Médico brasileiro dá show nos EUA ao falar sobre a internacionalização da Amazônia #boato

Boato – Em universidade nos EUA, médico psiquiatra do Tocantins, Marcos Venicios, defende a internacionalização da Amazônia apenas se o mundo for internacionalizado.

Começamos a semana do jeitinho que o Boatos.org gosta: com muitas fake news a serem esclarecidas. E não muito diferente das últimas semanas, seguimos com o assunto da vez: a Amazônia (quando a nossa equipe acha que o assunto morreu, um novo boato surge e dá sobrevida ao tema).

Nos últimos dias, um texto um tanto quanto polêmico anda circulando nas redes sociais. De acordo com a mensagem, um médico psiquiatra do Tocantins, chamado Marcos Venicios, teria causado um verdadeiro frisson ao defender a internacionalização da Amazônia em uma universidade dos EUA.

Segundo o texto, Marcos teria dito que “como humanista, pode imaginar a internacionalização [da Amazônia]”. Porém, ao mesmo tempo, também defende a internacionalização “de tudo o mais que tem importância para a humanidade”. Ao longo do discurso, o psiquiatra teria citado a internacionalização de “reservas de petróleo, museus, capital financeiro, arsenais nucleares dos EUA e cidades como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro etc”.

Para concluir seu pensamento, Marcos Venicios teria afirmado que, como humanista, defende “a internacionalização do mundo”, mas, enquanto o tratarem “como brasileiro”, ele lutar para que “a Amazônia seja nossa”. Confira:

SHOW DO MEDICO BRASILEIRO NOS ESTADOS UNIDOS Essa merece ser lida, afinal não é todo dia que um brasileiro dá um esculacho educadíssimo nos americanos! Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o Médico , humanista, Psiquiatra do TO ,O médico Marcos Venicios foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um psiquiatra e não de um brasileiro. Esta foi a resposta do Sr..Marcos Venicios:

De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. “Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. “Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.

O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.” “Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. […]

“Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. […]

“Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa! DIZEM QUE ESTA MATÉRIA NÃO FOI PUBLICADA, POR RAZÕES ÓBVIAS. AJUDE A DIVULGÁ-LA, SE POSSÍVEL FAÇA TRADUÇÃO PARA OUTRAS LÍNGUAS QUE DOMINAR.

Médico brasileiro deu show em universidade dos EUA ao falar sobre a internacionalização da Amazônia?

O texto tem causado um verdadeiro burburinho entre os usuários das redes sociais e arrancado aplausos de muitos brasileiros. Mas será que esse discurso pertence ao médico psiquiatra de Tocantins Marcos Venicios? A resposta é não e os detalhes você confere a seguir!

Vamos lá! O texto acabou viralizando em pouquíssimo tempo, uma vez que a Amazônia é o assunto que mais bombou nas últimas semanas (que, vale ressaltar, passa longe da questão da internacionalização, mas sim da situação das queimadas).

Ao ler a mensagem, é possível perceber que o texto é vago (não diz, por exemplo, em qual universidade o discurso teria sido proferido e sequer informar a data). Além disso, é bastante alarmista, possui erros de português, pedidos de compartilhamento (inclusive, para ser publicado em outras línguas) e não cita fontes confiáveis. O combo completo de fake news na internet.

Ao buscar mais informações sobre o relato (de um médico psiquiatra proferindo tal discurso em uma universidade), nada encontramos. Resolvemos procurar sobre o suposto discurso e, para nossa surpresa, descobrimos que o texto, de fato, é verdadeiro. Porém, há um detalhe que coloca toda a história em xeque: a autoria não tem nada a ver com o médico psiquiatra.

O discurso, na realidade, foi proferido pelo ex-senador e ministro da Educação, Cristovam Buarque. O texto foi escrito em 2000 e recuperado, em 2008, em um discurso do então senador Cristovam Buarque em homenagem ao ex-senador Jefferson Péres, no Senado.

Ainda em 2008, o ex-senador e ministro publicou um artigo onde esclarecia toda a história do texto e apontava equívocos nas mensagens que passaram a circular na internet, em referência ao seu discurso.

O primeiro deles é que o discurso não foi feito, originalmente, em uma universidade dos EUA, mas sim em “uma sala do Hotel Hilton de Nova York, na 6ª Avenida”. O ex-ministro ainda destacou que foi convidado, apenas em 2007, pela Universidade do Texas para falar sobre o assunto.

Além disso, ele também ressaltou que, ao contrário do que apontam as mensagens, o tema não foi ignorado por jornais brasileiros, uma vez que foi um veículo de comunicação do Brasil que reportou o fato na época.

Por fim, Cristovam Buarque ainda reafirma a autoria do texto e afirma que algumas versões começaram a atribuir o discurso, erroneamente, ao cantor Chico Buarque.

Em resumo: a história que diz que médico brasileiro deu show em universidade dos EUA ao falar sobre a internacionalização da Amazônia é falsa! O discurso, de fato, existe, mas não foi feito por um médico, nem proferido em uma universidade e muito menos é recente. O texto, na realidade, foi escrito pelo ex-senador e ministro Cristovam Buarque, em 2000, para uma reunião no Hotel Hilton de Nova York e recuperado, em 2008, em uma homenagem a um colega de Senado. Ou seja, a história não passa de balela. Até a próxima!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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