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)

