Arábia Saudita matou ativista de direitos das mulheres Esra Al Ghamgam #boato

Boato – Esra Al Ghamgam, ativista dos direitos das mulheres, foi condenada à morte na Arábia Saudita.

Quando falamos em Oriente Médio, logo pensamos nos costumes tão diferentes dos ocidentais. Isso porque, grande parte desses países adota o Islamismo como religião oficial, o que implica em regras diferentes das dos países cristãos.

Sabemos que muitas práticas realizadas nesses lugares são condenadas internacionalmente. Entretanto, em alguns países, como na Arábia Saudita, existe uma certa condescendência internacional (alimentada por questões econômicas que, principalmente, envolvem o petróleo).

Mas ao que parece, essa condescendência não tem agradado muita gente. É o que mostra essa história que anda circulando nas redes sociais. De acordo com as publicações, a ativista dos direitos das mulheres Esra Al Ghamgam teria sido morta na Arábia Saudita por conta de seu ativismo. Confira:

A Arábia Saudita matou em público na manhã de 20 de Agosto, a “Ezra Al Ghamgam”, uma activista dos direitos das mulheres. O silêncio absoluto dos meios de comunicação social, da Comunidade Internacional, mas também Nacional, são ensurdecedores.

Arábia Saudita matou a ativista de direitos das mulheres Esra Al Ghamgam?

A notícia, é claro, chocou muita gente, ainda mais pela condenação ter acontecido devido à luta pelos direitos básicos das mulheres. Mas será mesmo que a Arábia Saudita condenou Esra Al Ghamgam à morte por defender os direitos das mulheres? A resposta é não. E se você quiser mais detalhes, então continua lendo.

Antes de falar sobre a história, vamos fazer uma contextualização. De fato, as normas na Arábia Saudita costumam ser bem rígidas. No país, as mulheres sofrem com a falta de direitos políticos e a discriminação. Lutar pelos direitos dessas minorias pode ser considerado desrespeito ao Islã (e, consequentemente, um crime). Foi nesse cenário que a história sobre a ativista Esra Al Ghamgam surgiu.

Esra Al Ghamgam é seguidora do xiismo (minoria étnica no país). Por isso, os seguidores sofrem diversos tipos de discriminação, desde o acesso à educação até à liberdade religiosa. A ativista foi detida há 3 anos, após um protesto que pedia mais direitos às mulheres.

Em meio às incertezas sobre o que iria acontecer com ela, diversos veículos de informação do Oriente Médio começaram a publicar notícias de que Esra Al Ghamgam teria sido condenada à morte pelo governo da Arábia Saudita na última semana (mais exatamente em 20 de agosto de 2018).

Entretanto, a informação estava errada. A história surgiu nas redes sociais e foi “comprada” por um site do Irã, sendo reproduzida por veículos de diversos países. E, a partir daí, já sabemos como funciona: a história viralizou.

Dias depois, a ONG Human Rights Watch desmentiu toda a informação. O serviço de fact-checking do jornal Liberátion também conseguiu um desmentido sobre o caso. Entretanto, o jornal informou que Esra Al Ghamgam ainda pode ser condenada e que a corte já pediu sua pena de morte. Por fim, as imagens que estão circulando online da suposta morte de Esra Al Ghamgam, na verdade, é de uma birmanesa, que foi condenada por matar o próprio filho, na Arábia Saudita, em 2015.

Em resumo: a história que diz que Esra Al Ghamgam foi morta na Arábia Saudita é falsa! A ativista está sim presa há 3 anos, mas ainda está sendo julgada. Toda a história foi desmentida pela ONG Human Rights Watch e pelo jornal Liberátion. Ou seja, #boato.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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