Boris Johnson revela a verdade ao dizer que “vírus será injetado” no lugar da vacina #boato

Boato – Boris Johnson revelou a verdade ao dizer que vírus será injetado em vez da vacina e vai matar a população do Reino Unido.

Como uma luz no fim do túnel, as vacinas contra o novo coronavírus avançaram a passos largos no mundo todo e alguns países até já deram início aos planos de vacinação da população. O Reino Unido é o mais adiantado e, nessa terça-feira (8/12), tornou-o primeiro país do mundo a imunizar contra a Covid-19, usando a vacina da Pfizer/BioNTech. O problema é que, dias antes, ao anunciar a boa notícia em uma live em Downing Street, o primeiro-ministro deu uma “escorregada” que deixou as redes sociais inundadas de fake news sobre a aplicação da vacina.

Uma publicação que começou a circular no Facebook traz um vídeo com um trecho do anúncio do programa de imunização em que, durante a sua fala, Boris Johnson teria “revelado a verdade” ao dizer que o vírus será congelado a -70 °C para ser injetado na população. A afirmação foi feita por volta dos dois minutos do longo discurso, de cerca de 40 minutos, em uma live na residência oficial do primeiro-ministro britânico. Confira, a seguir, o vídeo em questão e o texto original da publicação que estão rodando online e deixando os internautas intrigados:

Boris escorregou e disse a verdade. Não é uma vacina que eles querem injetar em você, é um VÍRUS !! Milhões de pessoas terão problemas de saúde de longo prazo e a grande indústria farmacêutica é imune a recursos legais por parte das vítimas de seu genocídio genético planejado.

Boris Johnson revelou a verdade ao dizer que vírus será injetado e vacina vai matar população?

Obviamente, em tempos em que todos estamos ansiosos pela vacina contra a Covid-19, o vídeo viralizou e deixou muita gente com um “pé atrás” em relação à imunização, que também não deve demorar para acontecer no Brasil. Porém, tudo não passou de um equívoco na fala de Boris Johnson.

Primeiro, precisamos ressaltar que, de fato, o primeiro-ministro do Reino Unido deu uma “escorregada” e disse a palavra “vírus” em vez de “vacina” durante o anúncio da vacinação. Como mostra esse vídeo da BBC News, no minuto 2:17, ele fala “the virus has got to be stored at 70 minus degrees each person needs two injections three weeks apart”, que, em tradução para o português, quer dizer “o vírus deve ser armazenado em 70 graus negativos; cada pessoa precisa de duas injeções com três semanas de intervalo”.

No entanto, isso não quer dizer que ele “revelou a verdade” sobre a vacina, apenas se confundiu no meio do discurso. Prova disso é que, durante os 42 minutos desse vídeo da BBC, ele proferiu a palavra “vacina” 57 vezes. Ou seja, se ele quisesse mesmo falar que um vírus é que seria injetado na população, teria falado “vírus” nessas 57 vezes.

E já que tocamos neste assunto, vale dizer que não seria nenhum absurdo injetar um vírus no corpo humano para imunizar contra a Covid-19. Existem as chamadas vacinas atenuadas, em que um vírus é injetado no corpo humano, mas sem capacidade de produzir a doença, como é o caso das vacinas da AstraZeneca e da Sinovac. No caso dessa primeira, o imunizante produzido em Oxford, são utilizados na fabricação um adenovírus (geneticamente modificado para ser fraco e não infeccioso), que funciona como um tipo de “Cavalo de Troia”, e uma parte modificada do coronavírus, uma espécie de proteína também não infecciosa. Com isso, quando a vacina é aplicada, o nosso sistema imunológico promove uma resposta imune a essa proteína e produz anticorpos, além de outras células de defesa contra a Covid-19.

O mesmo acontece com a Coronavac, a vacina chinesa do laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, que, inclusive, faz parte do plano de imunização em São Paulo. Os cientistas criam uma cultura do vírus em laboratório, o deixam inativo e aplicam na população, estimulando a produção no organismo humano e, então, combatendo a doença.

Não é um absurdo, mas, não é o caso da vacina do Reino Unido. A Pfizer/BioNTech. Esta, por sua vez, se trata de uma vacina de mRNA, em que, em vez de injetar em nós um vírus ou parte dele, como acontece nessas duas últimas, a ideia é fazer o nosso próprio corpo produzir a proteína do vírus.

Para isso, os cientistas identificam a parte do código genético do vírus e criam uma molécula sintética que é injetada no corpo humano para que este mesmo possa produzir essa proteína. Na prática, as células são instruídas a produzirem a proteína e a liberam na corrente sanguínea, alertando o nosso sistema imune. Para alguns cientistas, trata-se de um procedimento mais simples e seguro por não utilizar o vírus real. Ou seja, não tem nada de vírus morto, atenuado ou injetado sendo usado, como está espalhando o boato após o equívoco na fala de Boris Johnson.

E, por fim, para cravar de vez toda essa história sobre “injetar vírus” na vacinação do Reino Unido, não custa nada lembrar que fakes sobre “o perigo das vacinas” são bastante comuns na internet, já que o assunto tem gerado muitas expectativas e, também, desinformação. Aqui mesmo, no Boatos.org, nós já desmentimos várias delas, como, por exemplo, a que dizia que a vacina mRNA contra a Covid-19 altera o DNA e causa dano genético irreversível.

Evidentemente, a teoria não é verdadeira, já que, como explicamos, o mRNA não consegue alterar o DNA, uma vez que não promove alterações no núcleo da célula (onde se localiza o código genético). O mRNA tem a única função de induzir as células a produzirem a proteína capaz de combater o coronavírus. Também desmentimos histórias sobre as vacinas estarem sendo criadas utilizando o vírus do câncer para reduzir a população mundial, totalmente sem sentido; e sobre os laboratórios que as produzem estarem assinando termos de isenção de responsabilidade civil.

Neste caso, também não existe nenhum documento assinado pelos laboratórios com o “privilégio” de não serem processados em situações de efeitos graves ou mortes decorrentes dos imunizantes, pelo menos aqui no Brasil. A informação foi desmentida à nossa equipe pelo próprio Instituto Butantan (que produz a vacina da Sinovac) e a Fiocruz (que produz a da AstraZeneca).

Resumindo: A publicação que dá conta de que Boris Johnson teria revelado a verdade ao dizer que vírus seria injetado e que a vacina vai matar a população não é verdadeira. No trecho do vídeo que está sendo compartilhado, o primeiro-ministro britânico apenas se confundiu e trocou a palavra “vacina” por “vírus”, sem querer. Prova disso é que, ao longo de todo o discurso, ele falou a palavra vacina 57 vezes e, além do mais, a vacina da Pfizer/BioNTech, que será utilizada na vacinação do Reino Unido, é do tipo mRNA e não tem como base o uso de vírus para imunização.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99458-8494.

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