Black Friday surgiu com a venda de escravos em 1904 nos Estados Unidos #boato

Boato – A origem do termo Black Friday é triste. A Sexta-feira Negra foi criada em 1904 durante o comércio de escravos nos Estados Unidos. Negros eram vendidos com desconto.

A Black Friday 2019 está chegando e, com ela, uma série de notícias falsas na internet. A que vamos falar agora é um “clássico” que sempre insiste em aparecer próximo à última semana de novembro.

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De acordo com textos que insistem em circular em redes sociais, a Black Friday surgiu graças a uma triste história. O nome seria uma referência à venda de escravos africanos nos Estados Unidos. A mensagem aponta que tudo surgiu em 1904 e que a ideia foi “aproveitar” a última sexta-feira de novembro para vender negros com desconto antes da chegada do inverno. Leia duas das versões que circulam online:

Confira o desmentido em vídeo:

OS ESCRAVOS MODERNOS: BLACK FRIDAY Sabiam que a origem do Black Friday não é outro que a venda de escravos? No dia seguinte ao dia de ação de graças se vendiam os escravos “com desconto” já que começa a temporada de inverno e eles não eram tão necessários para a colheita do algodão, por exemplo. Daí o BLACK (“Preto” em inglês). O consumismo assimilou sem nenhum pudor esta tradição e não só foi criado nos Estados Unidos como uma ocasião para fazer compras e mais compras para o natal, mas que foi exportado à Europa. Acho que está na hora de dar um grande NÃO a algo de origens tão desumanas.

“Esta é a triste história e significado da #Black_Friday. Foi durante o comércio de escravos na América. Durante a sexta-feira negra, os escravos foram vendidos com desconto para impulsionar a economia. Daí Black (escravos eram de origem africana) Friday (sexta-feira a data da venda, nos finais de novembro). Isso levanta questões sobre se, como africanos, devemos apoiar este insulto? Já está a tornar moda importarmos expressões sem questionar a origem das palavras ou seu verdadeiro sentido. Black Friday 1904.

Black Friday surgiu com a venda de escravos com desconto em 1904 nos EUA?

A tese foi muito compartilhada na internet, principalmente entre as pessoas que acreditam que a Black Friday não passa de uma “Black Fraude”. Mas será mesmo que a história que aponta que a “Sexta-feira Negra” surgiu em 1904 e com a venda de escravos nos Estados Unidos é real? A resposta é não. Calma aí que a gente explica tudo para vocês.

De cara, a informação já nos causa desconfiança. Isso porque ela carrega algumas das principais características de boatos online: é alarmista, com erros de português e não cita fontes confiáveis. Só por isso, já mereceria uma segunda análise. Foi justamente o que fizemos para chegar à verdade.

Não foi preciso nem sair do texto para achar a primeira contradição. Isso porque uma das versões da mensagem fala em “escravidão no ano de 1904”. Só que a escravidão foi abolida nos Estados Unidos em 1863. Na América, o Brasil foi o último país a declarar a abolição da escravatura. Isso ocorreu em 1888. Ou seja: 16 anos antes da suposta narrativa. Com isso, já sabemos que em 1904 não “se vendia escravos na América (seja qual for)”

Ao analisar a imagem de ilustração descrita como “Black Friday 1904”, também achamos uma contradição daquelas. A foto é, na realidade, a capa de um livro chamado Every Mother’s Son Is Guilty. O livro, lançado em 2016, narra histórias da fronteira leste da Austrália entre 1882 e 1905. As pessoas da imagem representam aborígenes presos em circunstâncias duvidosas. Ou seja: até o momento já temos um lapso temporal e uma foto fora de contexto. Mas não para por aí.

Ao buscar pela real origem do termo Black Friday, nada encontramos (em fontes confiáveis) sobre venda de escravos. Na realidade, termo apareceu pela primeira vez em 1869 quando dois investidores (Jay Gould e James Fisk) tentaram se aproveitar de informações privilegiadas para ganhar o monopólio do mercado de compra e venda de ouro. Sabendo disso, o governo dos EUA baixou o preço do material em cerca de 80%.

Quase um século depois que o termo Black Friday começou a ser ligado ao Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Em 1951 e 1952, o termo foi utilizado para designar a “ressaca” no dia após o feriado e o trânsito de quem teve que começar a fazer as compras de Natal. Quem cunhou o termo foi a revista Engineering Magazine.

Apenas em 1975 é que o termo Black Friday começou a ser utilizado para citar o dia de vendas após o Dia de Ação de Graças. Em matéria de 29 de novembro de 1975, o The New York Times relatou que a “Black Friday” foi a data com maior volume de vendas no ano. A partir daí, empresas dos EUA começaram a utilizar o termo para dar descontos e alavancar as vendas. O resto vocês já devem saber.

Vale dizer que essa balela de Black Friday e escravidão já circula há alguns anos. A prova disso é que em 2013 o site Snopes desmentiu a balela e, em 2015, o Boatos.org já havia indicado que a “origem da Black Friday” nada tem a ver com a venda de escravos.

Resumindo: a história que aponta que o termo Black Friday surgiu durante o comércio de venda de escravos nos Estados Unidos é falsa. Trata-se de uma lenda urbana que usa dados insustentáveis, fotos falsas e circula já há algum tempo na internet.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

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