Pular para o conteúdo

É falso que velhinha de cabelo branco está dando bombons com sonífero no metrô para realizar assaltos

Velhinha de cabelo branco está dando bombons com sonífero no metrô para realizar assaltos, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – Uma senhora estaria distribuindo doces adulterados para dopar e assaltar passageiros em estações de São Paulo.

Análise

A segurança pública nos grandes centros urbanos costuma ser pauta constante de debates, especialmente quando novas táticas de abordagens criminosas começam a ser ventiladas nas redes sociais. Recentemente, a atenção de moradores da capital paulista foi capturada por relatos que mencionam a suposta atuação de mulheres idosas em furtos e assaltos em áreas de intensa circulação comercial, como a Rua 25 de Março, o Brás e a Avenida Paulista. A premissa central dessas discussões gira em torno do uso de uma aparência inofensiva e da empatia que a idade avançada costuma inspirar para aproximar suspeitos de suas potenciais vítimas sem levantar alardes.

Nesse cenário de vigilância redobrada, voltou a circular nas redes sociais um alerta que descreve uma suposta criminosa com aparência de idosa atuando em estações de metrô e trem. Segundo a mensagem, a mulher abordaria principalmente mulheres, ofereceria bombons ou chicletes contendo uma substância capaz de provocar desmaios e, em seguida, integrantes de uma quadrilha roubariam as vítimas. Leia:

O Fenômeno das “Vovós do Crime” ​Recentemente, chamou a atenção da mídia e da polícia a atuação de mulheres idosas em furtos e assaltos, especialmente em áreas de grande circulação comercial como a Rua 25 de Março, o Brás e a Avenida Paulista. ​Essas “velhinhas” utilizam a aparência inofensiva para ganhar proximidade Aproveitam-se da empatia e do respeito que a idade inspira para se aproximar de vítimas sem levantar suspeitas.

Não dê trela e nem pare para falar um minuto sequer com uma senhorinha de cabelo branco que está abordando as pessoas, principalmente em estações de trem, estações de metrô, principalmente aqui em São Paulo. Essa é uma orientação que eu te dou sendo advogado criminalista, que já trabalhou por quase 10 anos na polícia, e essa é uma informação de bastidor. Tem uma senhora, cabeça branca, bem boazinha, bem velhinha, que está fazendo parte de uma gangue aqui em São Paulo. E ela está se aproximando de pessoas, principalmente mulheres, em estações de metrô e de trem, oferecendo um bombom, oferecendo um chiclete e, muitas vezes, pedindo ajuda porque diz que está perdida.

De alguma forma, ela vai fazer você experimentar um chocolate, um bombom, e dentro deste bombom, dentro deste chocolate, existe uma substância, uma espécie de sonífero que vai fazer você apagar. E sim, ela não age sozinha. Ela age em conluio com outros indivíduos, com uma gangue. Eles vão te acompanhar, eles vão ficar do seu lado, quando você tiver para desmaiar, eles vão te segurar e você já sabe o que acontece.

Checagem

Diante da repercussão do caso, iniciamos um processo de verificação detalhada para compreender a real extensão dos fatos narrados. Para isso, estruturamos a apuração respondendo às seguintes perguntas fundamentais: 1) Velhinha de cabelo branco está dando bombons com sonífero no metrô para realizar assaltos? 2) Há alguma prova de crime em que uma velhinha de cabelo branco está dando bombons com sonífero no metrô para realizar assaltos? 3) Quais são os cuidados que devem ser tomados em casos como este?

Velhinha de cabelo branco está dando bombons com sonífero no metrô para realizar assaltos?

Não há qualquer evidência de que exista uma criminosa com essas características atuando da forma descrita. O alerta é extremamente genérico. Não informa nomes, datas, locais específicos, registros policiais, boletins de ocorrência, imagens da suspeita nem qualquer investigação oficial que confirme a história.

Esse tipo de mensagem é muito comum nas redes sociais. Ela utiliza um personagem facilmente identificável — neste caso, “uma velhinha de cabelo branco” — para provocar medo e incentivar o compartilhamento da corrente. Embora existam crimes praticados por pessoas de diferentes perfis, não há elementos que sustentem a existência dessa suposta quadrilha especializada em oferecer bombons com sonífero nas estações de metrô de São Paulo.

Há alguma prova de crime em que uma velhinha de cabelo branco está dando bombons com sonífero no metrô para realizar assaltos?

Não. Durante a apuração, não encontramos registros de investigações, comunicados oficiais das polícias, alertas do Metrô de São Paulo ou notícias confiáveis que confirmem a existência desse caso específico. O principal problema da mensagem é justamente sua falta de objetividade. Ela descreve apenas uma característica extremamente ampla — “uma senhora de cabelo branco” — sem fornecer qualquer elemento que permita identificar uma pessoa ou um crime real.

Além disso, caso uma quadrilha estivesse atuando dessa forma de maneira recorrente, seria esperado que houvesse registros policiais, investigações ou alertas oficiais com informações precisas sobre o caso. Isso não significa que crimes não ocorram em estações de transporte público, mas apenas que não há evidências de que essa história específica seja verdadeira.

Quais são os cuidados que devem ser tomados em casos como este?

Apesar de o alerta específico carecer de sustentação em dados reais, o pano de fundo da mensagem carrega um certo valor preventivo no que diz respeito à segurança pessoal. Especialistas em segurança urbana costumam reiterar que aceitar e consumir alimentos, doces ou bebidas oferecidos por pessoas totalmente desconhecidas em locais públicos pode não ser o hábito mais seguro, dado o risco histórico de golpes envolvendo substâncias dopantes, popularmente conhecidos como “boa noite, Cinderela”.

Portanto, o cuidado recomendado é manter a atenção habitual que o trânsito em grandes metrópoles exige. Em caso de abordagens suspeitas ou pedidos de ajuda que pareçam simulações para reter a atenção do pedestre, a orientação ideal é se direcionar aos funcionários uniformizados do próprio metrô ou buscar a presença de policiais militares na região. A prevenção deve se basear na postura atenta, e não no preconceito ou no pânico coletivo contra perfis específicos da população.

Por outro lado, não é recomendável compartilhar correntes genéricas que apenas espalham medo ou incentivam a desconfiança contra grupos inteiros de pessoas, como idosos, sem qualquer prova. Mensagens desse tipo acabam gerando pânico desnecessário e podem até causar constrangimentos a pessoas inocentes.

Conclusão

É falso que exista comprovação de uma “velhinha de cabelo branco” oferecendo bombons com sonífero em estações de metrô para facilitar assaltos. A mensagem não apresenta qualquer prova, investigação ou registro oficial que confirme a história e utiliza uma descrição extremamente genérica para provocar medo e viralizar nas redes sociais. Apesar disso, permanece válida a orientação de não aceitar alimentos ou bebidas de desconhecidos e comunicar imediatamente às autoridades qualquer situação suspeita observada em locais públicos.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)