Professor da Universidade de Brasília usa salto alto em congresso do PSOL #boato

Boato – Foto mostra um professor da Universidade de Brasília durante um Congresso do PSOL. Ele usa salto alto, saia curta e tem uma bolsa.

Nos últimos dias, as universidades federais ficaram nos holofotes do debate público no Brasil. Enquanto estudantes e professores protestaram contra o contingenciamento de recursos imposto pelo governo, apoiadores de Bolsonaro “enxurraram” as redes sociais com imagens do que seria a “balbúrdia” das universidades federais.

Em meio ao tsunami de “cuidado” com a vida alheia, muitas das imagens são acompanhadas de legendas falsas e são retiradas de contexto (se você acha que universidade pública é só festa e nada de estudos, aconselho a tentar entrar em uma e comparar o nível de exigência dela com instituições privadas), uma imagem que seria de um “professor da Universidade de Brasília” sentado em um banco, usando salto alto, saia curta e uma bolsa voltou a viralizar.

No ano passado, a imagem circulou na internet com a seguinte legenda: “Enquanto isso no congresso do PSOL”. Com a polêmica das universidades, a imagem (em alguns casos, também acompanhada da legenda antiga) dizia o seguinte: “Acredite se quiser , este é um professor de universidade federal”. Pouco tempo depois, o professor “ganhou uma universidade” e a foto uma nova mensagem. “Este é um professor da Universidade de Brasília. Acredite se quiser!”.

Professor da Universidade de Brasília usou salto alto durante congresso do PSOL?

A imagem se espalhou como pólvora online. Mas será mesmo que a informação de que a pessoa da imagem é um professor universitário ou mesmo que o local é um “congresso do PSOL” é real? A resposta é não. Calma aí que a gente explica tudo.

Antes de falar sobre o boato em si, precisamos dizer que não haveria problema algum se a pessoa da imagem (uma mulher trans) fosse uma professora universitária já que a capacidade profissional de alguém não se mede pela aparência. Se você pensa o contrário, desculpe, mas está sendo preconceituoso.

Vale dizer também que não haveria problema algum se a pessoa da imagem estivesse em um evento organizado pelo PSOL ou por qualquer outro partido. A opção de gênero não diz nada sobre o caráter de ninguém ou qualidade de uma sigla. Se você pensa o contrário, desculpe (de novo), mas está sendo preconceituoso.

Recado dado, vamos à explicação da foto. Foi muito difícil achar a origem da imagem. Todas as referências da internet nos mostravam a “versão PSOL” ou a versão “professor universitário”. Foi aí que começamos a ler comentários falando que não se tratava de um professor e sim de alguém que estudou na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

Com base nessas pistas, resolvemos prestar atenção na imagem. De fato, o crachá que a pessoa usa é da mesma cor da Unila (roxo). A partir daí, entramos em contato com a página do Facebook Registros da Unila, que nos passou o contato da assessoria da instituição. E aí confirmamos a nossa desconfiança. Veja a resposta da instituição: “Trata-se, sim, de um estudante da Unila. Essa foto foi tirada durante a recepção dos calouros de 2016”.

Tivemos acesso às imagens (que não vamos publicar aqui) da recepção dos calouros de 2016 no Flickr da instituição e confirmamos que a imagem em questão estava lá. A assessoria da Unila explicou ainda que a imagem chegou a ser compartilhada no Facebook como a de um estudante da instituição, mas foi removida após denúncias de incitação de discurso de ódio na rede social (talvez isso explique o fato de não acharmos a foto em redes sociais com a descrição correta).

Resumindo: a história que aponta que um professor da Universidade de Brasília foi fotografado de salto alto em um congresso do PSOL (ou em qualquer outro lugar) é falsa. A foto foi feita na recepção de calouros da Unila em 2016 e o preconceito de quem ajudou a história a se espalhar é até pior do que o próprio boato em si.

Ps.: Esse artigo foi uma sugestão de diversos leitores via WhatsApp. Se você quiser sugerir uma tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook ou WhatsApp, no telefone (61) 99331-6821.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

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