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É falso que Rivelino tenha dado entrevista sobre a seleção brasileira na Copa do Mundo

Boato – Roberto Rivelino deu uma entrevista com críticas à seleção atual e falando que a seleção de 1970 ganharia só de 2 a 1 pelos jogadores estarem velhos.

Desde meados de junho, um diálogo atribuído a Roberto Rivelino circula em páginas de futebol no Facebook, no Threads e no X. No texto, um repórter pergunta ao tricampeão de 1970 se ele tem acompanhado os jogos da Seleção na Copa. Rivelino teria respondido que tentou, viu uns dez minutos e desligou a TV.

Pressionado sobre qual seria o placar de um confronto entre a equipe de 1970 e a atual, ele arremataria: um a zero ou dois a um para os campeões do México, afinal Pelé já morreu e todos eles passaram dos 80 anos. O texto tem quase tudo o que uma entrevista teria. Falta o essencial: repórter, veículo e data.

Uma das versões mais compartilhadas foi publicada em 15 de junho e teve mais de 160 mil curtidas no Facebook, e somou mais de duzentas reações. Versões quase idênticas aparecem no Threads e no X, assinadas por perfis diferentes e com pequenas variações de redação. Numa delas, Rivelino acha a Seleção atual razoável; noutra, desliga a TV aos dez minutos. O placar imaginado oscila entre um a zero e dois a um conforme quem copia. Leia:

Em Entrevista recente com RIVELINO. Repórter: “Rivelino.. Tu tens assistido os jogos da Seleção?” Rivelino: “Tentei.. Mas só  vi uns 10 minutos e desliguei a TV.” Repórter: “Rivelino… Se aquela Seleção da Copa de 70 jogasse contra a atual, quanto seria o placar?” Rivelino responde: ” Seria 1 X 0  pra nós…ou 2 x1 …por aí . ” Repórter: “Mas só  isso?” Rivelino: “Você tem que ver o seguinte – o Pelé  já  morreu e nós estamos com mais de 80 anos .” Vai, Brasil!

Rivelino deu entrevista sobre a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026?

Esse comportamento é típico de corrente, não de reportagem. Uma entrevista real tem origem única e redação estável, porque existe uma gravação ou uma transcrição por trás dela. Um texto que muda de forma a cada compartilhamento indica o caminho inverso: alguém escreveu uma piada, e ela foi sendo recopiada e ajustada ao gosto de cada página.

Não há registro do diálogo em nenhum veículo esportivo brasileiro ou estrangeiro. Nenhuma das publicações que espalham o texto informa quem fez as perguntas, para qual programa ou em que data, e buscas por trechos literais levam apenas a outras correntes. A piada, aliás, se apoia em fatos verdadeiros para funcionar: Pelé morreu em dezembro de 2022 e Rivelino completou 80 anos em 1º de janeiro deste ano. É essa camada de verdade que faz o texto parecer plausível quando aparece na timeline entre um lance da Copa e outro.

O formato entrega a intenção. Pergunta curta, resposta seca, pausa dramática e desfecho cômico compõem a estrutura clássica da anedota de futebol, do tipo que ressurge atualizada a cada ciclo de Copa. O que mudou foi o ambiente: publicada durante o torneio e com o nome de um tricampeão no topo, a piada passou a circular como se fosse declaração.

Mercados maduros responderam a esse volume criando camadas dedicadas de verificação. No jornalismo, o papel coube às agências de checagem; no setor de apostas regulado, ele aparece na forma de portais de avaliação de operadores. Na Estônia, o KasiinoGuru compara os operadores licenciados no país sob critérios padronizados antes de o apostador escolher onde jogar. A lógica das duas camadas é a mesma, e um texto viral como o do falso Rivelino mostra por que ela se tornou necessária.

A ironia é que a piada envelhece bem justamente porque parte de coisas reais: a morte de Pelé, a idade dos campeões de 1970, a nostalgia que cada nova Seleção desperta na geração que viu aquela. Nada disso, porém, transforma o texto no que ele afirma ser. Rivelino, que nunca teve dificuldade em criticar Seleções em entrevistas de verdade, desta vez não disse nada. Disseram por ele.